Saúde da Mulher: Recorrentes e incômodos

Candidíase e secura vaginal são problemas que fazem parte da vida de muitas mulheres. Alguns cuidados e tratamentos adequados são fundamentais para preservar a saúde íntima desse público

Cuidar do aparelho genital feminino é tão importante quanto cuidar da saúde do corpo como um todo. E segundo médicos ginecologistas, entre os problemas mais frequentes e recorrentes em mulheres em idade fértil, estão os corrimentos vaginais, como a candidíase, vaginose, infecções do trato urinário, miomas, endometriose, infecção pelo vírus HPV e Síndrome dos Ovários Policísticos.

Já em mulheres na menopausa, secura vaginal, prurido vaginal e infecções urinárias estão entre as maiores queixas. “As mulheres que fazem uso de antibióticos, contraceptivos orais, sofrem de diabetes, possuem dieta rica em carboidratos ou usam roupas muito justas têm mais facilidade para ter candidíase. O uso excessivo de absorventes e protetores diários também dificulta a ventilação da região íntima da mulher e, igualmente, predispõe ao aparecimento do fungo”, comenta a ginecologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, Dra. Carolina Cunha, reforçando que a candidíase é uma das maiores causas de corrimento vaginal.

“Três em cada quatro mulheres irão ter algum episódio de candidíase durante a vida. O fungo Candida albicans é responsável por cerca de 90% dos casos”, conta.

Outro ponto de alerta é que a candidíase pode acontecer em qualquer lugar do corpo, como boca, esôfago, mamas e na vagina – a candidíase vaginal. “Esse fungo já existe na flora vaginal e, normalmente, vive em simbiose (associação, harmonia) com outros microrganismos que habitam a vagina. Ao surgir qualquer distúrbio, desde uma alteração de pH vaginal ou da flora intestinal, até uma queda da imunidade da paciente, esse fungo se prolifera e surgem sintomas, como coceira, ardência e um corrimento parecido com leite coalhado (que pode ter mais ou menos volume e cores, como branco, amarelado ou até verde, mas não tem cheiro)”, diz a ginecologista, obstetra e mastologista, membro do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, Dra. Mariana Rosário.

Ela adverte para um detalhe importante: a candidíase é um problema comum, mas, quando se repete, deve ser investigada a causa, que pode ter origem em desequilíbrio da flora intestinal.

“Os microrganismos intestinais, quando em desequilíbrio, podem migrar para a vagina, causando problemas na microbiota vaginal e, assim, surge a candidíase de repetição. É preciso tratar o intestino com pré/pró/pós-bióticos (dependendo de cada caso) para que o problema da candidíase de repetição suma”, conta.

Ainda sobre os principais sintomas da candidíase destacam-se: irritação, ardência, vermelhidão e uma coceira intensa na região de fora da vagina, a vulva. “Caso a paciente coce bastante, também podem ser percebidos pequenos cortes e dor para urinar, quando a urina passa por eles”, complementa a Dra. Carolina.

Como a candidíase pode ser produzida por hábitos de higiene e postura, para prevenir e tratar o problema, é importante ter bons hábitos de vida, incluindo a prática regular de atividade física, atividade redutora de estresse, como um hobby ou meditação, evitar os alimentos refinados na dieta e ter boa qualidade de sono.

“Dormir com área íntima descoberta, lavar-se após as evacuações e após receber sexo oral, usar roupas leves e não adotar absorventes diários, reduzem a chance de desenvolver os sintomas por Candida”, comenta a ginecologista e membro de Doctoralia, Dra. Aline Ambrósio.

Sensação de desconforto

A secura vaginal é muito comum em mulheres que entraram ou estão entrando na menopausa. Trata-se de uma sensação de desconforto que pode ou não estar associada ao ardor e à coceira.

“É bem comum na fase que antecede a menopausa e na própria menopausa, impactando de maneira importante a vida da mulher. Alguns produtos de higiene íntima, como sabonete e lenço umedecido, também podem levar ao desencadeamento de alergia e sensação de secura na vagina”, diz a Dra. Carolina.

A secura vaginal acontece quando há uma diminuição da lubrificação da vagina, sendo também comum no pós-parto, durante a amamentação e na menopausa. “Porém, também pode ser causada pelo uso de anticoncepcionais, de produtos de higiene genital inadequados e de medicamentos, como antidepressivos, ou em casos de quimioterapia e radioterapia pélvica”, diz a ginecologista do Hospital Santa Catarina, Dra. Liliane Sato.

Segundo ela, para o tratamento da secura vaginal, primeiro é preciso entender a causa. “Se for devido a uso de medicamentos, avaliar a suspensão ou troca. Nas pacientes puérperas e lactantes, podemos aguardar ou tratar se os sintomas forem muito importantes. O tratamento pode consistir em uso de medicamentos locais ou estimulando colágeno com laser, ou radiofrequência. Os mesmos tratamentos podem ser realizados para pacientes pós-quimioterapia, pós-radioterapia e menopausadas. E para essas, também incluímos a possibilidade do uso de terapia hormonal”, enumera.

O problema está ligado com a baixa do hormônio estrogênio ou até com estados psicológicos abalados.

Segundo a Dra. Mariana, na menopausa, devido ao ressecamento da pele da parede interna da vagina pela falta de lubrificação natural diminuída (pela falta do hormônio estrogênio), a mulher pode sentir dor durante a relação sexual e até sofrer pequenas fissuras na pele, além de infecções urinárias que também podem surgir mais vezes, assim como o encurtamento do canal urinário.

“A terapia a laser de CO2 fracionado é indicada por ser ainda menos invasiva que a terapia tradicional de reposição hormonal e promove a renovação das células epiteliais”, comenta.

A secura vaginal também pode surgir em outros momentos da vida, como em tratamentos para o câncer, algumas terapias hormonais (como a pílula anticoncepcional), na amamentação e em casos de remoção dos ovários.

A Dra. Carolina reforça que o tratamento é sempre direcionado para a causa do problema. Casos que estão relacionados à transição para a menopausa se beneficiam de reposição de hormônio apenas na região genital (tópica), por exemplo. “O uso de hidratantes e lubrificantes vaginais também pode ser útil”, comenta.

Higiene íntima no PDV

O mercado de higiene íntima abrange desde fraldas (para bebês e geriátricas), lenços umedecidos, sabonetes íntimos, até absorventes. Esses produtos, por serem de cunho de utilização pessoal, têm aderência em farmácias onde a compra também tende a ser mais individualizada, diferentemente do varejo alimentar, por exemplo.

“Caso o consumidor tenha dúvida sobre adequação ou utilização de um determinado produto, a farmácia tem estrutura para atendê-lo e auxiliá-lo no processo de compra”, comenta a consultora de varejo da AGR Consultores, Alethea Alves.

Segundo ela, outro ponto a se considerar é que, com o advento da pandemia, o comportamento de autocuidado foi intensificado e isso se reflete na categoria.

“As categorias de sabonetes íntimos e lenços umedecidos representam uma fatia em valor bastante interessante e estão em tendência de crescimento. No Brasil, segundo dados da Euromonitor, esses itens movimentaram R$ 340,6 milhões em 2020. Globalmente, a previsão é de alcançar US$ 2,38 bilhões até 2025, o que representa um crescimento de 9,4% no período”, diz.

Para potencializar as vendas da categoria nas farmácias e drogarias, Alethea aconselha que a loja precisa pensar na jornada do consumidor no ponto de venda (PDV) e, a partir daí, desenhar as seções e o sortimento.

“Se o estabelecimento se encontra, por exemplo, em uma vizinhança jovem, é interessante dar destaques aos absorventes, lenços umedecidos e sabonetes íntimos, posicionando-os próximos ao segmento de cuidados com o corpo e cabelos. Numa vizinhança mais madura, há a oportunidade de exposição de lenços, fraldas geriátricas e lenços umedecidos numa posição mais próxima do balcão de medicamentos”, indica.

Fonte: Guia da Farmácia
Foto: Shutterstock

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Mercado Aquecido

Edição 353 - 2022-04-19 Mercado Aquecido

Essa matéria faz parte da Edição 353 da Revista Guia da Farmácia.