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Verão é cenário propício para infecções

Por Guia da Farmácia 12 de dezembro de 2018 Atualizado em: 12 de dezembro de 2018 Nenhum comentário 8 Minutos de leitura
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Os meses mais quentes do ano são perfeitos para aproveitar os dias de folga. Mas os aspectos climáticos, como a alta temperatura e a umidade relativa do ar, podem ser prejudiciais para a pele, se não houver certos cuidados.

Um dos incômodos que podem surgir são as micoses. Mais comuns em áreas como os dedos dos pés ou a virilha, a doença pode aparecer em qualquer parte do corpo. Os fungos causadores se beneficiam do calor e da umidade, que tendem a ser mais frequentes por conta do aumento da frequência em praias e piscinas.

De acordo com a dermatologista da Rede de Hospitais São Camilo, de São Paulo (SP), Dra. Ana Célia Xavier, os casos são mais comuns no verão devido ao calor, que aumenta a transpiração, deixando a pele úmida e quente, facilitando a aderência e a proliferação da doença.

“O clima, o uso de roupas de tecidos sintéticos que favorecem a transpiração e a higiene inadequada, além da exposição a ambientes contaminados, facilitam a instalação e a multiplicação dos fungos nesta época do ano”, complementa a gerente de produto da União Química, Flaviana Ferreira.

Existem vários tipos de micoses, que têm em comum o ambiente em que os microrganismos responsáveis pela doença se proliferam: quente, úmido e abafado.

Em geral, o problema pode ser causado por três grupos de fungos, explica o dermatologista do Hospital Santa Catarina, Dr. Leonardo Abrucio Neto:

  • Dermatófitos: causados por fungos dos gêneros Trichophyton, Microsporum e Epidermophyton. Caracterizam-se por descamação, vermelhidão e coceira. Podem acometer a pele e as unhas;
  • Leveduras: causados por fungos do gênero Candida. Podem acometer a pele, as unhas, as mucosas vaginal, anal e o pênis;
  • Fungos dimórficos: causadas por fungos dos gêneros Malassezia e Pityrosporum. Podem causar descamação, coceira e vermelhidão no couro cabeludo (dermatite seborreica) ou manchas vermelhas, brancas ou escuras no tronco (pitiríase versicolor).

Nas micoses superficiais, o fungo fica na camada mais externa da pele, ao redor de pelos e unhas, nutrindo-se de queratina. São exemplos de micoses superficiais a pitiríase versicolor (pano branco ou tinea da praia), a tinea inguinal, a tinea dos pés, a candidíase e as onicomicoses.

“A pitiríase versicolor é muito comum, especialmente entre jovens, de evolução crônica e recorrente. Indivíduos de pele oleosa são mais suscetíveis a apresentar este tipo de micose, principalmente quando frequentam piscina e praia. A tinea inguinal e dos pés ocorre quando esses locais ficam úmidos e fechados por tempo prolongado. As lesões que surgem nos pés também acontecem mais facilmente entre atletas que vão a academias e clubes”, acrescenta a dermatologista do Hospital Sírio-Libanês, Dra. Luciane F. F. Botelho.

A candidíase, causada pela Candida, pode comprometer, isolada ou conjuntamente, a pele, as mucosas e as unhas. É um fungo oportunista, ou seja, algumas situações favorecem seu desenvolvimento, como diabetes, imunodeficiências, uso prolongado de antibióticos ou imunossupressores.

Já a onicomicose, diz a Dra. Luciane, é uma infecção que acomete as unhas, sendo mais frequente nas unhas dos pés. Um trauma pode levar ao descolamento da unha, favorecendo a infecção pelo fungo, principalmente em situações de umidade e uso de calçado fechado por longos períodos.

“As lesões são, geralmente, anulares, com bordas vermelhas e descamativas, com o centro mais claro. Podem se apresentar também com manchas acastanhadas, brancas ou rosadas, com discreta descamação, que podem ou não coçar”, exemplifica a Dra. Ana.

Mas os sintomas dependem do local onde a micose ocorre. Entre os dedos dos pés, por exemplo, ocorre vermelhidão, coceira intensa e pequenos cortes na pele (fissuras). Na virilha, geralmente ocorre coceira intensa e vermelhidão, mas sob as mamas, além da vermelhidão e da coceira, pode se formar uma secreção esbranquiçada e com mau cheiro, pois a pele fica macerada. As unhas afetadas são descoladas, espessas e com coloração amarelada ou esbranquiçada.

O caminho do fungo

Segundo Flaviana, da União Química, são inúmeras as possibilidades de contágio da doença, sendo as mais comuns: contato direto com a pessoa infectada; compartilhamento de roupas, calçados e itens de uso pessoal, como toalhas de banho e escovas de cabelo. Pode ser contraída, também, ao se andar descalço em locais contaminados, como à beira da piscina ou em vestiários de academias.

“O contágio pode acontecer pelo contato com lesões de seres humanos ou com animais contaminados, principalmente cães e gatos. Também pode ocorrer pelo contato com o solo ou com a água de praia e piscinas. Pode surgir nas unhas, por contato com instrumentos de manicure, ou na pele, através de roupas ou contato pessoal”, revela o Dr. Neto.

Ainda que existam várias formas de se contagiar, é importante alertar que são precisos fatores favoráveis para a infecção, conforme cita a Dra. Ana: calor, umidade, queda de imunidade ou a presença no suor de um ácido graxo (por determinação genética) em que o fungo possa se proliferar.

“Os grupos de risco incluem os diabéticos, indivíduos com câncer, pacientes submetidos a tratamentos com imunossupressores, idosos, obesos e jovens, que não enxugam bem o corpo após tomar banho ou depois de frequentar praias ou piscinas”, alerta o dermatologista do Hospital Santa Catarina.

Cura da doença

O tratamento correto da micose depende do tipo, localização e extensão da patologia. Mas algumas orientações ajudam todos os pacientes:

  • Alimentar-se bem e reduzir o estresse, para melhorar a imunidade;
  • Controlar as doenças associadas;
  • Evitar banhos muito quentes;
  • Enxugar bem o corpo, principalmente os pés, as axilas, a virilha e a região genital, após tomar banho ou frequentar praias e piscinas;
  • Não ficar muito tempo com trajes de banho molhados;
  • Trocar as meias diariamente e preferir as de tecido de algodão. Rodiziar calçados e colocá-los para secar ao sol;
  • Não compartilhar roupas.

“O tratamento das micoses pode ser feito com antifúngicos de uso local ou por via oral, sendo que a indicação depende do tipo de micose e de sua extensão. A presença de algumas doenças, como hepatopatias, pode ser uma contraindicação para o uso de medicamentos orais. Portanto, na suspeita de micose, é indicado procurar um médico”, aponta a dermatologista do Hospital Sírio-Libanês, Dra. Luciane.

Os antifúngicos tópicos, de acordo com o Dr. Neto, podem se apresentar sob a forma de creme, para infecções na pele; solução ou esmalte, para acometimento ungueal; xampu, para o couro cabeludo; spray, para uso em áreas extensas; ou pó, para uso nos pés, calçados e meias.

Os medicamentos externos mais utilizados no tratamento das micoses são do grupo azol (clotrimazol, isoconazol, fenticonazol, oxiconazol, cetoconazol e miconazol). Mas há ainda os antifúngicos tópicos prescritos, como ciclopiroxolamina, terbinafina, nistatina e amorolfina.

Nos casos de lesões pouco numerosas e extensas, com poucos sintomas, podem ser empregados apenas os agentes tópicos.

“Os antifúngicos sistêmicos são utilizados para casos extensos que não responderam ao tratamento tópico. São fundamentais na tinea capitis (micose do couro cabeludo), em micoses intensas de pele e unhas e nos pacientes imunodeprimidos. Os principais antifúngicos sistêmicos são terbinafina, itraconazol, fluconazol, cetoconazol e griseofulvina”, exemplifica o especialista.

Sintomas da micose

Lesões em geral: anulares, com bordas vermelhas e descamativas, com o centro mais claro. Discreta descamação. Pode ter coceira ou não.

Unhas: descoladas, espessas e com coloração amarelada ou esbranquiçada.

Sob as mamas: vermelhidão e coceira. Pode se formar uma secreção esbranquiçada e com mau cheiro.

Virilha: coceira intensa e vermelhidão.

Dedos dos pés: vermelhidão, coceira intensa e pequenos cortes na pele.

Fontes: dermatologista da Rede de Hospitais São Camilo, de São Paulo, Dra. Ana Célia Xavier; dermatologista do Hospital Santa Catarina, Dr. Leonardo Abrucio Neto; e gerente de produto da União Química, Flaviana Ferreira

Dependendo do local onde a micose se instala, o tratamento pode levar alguns meses. É o caso das micoses que acometem as unhas. Segundo Flaviana, aquelas que estão na matriz das unhas (dos pés ou das mãos) ou em órgãos internos do corpo merecem atenção especial. Na matriz, o tratamento precisa esperar o ciclo de crescimento das unhas que, no caso dos pés, leva cerca de seis meses.

“O acometimento da unha pelo fungo pode exigir tratamento prolongado, pois o medicamento aplicado na lâmina ungueal não tem uma boa penetração. Recomendamos, muitas vezes, que o paciente aplique o esmalte antifúngico por um ano”, completa a Dra. Luciane.

Por outro lado, as micoses comuns de pele desaparecem rapidamente com o tratamento tópico. Mas, apesar da melhora dos sinais visíveis, é necessário estender o tratamento por mais alguns dias para garantir a eliminação completa dos fungos.

Foto: Shutterstock

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