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REAJUSTE DE PREÇOS 2026
Saúde

Mpox mata? Pega pelo ar? Beijo transmite? veja as principais buscas do Google sobre a doença

Por Guia da Farmácia 9 de março de 2026 Atualizado em: 06 de março de 2026 Nenhum comentário 5 Minutos de leitura
Mpox mata-Pega pelo ar-Beijo transmite-veja-as-principais-buscas-do Google-sobre-a-doença

“Mpox mata?”
“Mpox pega pelo ar?”
“Saliva transmite?”
“É uma doença sexualmente transmissível?”

Essas estão entre as perguntas mais digitadas no Google nas últimas semanas sobre a doença, que já soma 88 casos confirmados no país apenas em 2026.

Para esclarecer as principais dúvidas do público, o g1 ouviu especialistas e reuniu respostas diretas sobre transmissão, sintomas e risco de complicações.

Mpox mata?

Embora possa evoluir para formas graves, a mpox é considerada de baixo risco para a população em geral.

“Pode matar, sim, mas isso é raro. Hoje, para a população em geral, o risco é considerado baixo”, afirma Álvaro Costa, médico infectologista da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), consultor técnico do Ministério da Saúde para Infecções Sexualmente Transmissíveis e coordenador do serviço de HIV do Hospital das Clínicas da USP.
Segundo ele, os casos mais graves costumam ocorrer principalmente em pessoas com imunidade muito comprometida, como pacientes com HIV sem tratamento adequado, transplantados ou pacientes em tratamento de câncer.

As taxas de letalidade observadas nos surtos globais mais recentes têm sido baixas –geralmente abaixo de 1%, com números maiores em países com menos acesso aos serviços de saúde, explica Marcos Vinicius Borges, infectologista da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

Para a maioria das pessoas, o quadro é leve a moderado e se resolve sem complicações.

Pega pelo ar?

Não como o sarampo.

A principal forma de transmissão é o contato direto com lesões de pele, secreções ou mucosas da pessoa infectada.

Pode haver transmissão por gotículas respiratórias, mas isso exige contato próximo e prolongado, como ficar muito tempo frente a frente.

“Não é uma doença altamente transmissível pelo ar”, diz Costa.

Saliva transmite? E beijo?

Sim.

O vírus já foi identificado na saliva e pode estar presente em lesões na boca ou na pele do rosto.

“O beijo envolve proximidade intensa e contato de mucosas. Se houver lesões ativas, o risco existe”, explica Borges.

Por isso, se a pessoa estiver com sintomas ou feridas suspeitas, o ideal é evitar esse tipo de contato até esclarecer o diagnóstico.

É considerada uma infecção sexualmente transmissível?

Não é classificada como uma infecção sexualmente transmissível clássica, como sífilis ou HIV. Na prática, porém, muitos casos ocorrem em contextos de contato íntimo —inclusive durante relações sexuais.

“O contato íntimo durante a relação sexual facilita muito a transmissão. Mas é importante lembrar que ela também pode ser transmitida por outros tipos de contato físico próximo”, afirma Costa.

Borges reforça que isso não significa que seja uma doença restrita a um grupo específico: qualquer pessoa pode se infectar se houver contato próximo com alguém doente.

Quais são os primeiros sintomas?

Geralmente começa como uma virose:

  • febre;
  • dor no corpo;
  • dor de cabeça;
  • cansaço;
  • aumento dos gânglios (as chamadas “ínguas”).

Depois de alguns dias surgem as lesões na pele –inicialmente como bolhas (vesículas), que podem evoluir para pústulas (com pus) e, depois, formar crostas. Algumas pessoas têm poucas lesões; outras, mais.

“Ao notar algo diferente na pele, especialmente associado à febre, vale procurar avaliação médica”, orienta Borges.

Como diferenciar de catapora?

Nem sempre é possível diferenciar apenas pela aparência das lesões.

Na mpox, as lesões costumam evoluir de maneira mais uniforme –muitas ficam no mesmo estágio ao mesmo tempo.
Na catapora, é comum ver feridas em fases diferentes espalhadas pelo corpo.
A confirmação, porém, só é feita por exame laboratorial com coleta de material diretamente das lesões. Não há exame de sangue (sorologia) disponível.

Quanto tempo dura? Quando deixa de transmitir?

O quadro costuma durar entre duas e quatro semanas, e a transmissão pode ocorrer enquanto houver lesões ativas.

“Só quando todas as crostas caem e a pele está completamente cicatrizada é que o risco de transmissão praticamente desaparece”, explica Costa. O isolamento costuma ser recomendado por cerca de 21 dias.

Existe tratamento?

Na maioria dos casos, o tratamento é de suporte: controle da dor, da febre e cuidados locais com as lesões.

Existe um antiviral específico, o tecovirimat, indicado para situações mais graves ou pacientes com maior risco de complicação.

“Ele é usado de forma criteriosa. Não é necessário para todos os casos”, afirma Borges.

Complicações como acometimento ocular exigem avaliação urgente. Se houver infecção bacteriana secundária nas lesões, pode ser necessário antibiótico.

Quem pode se vacinar?

A vacina não está disponível para a população em geral.

Ela é direcionada a grupos prioritários, como:

  • pessoas vivendo com HIV com imunidade baixa (CD4 abaixo de 200);
  • pessoas em uso de PrEP;
  • trabalhadores de laboratório que manipulam o vírus;
  • pessoas com exposição comprovada ao vírus (vacinação pós-exposição).

“A estratégia é proteger quem tem maior risco de complicação ou maior risco de exposição. Nem todo mundo precisa vacinar no momento”, explica Borges.

Fonte: G1
Foto: Shutterstock

Leia também:

Brasil se aproxima de 90 casos confirmados de mpox

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