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Quando a acne aparece

Ela acomete em torno de 85% dos adolescentes e também pode surgir na vida adulta. Iniciar o tratamento e intensificar os cuidados com a pele logo nos primeiros sinais é essencial para evitar marcas indesejadas e o agravamento do problema

Os cravos e as espinhas são o terror dos adolescentes. Impactam em sua autoestima e são praticamente inevitáveis. Os primeiros sinais da acne podem surgir a partir dos 12 anos de idade e sem data limite para deixarem de acontecer, especialmente em mulheres.

Resultado de um processo inflamatório das glândulas sebáceas e dos folículos pilossebáceos, eles nada mais são do que a manifestação da acne. Uma doença que acomete 85% dos adolescentes e que pode ainda apresentar diferentes graus de gravidade.

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Em crianças, antes de chegarem à puberdade, os primeiros sinais já podem aparecer. São as chamadas lesões pré-acnes, que surgem principalmente em meninas devido às alterações hormonais pré-menstruais, que deixam a pele mais oleosa.

De acordo com a pesquisa Perfil das Consultas Dermatológicas 2018, da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a acne foi o principal motivo de idas ao dermatologista, seguida por fotoenvelhecimento, cardinoma basocelular, queratose actínica e melasma.

“A acne surge por conta de fatores hormonais que alteram as características da pele, principalmente do rosto, peito, ombros e costas. Os hormônios sexuais são os responsáveis por essas mudanças e são conhecidos como andrógenos (homens) produzidos pelos testículos; e estrógenos (mulheres) produzidos pelos ovários; e também pelas suprarrenais (duas pequenas glândulas situadas sobre os rins) em ambos os sexos”, explica o dermatologista da Clínica Lucas Miranda Dermatologia e membro da SBD, Dr. Lucas Miranda.

Ele esclarece ainda que os andrógenos e os estrógenos são responsáveis pelo funcionamento das glândulas sebáceas. “Apesar de nascermos com elas, é durante a adolescência que sua ação fica mais forte. Quando o paciente já tem uma predisposição genética, desenvolve mudanças na secreção sebácea (gordura) da pele e também do couro cabeludo. Nesse período, o jovem deve manter a pele limpa com o intuito de controlar a oleosidade, fazendo uso dos produtos indicados para seu tipo de pele, conforme o aconselhado pelo médico dermatologista”, completa.

A acne é considerada crônica por ser uma doença de longa duração e que necessita de tratamento em longo prazo. Quanto às manifestações, a dermatologista da Clínica Sitonio, Dra. Renata Sitonio, conta que os cravos ou comedões são considerados lesões não inflamatórias, enquanto que as espinhas são inflamatórias.

“Elas podem se apresentar como pápulas (bolinhas vermelhas, endurecidas e arredondadas), pústulas (quando há pus visível), nódulos (maiores que as pápulas e se expandem para as camadas mais profundas da pele, causando cicatrizes) e cistos (maiores que as pápulas, profundos e crônicos e também causam cicatrizes)”, explica a Dra. Renata.

A especislista conta que estudos recentes mostram que a composição das bactérias intestinais (microbioma) pode afetar a pele do indivíduo. O supercrescimento bacteriano no intestino pode aumentar a permeabilidade da mucosa intestinal e causar inflamação sistêmica no organismo, o que pode levar ao aparecimento de lesões de acne.

“A influência genética também é um fator importantíssimo para o surgimento de acne. Pais com acne, geralmente, têm filhos com acne”, diz.

Pele mais oleosa

Como o aumento da oleosidade da pele é um dos fatores que contribuem para que a acne apareça, é preciso se cercar de cuidados. A dermatologista e assessora do departamento de Cosmiatria da SBD, Dra. Patrícia Ormiga, alerta para o uso de cremes oleosos que podem obstruir os poros.

“Até mesmo a franja do cabelo pode contribuir com o aumento da oleosidade no local. Acrescenta-se a isso o uso de maquiagem ou cosméticos com óleo em sua composição. Com a produção de sebo naturalmente aumentada, é preciso ter cuidado com a escolha desses produtos”, orienta.

Diferentes graus

A acne pode apresentar diferentes graus ou estágios, mas isto não significa que todo indivíduo passará por todos eles ou que começará necessariamente no primeiro deles. Tudo vai depender de todos os fatores já citados nesta reportagem e também dos cuidados que o acometido terá com a higiene da pele, controle da oleosidade e adesão aos tratamentos.

De acordo com a dermatologista da Clínica LC, Dra. Bárbara Carneiro, existem cinco graus de acne, sendo: grau 1 – acne comedônica, composta por “cravos” abertos ou fechados; grau 2 – acne pápulo-pustulosa, apresentando lesões dolorosas, avermelhadas e elevadas, podendo ter secreção amarelada no seu interior; grau 3 – acne nódulo-cística, mostrando lesões nodulares, podendo ter pus no seu interior; grau 4 – acne conglobata, com lesões maiores e com grande saída de secreção, tendência à formação de cicatrizes; e grau 5 – acne fulminante, com grande processo inflamatório na pele, com possibilidade de febre e mal-estar e grande tendência cicatricial.

Segundo a médica, o acúmulo de gordura atrai bactérias, sendo a mais comum a Proprionibacterium acnes. Ela ainda reforça que ninguém está livre de ter acne.

“Uma pessoa com espinha pode, sim, ter pele oleosa e mista, no entanto, quem tem o tipo seca e normal também pode apresentar essas lesões em certos períodos, como na pré-menstruação, em momentos de estresse ou em uma temporada de má alimentação”, ressalta.

Produtos adequados

Tratar a acne é mais do que uma questão de saúde, mas também de autoestima. O Dr. Miranda relata que os jovens que sofrem com acne moderada ou grave são igualmente afetados e sofrem complicações na autoestima, na imagem corporal e até no relacionamento com outros jovens e pessoas em geral.

“Além disso, passam por problemas de autoconfiança e até depressão. Esse impacto atinge esse público quando a fase das espinhas está no ápice e, muitas vezes, se estende pelo resto da vida, quando as cicatrizes deixam marcas eternas”, diz a Dra. Renata.

Pessoas com pele acneica não precisam abrir mão do uso da maquiagem, mas devem tomar cuidado na hora de escolher os itens. “Produtos muito pesados aumentam a produção de oleosidade e são péssimas escolhas. O melhor é investir em makes com efeito fosco e livres de óleo. E sempre retirar a maquiagem antes de dormir”, orienta a Dra. Bárbara. O mesmo vale para o uso de protetores solares, sendo que os indicados são os que apresentam toque seco.

O ideal é sempre usar produtos que associem ativos de tratamento. “Existem corretivos, filtros solares e maquiagens que contêm ativos de controle da oleosidade e contribuem com o tratamento, além de deixar a pele mais bonita. O ideal é dar preferência para itens que ajudem a disfarçar ao mesmo tempo em que tratam o problema”, orienta a Dra. Patrícia. Segundo a médica, outra recomendação é usar produtos livres de álcool, incapazes de remover a barreira cutânea que protege a pele.

Foto: Shutterstock

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Edição 321 - 2019-08-08 Hilab está permitido

Essa matéria faz parte da Edição 321 da Revista Guia da Farmácia.

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