Varizes: Veias fora de funcionamento

Comuns nas pernas e nos pés, as varizes acontecem quando há perda da função das veias que levam o sangue de volta ao coração. Problema não é somente estético, causa dor e incomoda muito

As varizes não atrapalham somente a parte estética, elas causam dores, inchaço e sensação de cansaço, principalmente nos membros inferiores. Em sua definição, são veias tortuosas e dilatadas causadas pela dilatação das veias, que ocorre devido ao enfraquecimento de suas paredes.

De acordo com a cirurgiã vascular do Hospital Israelita Albert Einstein, Dra. Cynthia Mendes, as veias das pernas têm a função de levar o sangue da extremidade do membro de volta até o coração. Para que o sangue volte, elas trabalham contra a gravidade, tendo que fazer o sangue “subir”. Isso é possível porque essas veias têm válvulas unidirecionais que permitem que o sangue flua apenas em uma direção, a ascendente.

“O problema ocorre quando a pressão venosa está aumentada e o retorno sanguíneo é dificultado, o que pode ocorrer devido à insuficiência valvar, obstrução venosa ou uma combinação desses dois fatores. Nas varizes superficiais, a insuficiência das válvulas pode ser primária, pela fraqueza da parede do vaso e consequente dilatação do mesmo ou secundária a uma lesão na válvula, causada, por exemplo, por uma flebite”, explica ela.

O problema acomete, principalmente, os membros inferiores, pois é neles que existe a maior pressão. As veias das pernas têm a difícil função de executar o retorno venoso dos membros inferiores e trabalhar em um regime de pressão mais alta. Elas trabalham contra a gravidade e qualquer fraqueza em sua parede que modifique o funcionamento das válvulas acaba alterando o sentido do fluxo sanguíneo.

Os principais fatores de risco

  • Hereditariedade.
  • Idade.
  • Postura (pessoas que ficam em pé muito tempo tendem a ter maior incidência
    de varizes).
  • Obesidade.
  • Gravidez.
  • Uso de anticoncepcional.
  • Sedentarismo.
  • Tabagismo.

Fontes: cirurgião vascular da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, Dr. Caio Focassio; e médico vascular do Hospital TotalCor, Dr. Marcos Barros

Um dos incômodos mais comuns das varizes é a questão estética – uma vez que as veias em mau funcionamento têm aparência avermelhada ou roxeada e podem estar saltadas e inchadas. Entre os demais sintomas, estão dor, peso e cansaço nas pernas no fim do dia, além de edema, sensação de queimação e câimbras.

Para o médico vascular do Hospital TotalCor, Dr. Marcos Barros, se não tratadas, podem levar a alterações nas pernas, causando manchas, fibrose no tecido celular subcutâneo e, em último estágio, úlceras.

“É importante lembrar que as varizes não estão relacionadas com trombose venosa profunda. O que pode ocorrer, principalmente em varizes maiores, é uma flebite – uma trombose superficial”, adverte.

O tratamento clínico das varizes funciona para aliviar os sintomas decorrentes do problema e retardar a doença. Normalmente é feito por meio do uso oral de venotônicos – medicamentos que atuam na inflamação das veias – e meias elásticas de compressão. Os cremes de uso tópico podem ser usados como adjuvantes. Eles auxiliam na hidratação da pele e, juntamente com a massagem, podem aliviar a dor, o inchaço e a sensação de peso.

Dica para evitar as varizes

A prevenção pode acontecer evitando-se fatores que podem ser modificáveis, como o hábito de fumar, o excesso de peso e a permanência em pé por longos períodos. Profissionais que permaneçam longos períodos em pé podem fazer uso de meia elástica compressiva.

Fonte: cirurgiã vascular do Hospital Israelita Albert Einstein, Dra. Cynthia Mendes

“Existem diversos medicamentos com princípios ativos diferentes usados no tratamento das varizes – com disomina, hesperidina, cumarina e rutina, entre outros”, cita o Dr. Barros. Além disso, o repouso e elevação dos membros inferiores podem ajudar. O tratamento definitivo é realizado com a cirurgia.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), os cordões varicosos, salientes e visíveis, que elevam a pele e aquelas pequenas veias de trajeto tortuoso ou retilíneo são de tratamento cirúrgico.

As veias doentes retiradas não colaboram para a circulação. Ao contrário, sua retirada causa melhoria na drenagem venosa dos membros inferiores, aliviando sintomas e prevenindo as implicações da evolução da doença.

Os principais fatores de risco são obesidade, gravidez, uso de anticoncepcionais, sedentarismo e herança familiar. Exatamente por isso, a prevenção da doença pode ser feita com a adoção de hábitos de vida, como atividade física regular, uso de meias elásticas, evitar ficar muito tempo parado sentado ou em pé. É importante, também, evitar o ganho de peso e prestar atenção no uso de pílulas anticoncepcionais.

A SBACV frisa que, apesar dos mitos, não existe nenhuma relação estabelecida entre a formação das varizes e depilação ou uso de salto alto, assim como não há influência com relação a carregar peso. Subir escadas pode ser até considerado um exercício físico, portanto, ajuda a incrementar o retorno venoso.

Mulheres – as mais acometidas

Ainda que não haja uma conclusão sobre o porquê das mulheres terem maior incidência de varizes do que os homens, os números não mentem. De acordo com o cirurgião vascular da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, Dr. Caio Focassio, a cada homem com varizes, existem quatro mulheres acometidas.

Uma das explicações seriam os efeitos dos hormônios femininos sobre as veias. Além disso, as mulheres que usam anticoncepcional e com história familiar de varizes têm ainda mais chances de desenvolver a doença.

“O hormônio feminino é considerado fator de risco para o aparecimento de varizes, portanto, pacientes do sexo feminino têm maior propensão a apresentá-las. Gravidez também é considerada fator de risco”, cita a Dra. Cynthia.

Foto: Shuttertstock

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Edição 301 - 2017-12-01 Novo ano em vista

Essa matéria faz parte da Edição 301 da Revista Guia da Farmácia.