fbpx

Repelentes: o campeão de vendas no verão

O aumento da incidência de mosquitos em dias quentes é o impulsionador do desempenho

Não é coincidência que aumentem as preocupações com os mosquitos no verão. O aumento das chuvas combinado com a alta temperatura é perfeito para a proliferação dos insetos que não só incomodam, mas podem transmitir diferentes doenças. A prevenção, além de certos cuidados no dia a dia, passa pelo uso de repelentes.

O período crítico da incidência dos mosquitos acontece entre novembro e abril e a venda dos produtos segue a mesma periodicidade. Com a epidemia das doenças, o número de pessoas que passou a comprar repelente aumentou consideravelmente. Do total de famílias que adquiriram o item em 2016, 75% não haviam feito a mesma compra dois anos antes.

“O efeito dos repelentes se dá pelo ‘efeito de nuvem’, ou seja, após a aplicação, o produto evapora e forma uma ‘nuvem’ em volta da pele que repele o inseto. Para que isso ocorra, a fórmula deve ser desenvolvida com os balanceamentos corretos”, comenta a supervisora técnica de Pesquisa & Desenvolvimento da Baruel, Andrea Gutierrez.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprova três diferentes formulações de repelentes. São eles:

• DEET (N,N-dietil-meta-toluamida): criado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos para que o exército o usasse, é um líquido praticamente incolor com um odor característico. É o tipo de repelente mais comum do mercado.

• Icaridina (Picaridina): é um princípio ativo derivado da pimenta. Líquido inodoro, incolor e não gorduroso.

• IR3535: baseado em uma substância natural denominada beta-alanina, é o ativo menos tóxico entre os três tipos apresentados.

É importante frisar que os inseticidas “naturais” à base de citronela, andiroba, óleo de cravo, entre outros, não possuem comprovação de eficácia nem a aprovação da Agência até o momento. Entre os três componentes do mercado, a orientação deve ser feita de acordo com o perfil e uso de cada consumidor.

Segundo a gerente de tecnologia de aplicação para América Latina na Merck SA, Silvana Nakayama, um repelente de alta performance só deve ser usado em situações específicas – como ao praticar esporte a céu aberto –, mas não no dia a dia. Isso porque as altas concentrações de ativos podem ser tóxicas se usadas diariamente.

“Para as grávidas, as moléculas não afetam diretamente o bebê, pois não atravessam a placenta. Porém, se a gestante não prestar atenção nos efeitos adversos do repelente, isto pode prejudicá-la e, indiretamente, o bebê”, explica ela. Nesse caso, por ser um ativo natural, o IR3535 é o mais indicado, assim como para as crianças, que estão liberadas após os seis meses de idade, enquanto os produtos à base de Icaridina e DEET são indicados após os dois anos de idade.

A diretora do Non Repelente, Gisely Farias, frisa que o IR3535 é o ativo mais seguro por não causar irritabilidade dérmica, não ocasionar sensibilização cutânea nem produzir ou induzir a toxicidade ou fotossensibilidade. Como contraponto, por ser um ativo de origem vegetal derivado da pimenta, a Icaridina é uma das mais eficazes contra o mosquito Aedes aegypti, de acordo com a executiva da Baruel.

Orientação correta

Além da escolha do ativo correto, o consumidor deve saber como usar o repelente adequadamente. Segundo OFF®, os repelentes devem ser aplicados somente na pele exposta e acima da roupa – nunca debaixo dela. Caso haja o uso de maquiagem ou protetor solar, o repelente deve ser o último produto utilizado.

É essencial evitar o contato com os olhos, lábios e orelhas, além de cortes, feridas ou pele irritada. Para usar o repelente no rosto, é preciso aplicá-lo primeiro nas mãos e, em seguida, distribuí-lo sobre o rosto e pescoço.

De acordo com o infectologista e atual presidente da Associação Brasileira de Dengue e Arboviroses, Dr. Arthur Timerman, como o repelente funciona pelo odor exalado, é importante que não haja o uso de perfumes, que podem prejudicar a eficácia. O produto deve, também, ser reaplicado a cada quatro horas, aproximadamente.

“Para uso em grávidas, a recomendação é consultar o médico de confiança da consumidora, ainda que a segurança seja ressaltada por conta da sua baixa absorção no organismo. Não há contraindicações, mas recomendamos ao consumidor a atenção à rotulagem. No caso de amamentação, um médico também deve ser consultado”, diz Andrea.

As apresentações disponíveis no mercado também podem confundir o consumidor. Apesar de loções, cremes, sprays, géis e aerossóis terem a mesma eficácia, cada pessoa se sente confortável com o uso de um deles. Além disso, os produtos podem conter essência ou não. São elas que mascaram o odor característico de certas formulações de repelente, que podem incomodar quem o utiliza.

Segundo OFF®, os formatos devem ser escolhidos conforme a preferência do usuário. Alguns podem preferir cremes, outros preferem as pulverizações e aerossóis, dependendo da aplicação mais rápida e da conveniência. Já o tempo de eficácia depende diretamente da concentração do ingrediente ativo e da combinação de ingredientes ativos e inertes do produto.

Não somente a orientação correta é o suficiente para que o consumidor compre o repelente. A exposição certa, principalmente nos meses de maiores vendas, é essencial para lembrar o shopper sobre o produto e aumentar o tíquete médio da sua cesta de compras.

De acordo com a head of marketing & trade da ISDIN Brasil, Carolina Lapetina, os repelentes devem ser trabalhados em suas categorias e possuir dupla exposição e materiais de ponto de venda (PDV) durante o verão, por exemplo, junto com o protetor, também considerado sazonal.

“O verão é o período de sazonalidade das vendas de repelentes. Por conta disso, eles devem ser expostos com maior destaque. Os pontos extras devem ser principalmente checkout, pontas de gôndola e cross category. Dessa forma, o consumidor tem mais chance de levar o produto, que não é um item destino nas farmácias e nem sempre faz parte da sua lista de compras”, finaliza ela.

Foto: Shutterstock

Protagonistas do consumo

Edição 303 - 2018-02-01 Protagonistas do consumo

Essa matéria faz parte da Edição 303 da Revista Guia da Farmácia.