
A Siemens Healthineers está no mercado nacional há quase uma década, sendo resultado da fusão dos braços de três grandes empresas na área da saúde: Bayer, Dade Behring e DPC.
Todo esse know how acumulado de grandes corporações fez com que esta divisão da Siemens se tornasse um dos maiores conglomerados de produtos para diagnósticos in vitro do País. Além disso, as perspectivas de crescimento são promissoras, especialmente diante das necessidades impostas pela pandemia por diagnósticos rápidos e de qualidade.
Aliás, foi diante da Covid-19 que a Siemens Healthineers expandiu as fronteiras hospitalares para entrar como fornecedora de soluções para o canal farma, com testes rápidos para a doença.
Em entrevista exclusiva para o Guia da Farmácia, o Head da Linha de Negócios de Point Of Care, desta divisão na companhia, Oswaldo Azevedo, conta um pouco como a Siemens Healthineers entrou nesse mercado e projeções futuras.
Azevedo, que também é farmacêutico, vê a Assistência Farmacêutica como o futuro para o setor. “Sempre ouvi falar do consultório de Assistência Farmacêutica e quero muito que seja uma realidade no País inteiro. Penso que a pandemia acelerou esse processo. O fato de pensarmos como a farmácia pode ajudar a cadeia de saúde indo além da simples dispensação de medicamentos. Agora, o foco são orientação, testes de monitoramento e cuidado ao paciente”, diz.
Acompanhe, a seguir, os principais momentos deste bate-papo.
Guia da Farmácia • Há quantos anos a Siemens Healthineers está no mercado nacional? Quais os principais braços de negócios da companhia?
Oswaldo Azevedo • A Siemens Healthineers, braço de saúde da Siemens LTDA, foi fundada em 2012, com a junção de três grandes empresas de diagnóstico in vitro: Bayer, Dade Behring e DPC.
Na junção, formou-se um dos maiores conglomerados de produtos para diagnósticos in vitro do mercado nacional, e a única empresa do mercado da saúde que possui no seu portfólio equipamentos in vivo (equipamentos de imagem) e in vitro (equipamentos que usam amostras de sangue, urina…).
Na parte de in vitro, que nós chamamos de DX (Diagnostics), temos outras duas divisões: Laboratory Diagnostics (LD) e Point Of Care (POC).
POC (ponto de cuidado em tradução livre) é uma unidade de negócios que foca no paciente e nas respostas rápidas para os médicos. Para nós, POC é basicamente o laboratório remoto, próximo ao paciente, e com resultados diagnósticos. Para isso, temos equipamentos bem menores em comparação aos que estão dentro do laboratório, porém, com a mesma eficiência diagnóstica.
Entre estes equipamentos, por exemplo, temos o DCA Vantage, que é um equipamento de hemoglobina glicada usada em ambulatórios, consultórios e cremos que, muito em breve, em farmácias também. Além disso, temos os testes rápidos de antígeno para Covid-19 com coleta nasal (a mais confortável do mercado e mais sensível do mercado).
Guia • Neste período em que estamos no País, quais as maiores forças acumuladas pela companhia na área da saúde?
Azevedo • Com certeza, o poder do portfólio que nós temos. Atendemos a todos de ponta a ponta. Falando apenas de POC, o fato de termos a mesma tecnologia dos grandes equipamentos de laboratório, nos garante a precisão e qualidade dos resultados sem a necessidade de exames confirmatórios. Além do rápido desenvolvimento dos testes de detecção de antígenos de Covid tanto para os equipamentos LD quanto para o nosso POC.
Guia • A Siemens possui fábrica no Brasil para a área da saúde? Se sim, onde está instalada, o que é produzido e qual a capacidade do espaço?
Azevedo • Temos uma fábrica para equipamentos de imagem. Também temos um enorme Centro de Distribuição (CD) em Joinville (SC), onde também está a fábrica. Somos uma das únicas empresas de diagnósticos in vitro com operação própria no CD e isso é muito interessante, pois torna nossos processos muito mais ágeis.
Guia • Recentemente, a empresa anunciou soluções voltadas para testes rápidos em farmácias, com foco na Covid-19. Qual a tecnologia empregada neste teste? Como ele funciona?
Azevedo • A tecnologia empregada é a imunocromatografica. Com uma coleta simples nasal (sem aquele desconforto de ter o swab introduzido até o fundo do nariz), a amostra é colocada em um tubo de ensaio descartável que foi previamente gotejado com a solução tampão para a extração. Após um minuto dessa extração, é colocada uma tampa nesse tubo para transferir essa amostra no cartucho/sabonete. Depois disso é só esperar a amostra correr, em menos de 15 minutos, o paciente/cliente saberá se está ou não infectado pelo SARS COV 2.
Nosso teste detecta todas as variantes, inclusive a Delta. Os testes de antígeno CLINITEST têm a maior sensibilidade para amostras nasais do mercado. Quando falamos em sensibilidade de um teste, estamos dizendo quanto o teste consegue detectar o que procura (no caso, o vírus). Além da facilidade para o coletador.
Existem muitos testes rápidos que não têm tanta sensibilidade quanto o nosso e estão sendo utilizados no mercado de farmácias e drogarias por todo o País. Importante ressaltar que, quanto menor a sensibilidade/especificidade, maior a chance de ter um resultado equivocado e o cliente/paciente efetivamente estar contaminado e o teste dar resultado diferente disso. Temos assim, um potencial difusor do vírus.
A Siemens Healthineers está pronta a ajudar o setor farmacêutico a saber essas diferenças técnicas entre os produtos.
Guia • A empresa pretende avançar e disponibilizar testes rápidos para outras patologias voltadas ao canal farma?
Azevedo • A Siemens Healthineers está em constante desenvolvimento de portfólio e sempre apresentamos novidades ao mercado.
Hoje, para o mercado farma, além do teste de antígeno para o Covid-19 CLINITEST, temos os testes de Anticorpos ON SITE test.
Temos também, o nosso equipamento de hemoglobina glicada DCA VANTAGE.
Guia • Na sua visão, qual a importância da farmácia também ser um centro de prestação de serviços, com a realização de testes e outras soluções em saúde? É uma oportunidade de crescimento?
Azevedo • Em alguns países da Europa e América do Norte, a Assistência Farmacêutica é extremamente desenvolvida. Em um país como o Brasil, que tem dimensões continentais, a Assistência Farmacêutica passa a ser fundamental no auxílio ao sistema médico de saúde. Mais que uma oportunidade de crescimento, é, sim, uma grande oportunidade de desenvolvimento.
Como farmacêuticos, somos formados e capacitados para oferecer saúde. E a farmácia antigamente sempre foi um ponto de apoio ao médico e dispensação de medicamentos Over The Counter (OTC).
Facilitar a cadeia de saúde no Brasil é quase um sacerdócio para quem é e trabalha na área.
Sempre ouvi falar do consultório de Assistência Farmacêutica e quero muito que seja uma realidade no País inteiro. Penso que a pandemia acelerou esse processo. O fato de pensarmos como a farmácia pode ajudar a cadeia de saúde indo além da simples dispensação de medicamentos. Agora, o foco são orientação, testes de monitoramento e cuidado ao paciente.
Guia • O teste de Covid da Siemens é adaptável apenas para grandes redes ou também é algo acessível para farmácias independentes?
Azevedo • Sim! Ele pode ser comercializado em qualquer farmácia independentemente do tamanho dela. O kit vem com tudo o que é necessário para fazer a coleta e interpretação do exame: swab, tubo de ensaio, tampa para gotejamento, cartucho do teste, estante de trabalho e tampão. É um teste muito simples de ser executado.
Oferecemos o kit de 20 testes e o treinamento para a execução do mesmo, mas também temos parceiros que podem oferecer o sistema de laudo, caso a farmácia não tenha.
Guia • Como os negócios da área da saúde da Siemens se transformaram diante da pandemia da Covid-19? Quais foram as principais adaptações para atender às novas demandas do setor?
Azevedo • Os produtos da divisão de saúde da Siemens Healthineers tiverem diversos impactos em demanda. Em um primeiro momento, para quem lida com testes críticos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), foi um caos.
A demanda se modificou demais ano passado e foi um tempo muito difícil para todos.
Também tivemos de adaptar muitos processos internos para conseguirmos disponibilizar os produtos de maneira mais rápida e eficiente aos nossos clientes. Detalhe, tudo isso feito remotamente e com time reduzido em nosso CD. Foi uma operação gigante! Mas tudo ocorreu tão certo que já nos habituamos a trabalhar nessa nova realidade.
Guia – Como foi o desempenho da Siemens Healthineers no último ano? Onde estiveram concentradas as principais apostas?
Azevedo • A Siemens Healthineers adaptou-se à nova realidade de forma muito rápida e eficiente, estamos presentes nas maiores redes hospitalares do Brasil e nos maiores laboratórios. A pandemia realmente modificou a forma e o volume de trabalho de todos.
Nossa grande aposta, hoje, é o plano de retomada ao normal das empresas e de eventos, viagens e turismo, etc., com isso, a testagem da Covid é fundamental. E mais! A continuidade e periodicidade dessas testagens. Assim, entendemos que os testes de antígeno rápido para Covid-19 ainda estarão por muito tempo no mercado.
Guia • Para a Siemens Healthineers, quais os principais legados deixados pela pandemia?
Azevedo • Resiliência. Entender que tudo vai passar, saber trocar a roda com o carro andando.
Nos negócios: precisamos ter os testes seguros e com qualidade cada vez mais perto dos pacientes, disponível em mais lugares. A Siemens Healthineers está pronta para ajudar na retomada dos trabalhos, aos escritórios, às fábricas, e nos embarques em aviões e ônibus de forma segura.
O cliente/paciente pode ir à farmácia e procurar pelo CLINITEST para voltar com segurança à sua rotina com a certeza da precisão de nossos resultados.
Fonte: Guia da Farmácia
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