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Transtornos intestinais: Diarreia x prisão de ventre

Guia da Farmácia Por Guia da Farmácia 14 de dezembro de 2020 Nenhum comentário 8 Minutos de leitura
transtornos-intestinais-diarreia-x-prisao-de-ventre

Há pessoas que apresentam muitas dificuldades intestinais para fazer o “número 2”, enquanto outras frequentam o banheiro várias vezes por dia. Embora o assunto ainda seja constrangedor para muita gente, o bom funcionamento do intestino tem uma relação direta tanto com a saúde física e mental, como também com a qualidade de vida, garante o gastroenterologista do Hospital 9 de Julho, em São Paulo (SP), Dr. Matheus Azevedo.

“Alguns estudos sugerem que o equilíbrio da microbiota intestinal vai além do bom funcionamento do intestino e descrevem o papel da flora intestinal no desencadeamento de doenças intestinais e extraintestinais, como Parkinson, esteatose hepática, diabetes, entre outras. Diante disso, é importante estimular hábitos de vida saudáveis, capazes de povoar esse órgão por mais bactérias do bem.”

Sendo assim, quando essa equação está em déficit, seja por estresse, sedentarismo, má alimentação, uso indiscriminado de antibióticos, entre outros fatores, o resultado costuma ser dificuldade no processo de evacuação.

Diarreia aguda

Em geral, a causa mais comum da diarreia aguda é de origem infecciosa por vírus, bactérias ou parasitas, sem descartar a possibilidade de alguma sensibilidade alimentar, como intolerâncias ou irritação causada por alguns alimentos, e até fatores emocionais, conforme destaca o Dr. Azevedo.

“A diarreia aguda costuma durar até 14 dias, devendo-se manter a hidratação, dar preferência por refeições mais leves e usar medicamentos para o alívio de alguma dor ou para redução do número de evacuações, além de antibióticos quando causada por bactérias.”

DICAs DO GUI

Probióticos x Prebióticos

O que são probióticos?

São microrganismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, conferem benefícios à saúde. Eles interferem no movimento do intestino, diminuindo o efeito de fermentação causado por gases e ingestão de alguns alimentos, contribuem na absorção de vitaminas e nutrientes e promovem o equilíbrio da microbiota intestinal.

Como eles atuam?

Por serem bactérias benéficas ao organismo, os probióticos auxiliam no equilíbrio da microbiota intestinal, prevenindo doenças e fortalecendo o sistema imunológico. Além disso, eles favorecem a quebra de fibras alimentares, chamadas de prebióticos e, a partir daí, produzem substâncias, como ácidos graxos de cadeia curta, que trazem inúmeros benefícios ao intestino e demais órgãos e sistemas.

O que são prebióticos?

São carboidratos não digeríveis que estimulam seletivamente a proliferação ou atividades de populações de bactérias benéficas ao intestino. Eles se originam de fontes ricas em carboidratos, como pães e grãos integrais, frutas e verduras, que são fontes de fibras. Sendo assim, os prebióticos servem de “alimento” para os probióticos.

Quando a suplementação com probióticos é indicada?

Os estudos têm demonstrado os benefícios do uso de probióticos em diversas situações, como gastroenterite aguda, cólicas do lactente, prevenção de diarreia secundária, entre outras indicações.

No entanto, é muito importante ressaltar que os probióticos não são iguais. Por isso, o uso deve ser acompanhado de avaliação médica. Além disso, é fundamental associar a suplementação com hábitos saudáveis no dia a dia.

Fonte: pediatra, gastroenterologista e presidente da Sociedade Goiana de Pediatria, Dra. Marise Tófoli

Além do aumento do número de evacuações e da redução da consistência das fezes, que se tornam mais aquosas, o quadro de diarreia aguda pode vir acompanhado de vômitos, dor abdominal e até perda de sangue nas fezes, alerta o médico do Hospital 9 de Julho.

“Quando o quadro permanece por mais de 30 dias, é preciso investigar outras causas, que podem ser múltiplas, como Síndrome do Intestino Irritável (SII), Doença Inflamatória Intestinal, Doença Celíaca, hipertireoidismo, supercrescimento bacteriano, tumores e pancreatite crônica.”

Como o tratamento sempre vai depender da causa, ele pode envolver desde mudança de hábitos alimentares até o uso de antibióticos. Ainda assim, o médico reforça que a “desidratação continua sendo uma das complicações mais perigosas da diarreia, especialmente em bebês, crianças e idosos”.

Constipação intestinal

Por outro lado, um problema que acomete 30% da população mundial, especialmente as mulheres, e também causa muito desconforto é a prisão de ventre.

Além da redução da frequência evacuatória, o quadro é caracterizado pelas fezes em cíbalos (bolinhas) e ressecadas, além da sensação de evacuações incompletas ou com muito esforço.

Para tentar solucionar o problema, muita gente recorre aos laxantes. Entretanto, o Dr. Azevedo afirma que o primeiro passo é mudar alguns hábitos de vida.

Síndrome do Intestino Irritável

Sem causa bem definida na literatura médica, a Síndrome do Intestino Irritável (SII) é uma doença funcional benigna que altera os movimentos intestinais, com períodos de exacerbação ou lentidão do funcionamento intestinal, explica a pediatra, gastroenterologista e presidente da Sociedade Goiana de Pediatria, Dra. Marise Tófoli.

“Por isso, pode ocorrer acúmulo de gases, diarreia e distensão abdominal. Mas também pode acontecer o oposto, ou seja, as contrações ficam mais flácidas, deixando as fezes ressecadas e o intestino preso.”

Embora os sintomas alterem de uma pessoa para outra, o maior problema desse distúrbio é o comprometimento da qualidade de vida, uma vez que as escolhas alimentares passam a ser mais restritivas.

“O estresse e a ingestão de alguns alimentos são poderosos gatilhos para o descontrole da doença. Vale destacar também que é uma síndrome com características psicossomáticas, logo, suas manifestações estão intimamente ligadas às emoções.”

Mais comum em mulheres, os sintomas começam a aparecer ainda no período da adolescência e precisam durar pelo menos seis meses para a confirmação do diagnóstico, esclarece a Dra. Marise.

Além de ajustes no cardápio alimentar, a especialista alerta que pode haver a necessidade da prescrição de medicamentos, suplementos alimentares e até psicoterapia. “O consumo de probióticos específicos têm trazido alívio dos sintomas sem precisar de uma dieta tão restritiva.”

“Iniciar ou aumentar a prática regular de exercício físico, assim como consumir mais alimentos ricos em fibras e beber muita água devem ser as primeiras atitudes a serem tomadas. Se depois disso, ainda continuar difícil ir ao banheiro, deve-se investigar outras causas, como uso de alguns medicamentos, tumor no intestino, hipotiroidismo, imobilidade e SII”.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o consumo diário de fibras deve ser superior a 25 g por dia. Entretanto, quando a ingestão de frutas, hortaliças, vegetais e leguminosas não é adequada, o impacto é direto no trânsito intestinal.

Reguladores do Trânsito Intestinal

O que são?

Assim como os alimentos, são produtos que auxiliam no bom funcionamento do intestino, evitando constipação. Os reguladores englobam vários produtos, entre eles, as fibras, que são as principais aliadas de quem sofre com o mau desempenho intestinal.

Composição

Há as fibras solúveis, que ajudam na formação das fezes, e também as insolúveis, que proporcionam um estímulo mecânico no intestino e aumentam o volume do bolo fecal. Entretanto, vale destacar que para obter esse benefício, é fundamental consumir água em quantidade adequada. Outras substâncias que ajudam no trânsito intestinal são os probióticos e prebióticos.

Como os reguladores atuam em casos de diarreia e constipação?

A função dos reguladores intestinais é sempre facilitar a evacuação, sendo assim, apresentam diferentes mecanismos de ação. Existem aqueles que retêm maior quantidade de água no intestino, aumentando o bolo fecal, os produtos que agem diretamente na parede do intestino e também aqueles que amolecem as fezes.

Fonte: presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), Dr. Durval Ribas Filho

E não são somente os alimentos fontes de fibras que ajudam a resolver a constipação. A indústria alimentícia e farmacêutica já oferece muitas opções capazes de reverter o quadro, avisa o presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), Dr. Durval Ribas Filho.

“Os prebióticos e probióticos, presentes em iogurtes, por exemplo, auxiliam nesse processo. Há também outros alimentos enriquecidos e os famosos suplementos à base de fibras e probióticos para diversas idades.”

Apesar de todo esse arsenal, o médico lembra que o consumo excessivo de fibras sem a ingestão adequada de água pode promover o efeito contrário, isso porque “o líquido auxilia a formação do bolo fecal e ajuda no bom funcionamento do intestino”, explica o Dr. Ribas. “Mesmo assim, mudanças na dieta e no estilo de vida fazem parte do tratamento da prisão de ventre.”

Foto: Shutterstock

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