As categorias de Consumer Health Care (CHC), que englobam Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPs), vitaminas, suplementos e produtos de cuidados pessoais, já respondem por 44% do faturamento das farmácias brasileiras e seguem ganhando relevância.
Em um cenário de crescimento da renda e baixo nível desemprego, mas também de elevado endividamento das famílias e juros altos, entender o comportamento do consumidor tornou-se estratégico para impulsionar o desempenho da categoria no canal farma.
Esses foram alguns dos principais insights apresentados durante o evento Getting the Strategy 2026, promovido pelo Close-up International, em São Paulo (SP). O Guia da Farmácia acompanhou o encontro e reúne os principais dados do estudo sobre a categoria de CHC.
Desempenho da categoria no canal farma
Mesmo em um cenário de juros elevados e do alto endividamento das famílias brasileiras, o mercado farmacêutico mantém trajetória de crescimento. No MAT 05/2026, o setor movimentou R$ 261,3 bilhões e cresceu 13,5% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Dentro desse universo, as categorias de CHC respondem por 44% do canal farma e avançaram 7,9% entre MAT 05/2025 e o MAT 05/2026.

Fonte: Close-up International
De acordo com a classificação do Close-up, o mercado de CHC é composto pelas seguintes subcategorias:
- MIPs e Terapias
- Cuidados Pessoais
- Vitaminas e Suplementos
- Bebê e Criança
- Alimentos e Bebidas
- Beleza e Cabelo
- Dermocosméticos
- PS, Testes e Equipamentos médicos
- Conveniência
“Observamos uma evolução consistente do mercado de CHC como um todo, porém desacelerando nos últimos dois anos”, analisa o líder da área de Market Insights & Consumer Healthcare do Close-up, Filipe Campos.
Desde junho de 2025, esse mercado cresce em níveis mais baixos dos observados historicamente. “Houve um pico em março de 2026, mas uma desaceleração importante em abril”, afirma.
O desempenho em unidades é outro indicador em queda. “Vemos também uma desaceleração ou redução desse mercado em unidades”.
Na comparação entre maio de 2025 e maio de 2026, as vendas de CHC em unidades recuaram 4,1%. Já no acumulado do MAT, o crescimento foi de apenas 1%, enquanto no ano (YTD) avançou somente 0,4%.
Destaques em CHC

Filipe Campos, do Close-up, durante o evento. Foto: Guia da Farmácia
A maior subcategoria continua sendo MIPs e Terapias, respondendo por 30% do faturamento de CHC. Mas apesar dessa liderança, sua importância vem diminuindo ao longo dos últimos anos. No MAT 05/2025, o crescimento de MIPs e Terapias foi de 7,3%.
Em contrapartida, outras categorias ganham espaço, com crescimento de dois dígitos no último ano, como é o caso de Dermocosméticos (+12,8%), Bebê e Criança (+10,8%), e Alimentos e Bebidas (+10,1%).
“São essas três categorias que hoje puxam o crescimento de CHC no canal farma”, destaca o executivo.
Crescimento sustentado por preços
De acordo com os dados do Close-up, o principal fator que impulsiona CHC atualmente é preço. O volume não tem influenciado significativamente, enquanto os lançamentos seguem desempenhando papel importante na expansão desse mercado.
“Esse comportamento acontece praticamente em todas a categorias de CHC”, diz Campos, levantando uma questão. “Até que ponto é possível sustentar um crescimento que não vem por volume?”.
MIPS e Terapias
Aprofundando o entendimento do mercado de CHC, a categoria de MIPS e Terapias movimenta R$ 34,6 bilhões e cresce 7,3%.
Entre as subcategorias, os destaques são:
- Dor e febre
Faturamento R$ 10,1 bilhões | crescimento: 6,6%
- Tosse, gripes e resfriados
Faturamento: R$ 7,9 bilhões | crescimento: 4,7%
- Cuidados digestivos
Faturamento: R$ 7,6 bilhões | crescimento: 9,3%
- Alergia
Faturamento: R$ 2,3 bilhões | crescimento: 10,3%
Um ponto de atenção é a categoria de Tosse, gripes e resfriados, segundo o executivo do Close-up.
“É uma categoria bastante sensível ao impacto da temperatura e já vemos um crescimento mais baixo. Considerando a previsão de um super El Niño, ou seja, um aumento da temperatura no segundo semestre, a tendência é que esse mercado continue num patamar de crescimento um pouco menor”, diz Campos.
Cuidados Pessoais
Já a categoria de Cuidados Pessoais fatura R$ 16,7 bilhões e registra expansão de 7,9%.
Apesar da alta no faturamento, o desempenho em unidades é negativo, com queda de 2,9% no último mês, retração de 0,4% no YTD e de 0,3% no MAT.
Os destaques positivos são para:
- Higiene bucal e adulto
Faturamento: R$ 3,5 bilhões | crescimento: 12,8%
- Incontinência adulta
Faturamento: R$ 2,9 bilhões | crescimento: 17,5%
Segundo Campos, o avanço de Incontinência Adulta é impulsionado por dois fatores principais. “O crescimento é influenciado pelas marcas próprias e pelo programa Farmácia Popular, que desde o ano passado passou a ter a gratuidade da retirada desses produtos para pacientes”.
Já a categoria de Desodorantes, apesar de movimentar R$ 3,2 bilhões, cresce apenas 1,5%, fugindo do padrão de crescimento de CHC.
“Desodorantes é um desafio. A categoria vem crescendo a taxas muito baixas, não só no canal farma, mas no mercado como um todo. Estamos tentando identificar o que está puxando esse crescimento mais tímido, porque é uma categoria relevante”, comenta Campos.
Beleza & Cabelo e Dermocosméticos
Dermocosméticos seguem entre os principais motores de crescimento de CHC. A categoria movimenta R$ 9,4 bilhões e cresce 12,8%.
Segundo Campos, em Dermocosméticos, todas as subcategorias têm apresentado expansão:
- Cuidados com cabelo: +6,3%
- Solar: +6,9%
- Cuidados com corpo: +15,5%
- cuidados com rosto: +15,8%
- Dermo infantil: +25,8%.
Outro mercado relevante para o canal farma, Beleza & Cabelo apresenta faturamento de R$ 13,3 bilhões, com expansão de 3,1%.
Nesse segmento, o principal destaque é Solar, com expansão de 10,6%. Por outro lado, cuidados com os cabelos cresce 5,6% e cuidados com o rosto, que é o segundo principal mercado de Beleza & Cabelo, cai 4,6%.
Segundo Campos, o principal motivo que explica esse cenário é a queda em unidades. “Já em Dermocosméticos é um dos poucos mercados que continuam crescendo em volume”, analisa.
Vitaminas & Suplementos
Impulsionado pela busca do consumidor por saúde e bem-estar, o mercado de Vitaminas e Suplementos movimenta R$ 13,9 bilhões e cresce 9,4%, segundo o Close-up.
“É um mercado cada vez mais presente no dia a dia das pessoas”, afirma Campos.
Os destaques com crescimento de dois dígitos são:
- Suplementos (+12,2%)
- Sais minerais (+16,3%)
- Vitaminas A-Z (+16,4%, principalmente puxado por Vitamina D e B)
- Nutricosméticos (+40,4%)
Canal farma
O estudo também mostra diferenças no desempenho de CHC conforme o perfil das redes.
A categoria perde participação nas farmácias independentes e nas pequenas e médias redes, enquanto amplia presença nas associações e nas grandes redes.
Consumer Health no digital
De acordo com os dados do Close-up, as maiores taxas de penetração das vendas digitais concentram-se em:
- Dermocosméticos: 19,9% (24,4% na Abrafarma)
- Bebê e Criança: 12,9% (27,9% na Abrafarma)
- Vitaminas e Suplementos: 10,6% 20,7% na Abrafarma)
Foto de abertura: Shutterstock
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