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Tosse é um dos principais motivos das visitas ao médico

Guia da Farmácia Por Guia da Farmácia 12 de julho de 2018 Atualizado em: 16 de julho de 2018 Nenhum comentário 8 Minutos de leitura
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Ainda que a tosse seja um sintoma e não uma doença, ela é uma das principais causas de reclamações em consultórios médicos. Ela é, basicamente, um mecanismo de defesa do organismo para a remoção de corpo estranho das vias aéreas e está associada não somente a doenças infecciosas, mas também com alergias e quadros crônicos.

O som característico é devido à passagem de ar com velocidade pelas cordas vocais. A contração da musculatura do tórax e abdômen aumenta a compressão pulmonar, expulsando o ar rapidamente pelas vias aéreas superiores.

“A tosse é um sintoma de um processo patológico. Ocorre por diversas razões e em diferentes doenças, variando de um simples resfriado ou processo alérgico até quadros mais graves. Entre as principais, podem-se destacar: refluxo laringo-faríngeo, rinossinusite, doenças pulmonares, como asma, pneumonia, tuberculose ou tumores”, cita o otorrinolaringologista do Hospital CEMA, Dr. Marcelo Mello.

Mas para que o tratamento seja feito de maneira correta, é necessário perceber qual tipo de tosse acomete o paciente: seca ou produtiva. De acordo com o médico do Núcleo Científico do Aché, Dr. Mauro Luís de Mello Ferreira, quando seca, não existe eliminação de secreções e produtiva quando ocorre eliminação de catarro.

Investigação a fundo

Apesar de a tosse ser um sintoma comum a muitas doenças que não demandam uma procura por profissionais de saúde em um primeiro momento, como gripes e resfriados, ela também pode ser sinal de alerta.

Quando o paciente evolui em dias ou semanas com uma tosse cada vez mais incomodativa ou se ela começa seca e se torna produtiva, um médico deve ser consultado. O mesmo acontece se a secreção estiver escurecida, com sangue ou má cheirosa.

Entre os sintomas que acompanham a tosse e merecem atenção, estão febre, indisposição, dor no peito ou qualquer outro quadro que demonstre somente piora ao passar dos dias.

Fonte: pneumologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, Dr. José Rodrigues Pereira

“O catarro é uma mistura de muco, detritos e células expelidas pelos pulmões. Ele pode ser claro, amarelado, esverdeado ou apresentar estrias de sangue, dependendo da causa da tosse”, comenta ele. Mas apesar da diferença parecer fácil de ser percebida, nem sempre isto acontece.

O pneumologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, Dr. José Rodrigues Pereira, alerta que, muitas vezes, o paciente confunde ambas as tosses por não conseguir expelir a secreção. Quando isso acontece, é por meio do exame físico e conversando com o profissional de saúde que a tosse produtiva é descoberta.

“A tosse seca pode se manifestar após o contato com poeira, fumaça de cigarro, mudança de temperatura, sendo desencadeada por processo alérgico e relacionada aos quadros de asma e rinite. Nos casos de refluxo laringo-faríngeo, onde a inflamação da laringe é ocasionada pelo retorno do ácido do estômago, gera pigarro, rouquidão e sensação de bola na garganta ao engolir, estando ou não associada à azia e queimação”, explica o otorrinolaringologista do Hospital CEMA.

Já nos quadros infecciosos, além da congestão nasal, espirros e mal-estar, a resposta do organismo é o aumento da produção de muco e secreção na via respiratória. São exemplos de doenças que apresentam a tosse produtiva, a gripe, o resfriado e a sinusite. Na presença de febre alta com falta de ar, suspeita-se de pneumonia. Já na tuberculose, a tosse produtiva é persistente por mais de três semanas com escarros sanguinolentos, sudorese noturna e emagrecimento.

A tosse pode ser classificada, ainda, como aguda ou crônica. No primeiro caso, o problema dura até três semanas, enquanto quem tem tosse crônica sofre por mais de três semanas. Quando os problemas são gripes, resfriados ou infecções das vias aéreas superiores, ela geralmente é aguda.

O médico do Núcleo Médico Científico do Aché frisa que, em casos de hiper-reatividade brônquica, doenças de refluxo gastrintestinal ou gotejamento pós-nasal, a tosse tende a se tornar crônica. No caso da tosse estar presente há mais de três semanas sem um motivo aparente, um médico deve ser consultado.

“Os sinais de alerta para pessoas com tosse são falta de ar, expectoração com sangue, perda de peso e febre persistente por mais de uma semana. Por isso, fatores de risco para HIV ou tuberculose devem ser avaliados”, complementa.

Combate ao problema

Algumas medidas simples podem ajudar a controlar e prevenir a tosse. Um dos primeiros pontos é a hidratação. Beber água ajuda a combater a tosse seca, além de facilitar a expectoração do muco quando presente. O paciente deve focar em líquidos quentes, como chás, que trazem alívio sintomático.

“É necessário manter o ambiente bem ventilado. Evitar o uso de cortinas, tapetes e carpetes e fazer, regularmente, a limpeza de aparelhos de ar-condicionado e ventiladores. Usar umidificadores nos períodos com baixa umidade do ar, evitar fumar e lavar as mãos com frequência para evitar a disseminação de vírus e de outras infecções”, frisa o otorrinolaringologista do Hospital CEMA.

Há casos em que somente deitar faz com que a tosse piore. O pneumologista da BP cita, por exemplo, a tosse como sintoma do refluxo gástrico que, quando a pessoa deita, facilita com que o suco gástrico “vaze”, piorando a tosse. O problema piora, também, quando o paciente tem catarro no brônquio, pois ao deitar de lado, é mais fácil para o corpo expelir a secreção, aumentando a tosse. Nesses casos, o paciente pode usar mais travesseiros para ficar em uma posição mais sentada e, assim, diminuir o incômodo.

Medicamentos que auxiliam

Existem diferentes fármacos que ajudam a diminuir a tosse, independente de ser seca ou produtiva. O médico do Núcleo Médico Científico do Aché frisa que o problema, geralmente, não deve ser totalmente suprimido, devido à importante função que desempenha na expectoração e na limpeza das vias aéreas.

“Para as tosses secas, utilizam-se os chamados antitussígenos, medicamentos que agem inibindo o reflexo da tosse, reduzindo a frequência e a intensidade. Nos casos de tosses produtivas, podem ser usados os chamados expectorantes, que têm como objetivo fluidificar as secreções, facilitando a sua eliminação, como também reduzindo frequência e intensidade”, explica.

Tosse seca x produtiva

Um dos medicamentos mais buscados por pessoas que sofrem com a tosse são os xaropes. Com o seu princípio ativo na forma líquida, eles devem ser indicados de acordo com o tipo de tosse presente.

Xaropes para tosse produtiva: são mucolíticos, ou seja, deixam o muco mais fluido para que a secreção possa ser expelida com mais facilidade.

Xaropes para tosse seca: têm efeito antitussígeno e miorrelaxante, atuando nos receptores periféricos do trato respiratório ou central, melhorando a ventilação pulmonar e diminuindo a vontade de tossir.

Fontes: pneumologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, Dr. José Rodrigues Pereira; e otorrinolaringologista do Hospital CEMA, Dr. Marcelo Mello

Entre os antitussígenos, estão incluídos os opiáceos, o dextrometorfano, a dropropizana e a levodropropizina. Os dois primeiros agem inibindo o centro de tosse no cérebro e, por isso, podem promover efeitos adversos desagradáveis. Já os dois últimos diminuem o reflexo da tosse por meio da redução da excitabilidade dos receptores na traqueia e nos brônquicos, apresentando uma discreta ação antialérgica, além de promover o relaxamento da musculatura dos brônquios e melhorar a ventilação pulmonar.

Os expectorantes (ou mucolíticos) favorecem o desprendimento do muco, tornando as secreções brônquicas mais finas e fáceis de ser eliminadas. Entre eles, os mais conhecidos são N-aceltilcisteina e guaifenesina.

Os medicamentos são encontrados, normalmente, sob a forma de xarope ou pastilhas. “Os xaropes contêm o princípio ativo na forma líquida, possuem ação sistêmica e têm efeito mais duradouro. Geralmente, são mais indicados para as crianças, que têm maior dificuldade em engolir comprimidos. As pastilhas são sólidas, adocicadas e com sabores e indicadas para uso tópico, promovem o alívio local”, complementa o otorrinolaringologista do Hospital CEMA.

Foto: Shutterstock

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