
O mercado global de medicamentos OTC (over the counter, ou seja, vendidos sem receita médica) deve crescer de US$ 204,91 bilhões em 2026 para US$ 256,18 bilhões em 2031, alta de 25% no período. Os dados constam do relatório “Análise do Tamanho e Participação do Mercado de Medicamentos Vendidos Sem Receita – Tendências de Crescimento e Previsão (2026–2031)”, elaborado pela consultoria Mordor Intelligence.
Um dos principais fatores identificados pelo estudo como impulsionadores do setor é a crescente preferência dos consumidores pelo autocuidado e pela saúde preventiva.
Segundo o relatório, 81% dos consumidores recorrem a um produto OTC como primeira resposta diante de enfermidades leves, dado atribuído a divulgações da Pfizer mencionadas na análise.
Essa mudança de comportamento tende a reduzir a frequência de consultas médicas para condições comuns e altera progressivamente os hábitos de prescrição, com profissionais de saúde reservando intervenções medicamentosas para casos de maior gravidade.
O movimento é reforçado pela continuidade das chamadas trocas de Rx para OTC, nas quais produtos antes restritos a prescrição, migram para o status de venda livre.
Nos Estados Unidos, a Food and Drug Administration (FDA) codificou, em janeiro de 2025, a regra das Condições Adicionais para Uso Não Prescrito (ACNU), abrindo um caminho regulatório para que produtos com perfis de segurança mais complexos acessem o mercado sem receita. A Consumer Healthcare Products Association (CHPA) aponta que mais de 700 produtos individuais já ultrapassaram a barreira das prescrições.
Categorias e formatos em alta
Entre os segmentos de produto, os medicamentos para tosse, resfriado e gripe detiveram a maior fatia de mercado em 2025, com 22,85% da receita global, segundo a Mordor Intelligence.
No entanto, o segmento de vitaminas, minerais e suplementos (VMS) apresenta a maior velocidade de expansão, com CAGR projetado de 7,52% até 2031. O relatório aponta que a comunicação das marcas de VMS tem se concentrado em resultados funcionais específicos, como qualidade do sono e equilíbrio do estresse, em vez de especificações técnicas.
No que se refere aos formatos de dosagem, os comprimidos seguem dominando com 38,25% das vendas em 2025. Entretanto, gomas e mastigáveis são o formato de maior crescimento no período projetado, com CAGR de 9,35%.
O estudo atribui essa expansão à adoção de bases vegetais sem gelatina e perfis com teor reduzido de açúcar, que ampliam o apelo para adultos preocupados com saúde, e não apenas para o público infantil. Adesivos transdérmicos e formatos de desintegração oral também figuram no pipeline de inovação, com aplicação especialmente relevante para populações pediátrica e geriátrica.
Canal digital e farmácias de rede
No recorte por canal de distribuição, as redes de farmácias de varejo lideraram com 41,95% da receita em 2025. As farmácias online, por sua vez, são o canal de crescimento mais acelerado, com CAGR de 9,95% no período de previsão.
O relatório aponta que redes tradicionais estão respondendo ao avanço digital, com entregas no mesmo dia e atendimento por aplicativo, posicionando o farmacêutico como orientador de cuidados virtuais.
Segmento geriátrico em destaque
Outro ponto de atenção identificado pelo relatório é o ritmo de expansão do segmento geriátrico. Embora adultos entre 15 e 64 anos respondam por 63,40% do consumo de OTC em 2025, a faixa etária acima dos 65 anos registra o maior crescimento entre os grupos etários, com CAGR de 8,16% até 2031.
O estudo aponta que aproximadamente 80% dos idosos possuem múltiplas condições crônicas, o que eleva o risco de interações medicamentosas e torna mais complexa a seleção de produtos OTC para esse público.
O documento indica que poucas embalagens disponíveis no mercado incorporam recursos como instruções em fonte ampliada ou blísters com indicações táteis, o que representa uma lacuna a ser explorada pela indústria e pelo varejo.
Produtos naturais ganham espaço
O relatório aponta que produtos à base de químicos mantiveram 78,95% de participação no mercado OTC em 2025, mas alternativas herbais e naturais avançam com CAGR de 8,88% até 2031.
O crescimento traz, contudo, um alerta: em alguns mercados, 77,8% dos consumidores utilizam preparações herbais frequentemente junto a medicamentos convencionais, o que pode gerar interações adversas. O documento cita exemplos como toranja, erva-de-são-joão e valeriana como produtos com interações conhecidas com medicamentos convencionais, reforçando a importância da orientação farmacêutica no ponto de venda.
Cenário competitivo e perspectivas
Segundo a Mordor, o mercado global de OTC apresenta baixa concentração: as cinco maiores empresas do setor respondem por cerca de 16% da receita total. Entre os principais players listados no relatório estão Bayer AG, Haleon Group, Sanofi S.A., Reckitt Benckiser e Kenvue Brands.
O documento também registra movimentos recentes de reestruturação, como a separação da Haleon da GSK e a criação da Kenvue a partir da Johnson & Johnson, ambas com o objetivo de dar mais autonomia estratégica às divisões de saúde do consumidor.
Foto: Shutterstock
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