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Quando ir ao banheiro passa a ser um problema

Guia da Farmácia Por Guia da Farmácia 26 de novembro de 2018 Atualizado em: 05 de setembro de 2019 Nenhum comentário 7 Minutos de leitura
shutterstock 1108309220

Vontade intensa de ir ao banheiro, ardência e dor ao urinar são dois dos principais indicativos de uma doença comum principalmente às mulheres: a infecção urinária. O problema pode ocorrer em qualquer parte do sistema urinário, ser recorrente ou não, complicada ou sem perigo, dependendo do organismo de cada um.

O incômodo pode ocorrer desde a uretra até os rins, passando pela bexiga e pelos testículos e próstata, no caso dos homens. O urologista do Hospital Sírio-Libanês, Dr. Flavio Trigo, comenta que a infecção normalmente começa de baixo para cima, na uretra e na bexiga, mais comumente chamada de cistite. Se acometer os rins (infecção alta), passa a se chamar pielonefrite, um quadro mais grave da patologia.

De acordo com o urologista do Hospital 9 de Julho, Dr. Flávio Arêas, a infecção urinária é uma resposta inflamatória na via urinária que pode ser causada por agentes microbianos (bactérias, vírus, fungos ou outros parasitas). O problema acontece principalmente devido a um desequilíbrio entre os mecanismos de defesa do hospedeiro e os fatores de virulência (agressividade) dos agentes microbianos.

“As infecções urinárias têm início com a colonização do meato uretral por uropatógenos da flora fecal, seguida de ascensão pela uretra até atingir a bexiga. Elas acontecem quando há ‘invasão’ do trato urinário por microrganismos que ascenderam via uretra (na maior parte das vezes) e o sistema imunológico foi insuficiente para lidar com o agente (pela virulência, tamanho do inóculo, entre outros)”, completa a infectologista do Hospital Santa Catarina, Dra. Glaucia Varkulja.

Sintomas como dor e/ou ardor para urinar, peso na bexiga, sensação de urgência e/ou dificuldade para urinar e micções frequentes com pouco volume estão mais associados às cistites. Já quadros mais sistêmicos, com febre, bacteremias, calafrios, dores nas costas, por vezes náuseas e vômitos, podem acompanhar quadros de infecção do trato urinário alto.

Maiores incidências

Segundo o Dr. Trigo, o problema das mulheres é anatômico. Como elas possuem a uretra mais curta, é mais fácil a bactéria entrar na bexiga em comparação com o corpo masculino. Outro impulsionador é o fato de a vagina e o ânus estarem mais próximos, favorecendo essas contaminações.

“Crianças do sexo masculino, nos primeiros dois a três meses de vida, apresentam maior suscetibilidade às infecções. Após este período, o sexo feminino é bem mais acometido, principalmente após a puberdade e o início da vida sexual. As mulheres adultas têm pelo menos 50% de chance de ter uma infecção urinária durante a vida”, explica o Dr. Arêas.

Com o avançar da idade, aumentam as chances de infecção do trato urinário nos dois grupos: nos homens por doença prostática (impactos no fluxo de urina) e nas mulheres pela menopausa (redução de estrogênio com impacto na flora vaginal inóspita a bactérias hostis).

A Dra. Glaucia cita ainda outros grupos que podem ser considerados de risco: pacientes com anormalidades dos rins e do trato urinário; com obstrução urinária, seja por fatores anatômicos, neurológicos ou funcionais; recém-nascidos pré-termos (pela prematuridade – impacto na resposta imunológica e também por necessidade de procedimentos invasivos que aumentam o risco).

Além disso, grávidas sofrem alterações fisiológicas e anatomofuncionais e apresentam, em média, 5% a mais de chance de ter uma infecção urinária. A população geriátrica (maior de 60 anos de idade) também pode ser mais acometida devido a alterações anatômicas e funcionais, incontinência urinária e coexistência de outras doenças.

Contra a dor

A prevenção é o melhor caminho para que o paciente não sofra. Um dos hábitos mais importantes é o de beber bastante água, para lavar a uretra. O ideal é que a pessoa urine ao menos quatro vezes ao dia com um bom volume (urina clara e límpida).

“Para prevenir a infecção, é necessário diminuir a quantidade de bactérias na região: ter uma boa higiene íntima, beber bastante água e o intestino tem que funcionar bem todo dia. Como a bactéria mais comum está presente no intestino de todos, ir ao banheiro com uma boa frequência faz com que ela seja ‘jogada fora’. Tanto a constipação quanto o quadro diarreico podem piorar o problema”, comenta o urologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, Dr. Cesar Nardy Zillo.

Segundo ele, não é indicado o uso de absorventes diários, para que a região íntima possa “respirar”. Ter uma boa higiene íntima antes de relações sexuais, ter lubrificação (para não causar microtraumas na uretra) e urinar após a relação também são maneiras de prevenir a doença.

Antibiótico em ação

Como a maior parte dos pacientes é acometida por bactérias, o tratamento deve ser feito com antibióticos. Eles agem, basicamente, de cinco maneiras:

  • Inibindo a duplicação do cromossomo (a célula não se reproduz);
  • Inibindo a atuação de enzimas que produzem substâncias essenciais ao organismo;
  • Causando danos à membrana plasmática (lise da célula);
  • Inibindo a síntese de proteínas;
  • Inibindo a síntese da parede celular.

Fonte: urologista do Hospital 9 de Julho, Dr. Flávio Arêas

Tão importante quanto é o cuidado do sistema imune. O urologista do Hospital 9 de Julho diz que, principalmente durante períodos no qual o corpo ou a mente forem mais exigidos, é essencial ter uma alimentação saudável, dormir bem e, se preciso, usar suplementos vitamínicos como vitamina C e cranberry.

“O uso de antibiótico profilático pode ser necessário em algumas situações, assim como a correção das anormalidades detectadas no trato urinário. O paciente deve sempre buscar orientação médica quando houver sintomas”, ressalta a infectologista do Hospital Santa Catarina.

A busca por um médico não é à toa. O tratamento da infecção urinária deve ser feito com antibióticos, que só podem ser prescritos por especialistas. Em primeiro lugar, é feito um exame de urina com urocultura e antibiograma. Dessa forma, é possível identificar o agente causador e, então, escolher o melhor medicamento.

Nos casos de cistite e naqueles não tão graves, o tratamento é feito com antibióticos durante três dias ou com dose única, explica o Dr. Zillo. Porém, no caso de infecções mais graves, como as que acometem os rins, o tratamento pode durar até 14 dias.

“Alguns exames específicos ajudam a investigar a causa da doença, principalmente quando ela é recorrente. É importante que a bacteriúria assintomática (presença de bactérias na urina, porém sem sintomas) não seja tratada, salvo em situações bem específicas, como na gestação, em pacientes que serão submetidos à manipulação do trato urinário e em alguns poucos quadros de imunossupressão”, alerta a Dra. Glaucia.

A orientação do tratamento é primordial. Se a infecção urinária não for tratada corretamente, pode tornar-se recorrente ou de repetição, causando transtornos à vida profissional, emocional e sexual do paciente. Além disso, principalmente em infecções do trato alto, a doença pode ganhar mais facilmente a corrente sanguínea, levando à bacteremia e sepse urinária, podendo causar consequências sérias.

Foto: Shutterstock

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