Visão saudável

Prevenção e acompanhamento constante auxiliam na detecção precoce das doenças oculares mais comuns que acometem a população brasileira

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 6,5 milhões de pessoas possuem algum tipo de deficiência visual no Brasil. Em todo o mundo, a cada cinco segundos, uma pessoa fica cega e até 75% dos casos resultam de causas previsíveis e/ou tratáveis, segundo informa a Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO).

Ou seja, o acompanhamento periódico e cuidados específicos podem ajudar não só a prevenir doenças, mas também a detectar precocemente a possibilidade de uma patologia chegar ao seu nível mais extremo e, desta forma, tratá-la ou retardar seu efeito.

Doenças ligadas ao envelhecimento ou à genética podem não só prejudicar a visão, mas levar à cegueira. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que 80% das 45 milhões de pessoas cegas mundialmente são maiores de 50 anos de idade. Esse é o caso do glaucoma, da catarata e dos olhos secos, algumas das patologias mais comuns nessa época da vida dos pacientes.

Glaucoma: vilão dos olhos

Segundo a OMS, glaucoma é o principal responsável por cegueira em todo o mundo. No Brasil, existem aproximadamente 985 mil pessoas que sofrem com a doença, embora o número possa ser ainda maior, já que 50% dos portadores ignoram a patologia, segundo a SBO. O maior problema é o fato de, na grande maioria das vezes, o glaucoma ser silencioso, sem sintomas evidentes. 

O oftalmologista do Hospital Cema, Dr. Leonardo Nicioli, explica que é uma doença do nervo óptico mais comum a partir dos 40 anos de idade. Seu principal fator de risco é a hipertensão ocular e leva à perda progressiva de visão, até à cegueira.

“O mais importante é a detecção precoce da doença, para conseguir tratar e tardar a sua evolução”, diz. O principal sintoma é a perda da visão periférica, mas como a visão central continua a mesma, a maior parte dos pacientes não consegue perceber a falha ocular.

E não somente a idade é responsável pela doença, mas a genética. De acordo com a oftalmologista do Hospital Sírio-Libanês, Dra. Eliana Aparecida Forno, pessoas com algum caso familiar de glaucoma têm o dobro de chances de também desenvolver a patologia. 

Por isso, é muito importante orientar as pessoas a se consultarem anualmente com um oftalmologista que, ao fazer exames de fundo de olho e pressão arterial, poderá descobrir se há indícios do início do glaucoma. 

 

Fatores que prejudicam a visão

 Independente da patologia que a pessoa pode sofrer, algumas condições podem ser responsáveis pela piora da saúde. É o caso dos fatores a seguir:

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Uso do computador: geralmente, as pessoas piscam cerca de 220 vezes por minuto. Mas, ao olhar para telas, essa frequência pode diminuir até quatro vezes. Isso causa a diminuição da lubrificação dos olhos, prejudicando a saúde ocular.

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Alimentação: apesar de não estar diretamente associada a nenhuma doença, alimentação balanceada é importante para que o corpo esteja, em geral, saudável. Buscar uma dieta rica em vitaminas, frutas e legumes é essencial.

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Lentes de contato: o uso errôneo pode acarretar em grandes problemas. É importante que o tempo recomendado pelo médico seja respeitado e, mesmo ao utilizar as lentes de uso contínuo, tirá-las para dormir. O contato sem descanso pode causar irritação e aumentar a incidência de infecções. Tão importante quanto, a higienização deve ser feita todas as vezes que as lentes forem usadas. 

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Genética: diferentes doenças podem ter influência da genética. Além do glaucoma, doenças da macula (que causam a degeneração da retina) e a distrofia da córnea, são alguns dos exemplos de patologias que podem ser causadas por histórico familiar.

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Envelhecimento: o passar dos anos pode ser responsável por algumas doenças, principalmente, a catarata e o glaucoma. 

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Sol: a exposição ao sol ao longo dos anos pode agravar a incidência de glaucoma, catarata e olhos secos, além de outras doenças. Por isso, é necessário o uso de óculos de sol quando estiver exposto aos raios ultravioleta. Porém, o acessório deve ser comprado com responsabilidade, já que as lentes escuras e sem proteção aumentam a pupila e, portanto, a incidência dos raios nos olhos.

A chegada da catarata

Responsável pela opacificação da retina (lente natural dos olhos), a catarata é facilmente curada por meio de cirurgia. Apesar de ter três diferentes tipos, o mais comum é acometer pessoas acima dos 50 anos de idade, segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO):

• Catarata senil: a opacidade ocorre por causa de alterações bioquímicas relacionadas à saúde. Em torno de 85% das cataratas são senis. Não é considerada uma doença, mas um processo de envelhecimento.

• Catarata secundária: aparece devido a fatores variados, tanto oculares (descolamento de retina, tumores, glaucoma) como sistêmicos, que podem estar associados a traumas, moléstias endócrinas (diabetes mellitus, hipoparatireoidismo), causas tóxicas (corticoides tópicos e sistêmicos, cobre e ferro mióticos), entre outros.

• Catarata congênita: presente ao nascimento. 

Diferente do glaucoma, a doença apresenta sinais desde o início. Aos poucos, o paciente começa a perceber a vista embaçada, como se houvesse algo atrapalhando a visão. Como seu principal fator de risco é o envelhecimento, não há muitas maneiras de evitar a catarata, além dos cuidados comuns à saúde ocular (como utilizar óculos de sol e se alimentar de maneira equilibrada). 

“A visão vai ficando nublada, como se tivesse vendo através de uma nuvem. O contraste vai diminuindo e a visão de longe piora. É uma doença bem lenta e progressiva e não há urgência de cirurgia, depende de quanto a visão está prejudicada”, esclarece a Dra. Eliana.

A importância das vitaminas

Estar com os níveis vitamínicos em dia é crucial para que a saúde ocular não seja prejudicada. Assim, existe uma tendência do uso de suplementos vitamínicos. 

O suplemento normalmente recomendado é a luteína. Para o diretor da Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO), Dr. Luiz Carlos Portes, a vitamina pode ser útil para prevenir e retardar a Doença Macular Relacionada à Idade (DMRI). Por isso, a maior parte dos idosos usa a suplementação. 

Tipos de vitaminas

Vitamina C: ajuda na prevenção de catarata. 

Vitamina E: ajuda na prevenção e retardo da Doença Macular Relacionada à Idade (DMRI). 

Vitamina A: ajuda a prevenir os olhos secos e sua falta pode levar, principalmente em crianças, à cegueira noturna 

Fonte: oftalmologista do Hospital Cema, Dr. Leonardo Nicioli


Síndrome dos olhos secos

Cada vez mais presente na vida das pessoas, a Síndrome dos Olhos Secos pode ser ocasionada por diferentes problemas da vida moderna. “Cerca de 10% das pessoas abaixo dos 50 anos de idade já têm o problema dos olhos secos e, acima dos 50, 20%”, afirma o diretor da SBO, Dr. Luiz Carlos Portes. 

O uso constante de computador e outros dispositivos móveis é um dos principais responsáveis pelo problema. O uso de telas faz com que a pessoa deixe de piscar e, consequentemente, diminua sua lubrificação. 

Conforme explica o Dr. Nicioli, entre os principais sintomas, estão ardência, irritação e os olhos vermelhos. Apesar de ser uma doença que não leva à perda de visão, há um desconforto muito grande. 

A oftalmologista do Hospital Sírio-Libanês complementa frisando a possibilidade de haver lacrimejamento. “A lágrima, às vezes, não é o suficiente. A córnea está mal lubrificada e a lágrima não fixa, ela escorre”, diz. 

Para evitar a Síndrome, os indivíduos devem descansar os olhos. “O que recomendamos é sempre fazer uma pausa. A cada 20 minutos parar, piscar bastante por até 20 segundos e depois voltar ao computador”, exemplifica o Dr. Nicioli. Além disso, é importante evitar ambientes muito poluídos e o uso excessivo de ar-condicionado. 

Se, ainda assim, o paciente tiver uma pequena queixa sobre os olhos secos, o uso de lubrificantes oculares (as famosas lágrimas artificiais) pode ajudar a diminuir ou cessar os sintomas da doença. 

Autor: Laura Martins

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Prateleiras infinitas

Edição 294 - 2017-05-01 Prateleiras infinitas

Essa matéria faz parte da Edição 294 da Revista Guia da Farmácia.

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