
Durante muito tempo, o trade marketing foi um tema pouco discutido no varejo farmacêutico. E isso é curioso, porque estamos falando de uma verba que já existe dentro da indústria, é destinada especificamente para a promoção de produtos, principalmente itens de consumo e medicamentos isentos de prescrição. Essa verba não é direcionada a descontos nos produtos, e se não utilizada, simplesmente se perde.
Trade marketing não é preço. Não é negociação comercial. É investimento direcionado para a exposição correta dos produtos no ponto de venda (PDV).
Na prática, essa verba é criada para garantir que os produtos ganhem visibilidade dentro da loja, sejam apresentados da forma adequada e estejam posicionados de acordo com a estratégia da indústria.
Quando isso acontece, o resultado é quase imediato: mais destaque, mais atenção do consumidor e, naturalmente, mais vendas. O problema é que esse dinheiro nem sempre chega à farmácia. E não chega, na maioria das vezes, porque a loja não está preparada para recebê-lo.
A indústria só investe em trade quando existe segurança de que a ação será executada corretamente. Se a farmácia não se preocupa com a ponta de gôndola, com o cuidado da exposição ou não tem meios de comprovar que aquela estratégia foi aplicada, essa verba simplesmente não entra no jogo.
Historicamente, o trade marketing sempre esteve concentrado nas grandes redes ou em farmácias localizadas nos grandes centros, onde há promotores, estruturas dedicadas e equipes focadas exclusivamente nisso. Para a farmácia independente, acessar esse recurso sempre pareceu algo distante, quase inalcançável.
Mas o conceito é simples. Trade marketing é exposição correta. É colocar o produto no ponto certo, no móvel certo, no espaço certo da gôndola. É criar um ponto extra, dar destaque, aumentar a visibilidade dentro da loja. Quando isso é bem-feito, a venda é potencializada.
Na Febrafar, entendemos que havia uma jornada importante a ser construída em torno do trade marketing. Por isso, investimos em tecnologia para permitir que esse processo aconteça mesmo onde não há promotores físicos.
Hoje, por meio de ferramentas digitais e leitura primária por Inteligência Artificial (IA), é possível validar a exposição dos produtos, comprovar a execução das ações e dar à indústria a segurança necessária para liberar o investimento.
Esse modelo muda completamente a lógica do trade. Ele deixa de ser exclusivo e passa a ser acessível. Deixa de depender de grandes estruturas e passa a depender de organização, método e cuidado com o PDV.
Quando a farmácia entende o trade marketing como parte da sua gestão, ela deixa de perder oportunidades.
Talvez o trade marketing nunca tenha sido um tema central no varejo farmacêutico porque, durante muito tempo, ele pareceu distante da realidade de muitas lojas. Hoje, ele é uma oportunidade concreta, e falar sobre isso se tornou indispensável para quem quer extrair mais valor do próprio negócio.
Fonte: Guia da Farmacia
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