O que sabemos sobre a mistura de doses na imunização contra a Covid-19?

Reino Unido autorizará a estratégia de mistura de doses da imunização em raras ocasiões, apesar de não haver pesquisas que comprovem essa eficácia

Governos e cientistas correm contra o tempo em busca de alternativas para frear o novo coronavírus. O Reino Unidoprimeira nação do mundo ocidental a iniciar a campanha de imunização contra a Covid-19, já autorizou o uso de três vacinas e adiou a aplicação da segunda dose para tentar proteger ao menos parcialmente a maior parcela possível de sua população.

Também autorizou, em raras ocasiões, que cidadãos recebam imunizantes contra a Covid-19 de diferentes fabricantes.

Abrindo, dessa maneira, uma discussão sobre eficácia e segurança na chamada intercambialidade de vacinas.

No Brasil, o Plano Nacional de Imunização (PNI) prevê a aplicação de doses da Coronavac, da vacina da AstraZeneca/Oxford, imunizantes oferecidos pelo consórcio Covax Facility e ainda negocia contratos com outros laboratórios.

Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) afirma que “estudos clínico em andamento não contemplam a previsão de intercambialidade de vacinas, afirmar essa ser a melhor conduta de vacinação”.

Todavia, mesmo sendo indicadas para proteção contra uma mesma doença, as imunizações possuem diferentes métodos de formulação.

O ideal é sempre manter o esquema vacinal com o mesmo produto para primeira e segunda dose“, afirma o presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Juarez Cunha.

Tecnologias diferentes

Cunha explica que as tecnologias da Coronavac e a vacina de Oxford são diferentes e não há nenhum estudo de intercambialidade entre elas até agora.

A primeira usa uma versão inativada do vírus, método usado em grande parte dos imunizantes administrados no Brasil.

A segunda é tem como base o fator viral.

“Se fossem duas vacinas de mRna mensageiro, por exemplo, como a da Pfizer e da Moderna, que utilizam versão sintética do material genético do SARS-CoV-2, talvez não viria a ser um grande problema por serem vacinas de mesma plataforma. Mesmo assim, estudos são necessários”.

Casos excepcionais

No entanto, admite Cunha, a falta de vacinas da mesma marca para concluir a segunda dose é uma possibilidade a ser cogitada.

“Se aplicar a vacina e no período para segunda dose não tiver mesmo produto, é preciso levar em consideração qual é o risco maior: ficar sem a segunda dose ou aplicar de outro fabricante, mesmo sem saber se essa conduta levaria a resposta esperada ou segurança, por serem produtos diferentes”.

Outra discussão em andamento é que apesar da maioria das vacinas desenvolvidas serem de dose dupla, alguns países, como Reino Unido, têm avaliado optar por aumentar a cobertura da população a princípio com uma dose.

E, assim, atrasando a segunda dose e dando imunidade parcial para uma parcela maior de expostos, em função do surgimento de variantes do coronavírus.

Mistura de doses da imunização

A efetividade de quaisquer combinações deve ser avaliada no âmbito científico.

“Os tipos de mecanismo de imunização antigamente eram quase sempre únicos ou, se diferentes, aplicados em populações distintas, a exemplo das vacinas Salk e Sabin para a poliomielite. Alguns países usam a Salk e outros a Sabin, raramente existindo a combinação entre elas, como estratégia de imunização”, pondera o médico cardiologista e superintendente de Provimento em Saúde da Central Nacional Unimed (CNU), Daniel Peixoto de Albuquerque.

No entanto, com o passar do tempo, muitos produtores vão surgindo e estudos de intercambialidade mostram que é possível administrar a primeira dose de um fabricante e a segunda, de outro.

Essa intercambialidade já ocorre para vacinas de meningite ACWY, meningite C, pneumocócica, catapora, hepatite A e B, sarampo e penta. Porém, ainda não temos estudos de intercambialidade com vacinas de HPV e rotavírus, por exemplo”, complementa o especialista.

Fonte: Estadão

Foto: Shutterstock

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