
O tema volta às aulas é controverso e divide opiniões. Enquanto alguns especialistas defendem o retorno presencial às atividades escolares, outros são mais cautelosos e acreditam que a aglomeração infantil sem a aprovação de uma vacina vai piorar o cenário de pandemia do novo Coronavírus.
O fato é que, após meses de portas fechadas, as escolas de algumas regiões do País optaram por receber os alunos mantendo todos os cuidados de higiene, como uso de máscaras e álcool em gel. Entretanto, é importante destacar que a socialização com colegas, professores e outros funcionários é inevitável, impedindo o “famoso” distanciamento social.
Apesar de o principal foco ainda ser a proteção contra o Covid-19, o ambiente escolar também exige atenção com outros problemas de saúde comuns, como verminoses, arboviroses, piolho e pequenos ferimentos.
Confira, a seguir, a melhor forma de proteção nessa fase e os cuidados que devem ser adotados dentro e fora da sala de aula.
1. Pediculose (piolho)
Conhecida popularmente como piolho, a pediculose é uma doença parasitária causada por insetos sugadores de sangue que vivem e se reproduzem na superfície da pele e dos pelos, explica a coordenadora do Departamento de Dermatologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) Dra. Ana Mósca.
“As lêndeas são os ovos do piolho, ou seja, constituem a primeira fase de vida do parasita, que após 10 dias, eclode e passa para a fase adulta, tornando-se o piolho.”
Como o piolho não voa, a transmissão acontece por meio de contato direto entre as crianças ou compartilhamento de objetos pessoais, como bonés, tiaras, escova de cabelo, elásticos, etc.
Sintomas
Muita coceira que pode provocar feridas no couro cabeludo. Crianças com a pele atópica também podem apresentar coceira por todo o pescoço.
Tratamento
Uso de medicação tópica para eliminar o parasita, sendo a permetrina a mais prescrita. Em alguns casos, especialmente quando há infestação intensa, pode-se recorrer à ivermectina, esclarece a assessora do Departamento de Dermatologia Pediátrica da SBD, Dra. Clarissa Prati. “Além disso, é fundamental pentear os cabelos para remover as lêndeas e higienizar com água quentes roupas, lençóis e fronhas”.
Prevenção
É necessário evitar o compartilhamento de escovas, roupas, bonés, toalhas e contato direto com o cabelo das crianças infestadas. Uma outra dica é não ir de cabelo molhado para a escola, porque a umidade favorece a proliferação do inseto.
2. Viroses
Como o próprio nome sugere, são doenças causadas por vírus, sendo, de longe, as mais comuns
em crianças.
Como há uma grande variedade deles espalhados por todos os lugares, nem sempre é possível distinguir qual tipo está atuando naquele momento. Por isso, usa-se o termo geral de virose para se referir a esse grupo de doenças, explica a pediatra e membro do Departamento de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Dra. Euzanete Maria Coser.
“As viroses respiratórias são as mais comuns nesse público, entre elas, influenza, adenovírus, parainfluenza e resfriado. Entretanto, os pais também devem ficar atentos com as enteroviroses, como gastroenterites causadas por rotavírus ou outros enterovírus, que podem provocar vômitos e diarreia.”
Sintomas
Por serem muito variadas, as viroses podem apresentar quadros clínicos diferentes. A infecção viral das vias respiratórias desencadeia tosse, coriza e catarro. Elas também podem vir acompanhadas de febre, mal-estar e perda de apetite. Outras doenças virais causam manchas vermelhas na pele, vômitos e diarreia.
Tratamento
Uso de analgésicos e antitérmicos para aliviar os sintomas, hidratação, alimentação leve e higiene nasal.
Prevenção
A pediatra enfatiza que crianças com qualquer doença aguda, principalmente quando há a presença de febre e diarreia, não devem ir à escola. “Para prevenir, é importante manter a higienização adequada das mãos e superfícies e ensinar as crianças que devem cobrir a boca e o nariz ao tossir ou espirrar.”
3. Arboviroses
São viroses transmitidas por insetos e aracnídeos. Atualmente, “as doenças causadas pelos arbovírus que mais preocupam são dengue, chikungunya, zika e febre amarela”, enfatiza a médica da SBP.
Sintomas
De forma geral, são doenças que causam febre, dor no corpo e manchas vermelhas com ou sem coceira (exantema).
Tratamento
Não existem tratamentos específicos com antivirais contra a maioria das arboviroses. Sendo assim, a recomendação é usar medicamentos antitérmicos e analgésicos para aliviar a febre e as dores. Lembrando que os pacientes com suspeita de dengue, zika ou chikungunya devem evitar medicamentos à base de Ácido Acetilsalicílico (AAS) ou que contenham essa substância associada.
Prevenção
A principal forma de prevenção é usar repelente e evitar o contato com mosquitos. No caso da febre amarela, manter a caderneta de vacinação em dia. Já para a dengue, deve-se redobrar a atenção com depósitos de água parada.
4. Verminoses
São doenças causadas por vermes, que, em geral, se alojam nos intestinos, mas também podem migrar para outras partes do corpo humano. Entre as verminoses mais comuns estão as lombrigas e a teníase (solitária), cita a Dra. Euzanete.
Sintomas
Diarreia, dor abdominal, náuseas, perda de peso e prisão de ventre.
Tratamento
Uso de vermífugos, que costuma ter ótimos resultados.
Prevenção
Manter adequadamente a higiene pessoal das crianças, lavar as mãos com frequência e evitar deixar os pequenos andarem descalços em ambientes que possam conter formas de vermes, como areia do parquinho.
5. Pequenos ferimentos
Geralmente, são lesões relacionadas à baixa energia, em que se tem um traumatismo localizado e uma única lesão visível decorrente desse trauma. Sendo assim, um ferimento com pouco sangramento pode ser classificado como superficial ou até mesmo pequeno, esclarece o professor de Atendimento Pré-Hospitalar, Técnica Cirúrgica e Cirurgia Geral da Faculdade Santa Marcelina, Dr. Mario Fuhrmann Neto.
“Entretanto, podem existir ferimentos pequenos em extensão, mas profundos e de maior gravidade. Nestes casos, o sangramento seria mais vultoso.” No ambiente escolar, os acidentes mais comuns são quedas, lesões relacionadas às práticas desportivas ou pequenos cortes, cita o Dr. Fuhrmann Neto.
“Como cada faixa etária tem características específicas de comportamento conforme seu desenvolvimento, deve-se levar em consideração diferentes tipos de acidentes.”
Sintomas
O sangramento é o grande alerta. É preciso pensar não só com a extensão do ferimento, mas também com as características do sangue que podem determinar se a lesão é de maior ou menor gravidade, explica o médico.
“Se o sangue é mais escuro, vinhoso e escorre, provavelmente temos uma lesão superficial que atingiu no máximo pequenos vasos, sendo neste caso uma hemorragia facilmente controlável com a compressão local. Já se o sangramento é vermelho vivo e pulsátil representa uma lesão mais profunda, que deve ter atingido uma artéria. Neste caso, trata-se de um sangramento mais volumoso e que vai necessitar de uma compressão mais duradoura para o controle de forma efetiva.”
Ainda assim, precisa-se considerar outros sintomas igualmente importantes como dor, inchaço e hematomas.
Tratamento
O primeiro passo é a higienização com água corrente, sabão neutro ou em condições ideais com soluções degermantes. Em casos de sangramentos, usam-se curativos compressivos ou a própria compressão direta do ferimento por um período de cinco a 10 minutos.
Já ferimentos fechados ou contusos – em que existe um hematoma ou edema no local –, a opção de compressas frias ou de gelo deve ser considerada com a finalidade de analgesia e controle da lesão, orienta o especialista. “Principalmente se houver suspeita de lesões musculoesqueléticas, como fraturas, entorses e luxações. Nesses casos, a imobilização do membro é mandatória”, esclarece o Dr. Fuhrmann Neto.
Prevenção
A observação constante das crianças e o cuidado de perto são fatores importantes na prevenção dos pequenos ferimentos, respeitando cada fase do desenvolvimento psicomotor com a proposta de tarefas compatíveis com as habilidades e capacidades da criança.
Sendo assim, o médico orienta sempre sinalizar irregularidades no piso, redobrar os cuidados com vidros, janelas e materiais cortantes, assim como atividades de contato e práticas desportivas.
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