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Saúde ocular: De olho na prevenção

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Só no Brasil, 50 milhões de pessoas sofrem com algum tipo de distúrbio de visão, e 60% dos casos de cegueira e deficiência visual poderiam ser evitados caso o indivíduo tivessem uma saúde ocular a tempo, segundo dados mais recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Entretanto, boa parte desses quadros poderia ser revertida com a adoção de alguns hábitos simples, como a higiene nos olhos, que é uma das formas mais eficientes de manter a saúde desses órgãos tão sensíveis, mas que estão sempre expostos ao contato natural, físico ou cosmético.

Além disso, aliada aos cuidados diários está a ida periódica ao oftalmologista, que poderia melhorar a qualidade de vida de milhares de brasileiros. Em função disto, a revista Guia da Farmácia ouviu alguns especialistas no assunto, que trouxeram dicas capazes de prevenir e evitar outros problemas de visão. Confira!

1. Maquiagens

Sem dúvidas, as maquiagens incorporaram a rotina de cuidados das brasileiras e, com o uso mais frequente das máscaras de proteção contra a Covid-19, que deixam apenas os olhos em evidência, eles se tornaram foco para quem deseja dar destaque no visual.

Entretanto, o uso desses produtos muito próximos às margens palpebrais pode contaminar a lágrima, levando a um ressecamento mais rápido e frequente irritação.

“Caso se tenha blefarite (inflamação ou infecção nas pálpebras), deve-se evitar maquiagens. Pessoas que têm sudorese intensa ou alergia a esses produtos, mesmo sem o contato direto no olho, podem sofrer por quadros de conjuntivite”, adverte o chefe do Serviço de Córnea do Hospital CEMA, em São Paulo (SP), Dr. Luiz Antonio Vieira.

DICAs DO GUI:
Vitaminas para os olhos: quais são e como elas atuam?

Ômega-3: tem propriedades anti-inflamatórias que podem desempenhar um papel na prevenção da retinopatia diabética. Também pode beneficiar indivíduos com doença do olho seco, melhorando a produção da lágrima.

Zinco: é uma das principais substâncias do olho, agindo nos neurotransmissores da retina.

Luteína e a zeaxantina: fazem parte da família dos carotenoides e podem impedir ou retardar a progressão da Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI).

Vitamina A: desempenha um papel crucial na visão. Esta deficiência, quando não tratada, pode levar à cegueira noturna.

Vitamina E: é um potente antioxidante que ajuda a proteger as células dos olhos dos danos causados pelos radicais livres, podendo ajudar a prevenir cataratas.

Vitamina C: entre outras funções, pode ajudar a diminuir o risco de desenvolver catarata, pois atua na manutenção da transparência do cristalino.

Vitaminas B6, B9 e B12: podem diminuir os níveis de homocisteína, uma proteína no corpo que pode estar associada à inflamação e a um risco aumentado de desenvolver a DMRI.

Riboflavina ou vitamina B2: atua como antioxidante com o potencial de reduzir o estresse oxidativo no corpo, inclusive nos olhos. O uso da riboflavina pode prevenir a catarata e ceratocone.

Niacina ou vitamina B3: tem efeito antioxidante. A vitamina pode desempenhar um papel complementar na prevenção do glaucoma.

Fontes: oftalmologistas do Hospital CEMA, em São Paulo (SP), Dr. Luiz Antonio Vieira e da Rede D’Or São Luiz, em São Paulo (SP), Dr. Thales Antonio Abra de Paula

Para evitar esses problemas, a remoção de maquiagem deve seguir uma sequência correta. Após tirar o excesso, aplica-se o demaquilante, que é um dermocosmético específico para não irritar ou agredir a pele.
O próximo passo é limpar o rosto com produtos específicos para cada tipo de pele e sabonete neutro na região dos olhos, ensina o oftalmologista da Rede D’Or São Luiz, em São Paulo (SP), Dr. Thales Antonio Abra de Paula.

2. Lentes de contato

O maior problema com o uso das lentes de contato é a falta de higiene, que pode ocasionar infecções graves e até cegueira. “Nunca use água de torneira para higiene”, alerta o chefe do Serviço de Córnea do Hospital CEMA.

Quem utiliza lentes precisa seguir rigorosamente uma rotina de cuidados. “O período de troca não deve exceder o indicado pelo fabricante, porém em alguns casos, o médico oftalmologista pode indicar a troca num período inferior ao indicado pelo produto”, orienta o Dr. Abra de Paula.

Antes de manusear as lentes, deve-se lavar bem as mãos com água e sabão e enxugar com toalha de papel que não solte resíduos. O estojo, que precisa ser trocado a cada três meses, deve ser higienizado semanalmente com solução multiação.

Além disso, deve-se ter cuidado com sinais de alerta, como dor ocular, vermelhidão, visão borrada, secreção ocular e visão de halos ao redor das luzes.

3. Olho seco

Diminuição na produção da lágrima ou uma evaporação rápida da mesma são as principais causas do olho seco. E a origem desses problemas pode se dar por diversos fatores. Entre eles, doenças sistêmicas, como o reumatismo; inflamação de algumas glândulas das pálpebras; poluição em excesso; ambientes secos; locais com ar-condicionado; e ambientes com vento, pó e poeira.

“Outro fator importante que contribui é o tempo de tela (computador, tablet ou celular), pois os olhos, em geral, piscam menos quando estamos nestes dispositivos. O uso de óculos de sol com proteção ultravioleta (UV) em ambientes externos é muito importante para proteção. Pausas ou descansos no uso de tela ao longo do dia também podem melhorar o quadro”, diz o oftalmologista da Rede D’Or São Luiz, acrescentando que o tratamento é feito por meio do uso de colírios lubrificantes, com ou sem conservante, dependendo da indicação.

4. Diabetes

Os pacientes diabéticos devem fazer, no mínimo, uma consulta anual com o oftalmologista para realizar exames de rotina, incluindo o mapeamento de retina. Muitas vezes, o paciente descobre que o controle glicêmico está inadequado, pois a refração (“grau dos óculos”) muda rapidamente. Nesses casos, é indispensável o controle glicêmico antes de prescrever os novos óculos, pois muitas vezes a alteração na graduação dos óculos é transitória e volta ao normal somente com o controle do diabetes, detalha o Dr. Abra de Paula.

“O paciente diabético descontrolado tem maior risco de surgimento ou progressão mais rápida da catarata. O mapeamento de retina ou fundo do olho faz o diagnóstico de retinopatia diabética que, se não for controlada, pode causar alterações visuais irreversíveis”, alerta.

Fonte: Guia da Farmácia
Foto: Shutterstock

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