
Com base em dados de mercado da IQVIA, o Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma) simulou os cálculos do governo e chegou ao aumento médio de 2,46%.
Para o cálculo do reajuste de medicamentos são usados diferentes fatores, além do IPCA. São eles: a produtividade do setor farmacêutico, os preços relativos intrassetor e os preços relativos entre setores. A conta é feita pelo Conselho de Ministros da CMED, formado por uma equipe interministerial, liderada pelo Ministério da Saúde (MS).
Considerando os níveis de competitividade das diferentes classes de medicamentos, nem todos os produtos recebem o mesmo percentual de aumento. Neste ano, o reajuste máximo, destinado às categorias onde há forte concorrência, deve ficar em 2,84%, segundo o Sindusfarma. Em seguida, para os medicamentos com média concentração de apresentações, o percentual de aumento será de 2,47% e, por fim, onde há competitividade quase nula, o índice será de 2,09%.
Mais uma vez, os percentuais desagradaram as entidades representantes da indústria. “Temos tido um aumento de custo, com energia, mão de obra, embalagem e, além disto, um forte impacto cambial nos últimos anos. Isso não chega ao preço final. Os preços têm ficado abaixo do necessário desde 2003, com exceção de 2015, em que o reajuste ficou 2% acima da inflação. Para o nível de menor concorrência, isso significa uma diferença acumulada de 60% entre o aumento de custo e reajuste de preço”, destaca o diretor da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), Pedro Bernardo.
Dicas para não ter prejuízos com o reajuste de preços dos medicamentos• Acompanhar com frequência a publicação das listas para conseguir aplicar o reajuste o quanto antes; • Manter o software atualizado. Se possível, antecipar-se em conhecer como a ferramenta executa essa atualização; • Manter o estoque bem controlado e administrado. Isso melhora a assertividade em eventuais decisões de antecipação de compras; • Após a atualização de preços, é importante revisar os parâmetros tributários para evitar penalidades legais e/ou pagamento indevido de impostos. |
Fazendo coro à insatisfação da indústria, o presidente executivo do Sindusfarma, Nelson Mussolini, tem opinião semelhante: “Se pegarmos a evolução histórica, estamos muito abaixo de todos os índices oficiais. Isso reflete na rentabilidade das empresas. Quando isso ocorre, há uma necessidade de revisão dos custos internos. É preciso trabalhar com uma linha de menos investimentos, principalmente em inovação, pesquisa e desenvolvimento, o que nunca é interessante para o setor, pensando a longo prazo”.
Além de discordar dos percentuais de reajuste autorizados pelo governo, há também, por parte da indústria, um questionamento quanto à necessidade de se ter uma política de regulação dos preços dos medicamentos. “Para determinados produtos, que ainda têm uma proteção de patente e uma baixa concorrência, a regulação de preços é uma necessidade. Agora, é absurdo pegar medicamentos para hipertensão, por exemplo, que têm mais de 36 cópias no mercado e uma infinidade de possibilidades de tratamento com princípios ativos diferentes, e determinar o preço. É atrapalhar e burocratizar um sistema”, afirma Mussolini.
Rever essa política regulatória significar mexer nas estruturas da Cmed e requer muita discussão sobre o tema. No entanto, o Sindusfarma acredita que há uma saída mais rápida e mais simples para amenizar o histórico de perdas da indústria: a redução da carga tributária sobre os medicamentos, que hoje representa, em média, 33% do preço final. “Se cortássemos isso pela metade, criaríamos uma situação ganha-ganha”, garante Mussolini.
De acordo com o executivo, ao reduzir o peso da tributação e, por consequência, o preço dos medicamentos, a população teria mais acesso a tratamentos de saúde. Logo, o governo se beneficiaria com diminuição na incidência de internação e nos custos fixos que se têm com doenças crônicas. Por fim, indústria e varejo ganhariam porque aumentariam o volume de vendas. “Não é uma ação complicada por parte dos estados. Está mais do que demonstrado que uma redução tributária amplia a arrecadação, porque leva ao aumento do consumo”, pontua Mussolini.
Para o varejo
Historicamente, a indústria registra aumento de vendas nos meses de fevereiro e março. Isso ocorre porque distribuidores atacadistas e varejo tentam reforçar o estoque de medicamentos antes que a nova lista de preços entre em vigor todo mês de abril. Ainda que neste ano o reajuste médio seja de menos de 2,5%, traçar estratégias para fazer com que esse aumento seja repassado o mais tarde possível ao consumidor, é essencial, uma vez que, dentro do varejo farmacêutico, o preço é fator decisivo.
De acordo com a pesquisa Análise do perfil de compra dos consumidores de medicamentos, realizada pelo Instituto Febrafar de Pesquisa e Educação Continuada (IFEPEC), apenas 24% dos clientes de uma farmácia deixam a loja exatamente com o que foram comprar. O estudo revela que 31% modificam parte da compra e 45% trocam os medicamentos por vontade própria ou por indicação dos farmacêuticos. E o mais relevante é: em 97% dos casos, a troca de medicamentos é feita por uma opção de menor preço.
Diante dessa realidade, o diretor do segmento de farmácias da Linx, empresa de soluções em software de gestão, Rogério Vieira, acredita que a tática de antecipar a compra de produtos a fim de garantir o preço antigo pode ser um negócio rentável em determinadas situações. Antes de tomar essa decisão, o varejista deve levar em conta alguns aspectos, como a demanda de venda do produto, tempo médio de giro do estoque e o percentual de ganho em relação ao preço de compra entre o valor antigo e o novo valor. “Em várias situações, esse ganho na margem é muito mais vantajoso do que manter o capital parado ou em investimentos pouco rentáveis. Por isso, é importante que a farmácia faça uma boa gestão do seu negócio”, orienta Vieira.
Com o nível de concorrência do varejo farmacêutico no Brasil, boa gestão só pode ser alcançada com profissionalização e o uso de softwares criados especialmente para o setor. Com o sistema adequado, é possível fazer a apuração correta dos estoques disponíveis e, consequentemente, o cálculo da demanda de venda projetada para um período futuro. “Isso garante que a farmácia possa realizar uma antecipação de compras com a certeza de que o produto vai gerar vendas dentro do prazo de vencimento. Dessa forma, perdas são evitadas e o ganho financeiro é garantido na margem de venda”, conta Vieira.
Além disso, os softwares voltados para o varejo farma são capazes de atualizar a precificação correta do produto, de acordo com os percentuais de reajuste. Com base em informações previamente publicadas e disponibilizadas por empresas especializadas na divulgação de preços, os sistemas aplicam os novos preços. As listas com os novos valores podem ser obtidas em formato eletrônico, o que permite fácil processamento e a readequação de preços sem esforço operacional. “Além disso, é possível obter uma gestão tributária, com a correta apuração dos impostos com base nos benefícios legais que cada categoria de medicamento proporciona, evitando tributação excessiva e reduzindo riscos”, ressalta.
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