
As mulheres já representam 51% da força de trabalho da indústria farmacêutica brasileira e estão próximas da paridade nos diferentes níveis de liderança: ocupam 49% das posições de coordenação e supervisão, 45% das gerências e 44% dos cargos de diretoria, presidência e vice-presidência.
Na posição de CEO, a participação feminina chega a 26%, resultado positivo na comparação com outros segmentos no Brasil, embora ainda haja espaço para ampliar essa representatividade.
Os dados fazem parte da 4ª edição da Pesquisa Presença e Liderança Feminina, realizada pela Central de Pesquisas do Sindusfarma, a pedido da LeaderShe, iniciativa que tem como objetivo ampliar a presença feminina em cargos de liderança no setor. Os resultados foram apresentados durante o SheTalks 2026.
Liderança
A pesquisa revela uma indústria que avançou na presença feminina e apresenta resultados relevantes também nos espaços de decisão.
As mulheres lideram 75% das áreas de Recursos Humanos, 66% de Compliance, 60% do Jurídico e 55% das Unidades de Negócio.
Já no nível da presidência, a presença feminina é de 26%; em Finanças e Tecnologia, 22%; e em Vendas, 20%.
“Chegamos a um momento em que podemos celebrar uma presença feminina significativa na indústria farmacêutica. O próximo passo é garantir que esse avanço continue até os espaços máximos de decisão. Não basta ter mulheres nas organizações: precisamos criar condições para que elas avancem, permaneçam, sejam ouvidas e exerçam plenamente sua liderança”, afirma Heloisa Simão, Chairwoman da LeaderShe e Conselheira de Administração.
Avanços ocorrem de forma desigual
Ao avaliar a presença feminina em cargos de liderança – da coordenação e supervisão à gerência, diretoria e presidência, o estudo mostra que o avanço não ocorre da mesma forma para todas as mulheres.
As mulheres negras, pretas ou pardas, representam 27% do total de mulheres nas empresas pesquisadas, mas apenas 13% das mulheres em cargos de liderança.
Mulheres acima de 50 anos correspondem a 11% do total feminino e 14% das lideranças, enquanto mulheres com deficiência representam 3% do total e apenas 1% das posições de liderança.
Os números reforçam a necessidade de ampliar o debate sobre raça, etarismo, deficiência e outras barreiras que atravessam as trajetórias profissionais femininas.
“Quando falamos em mulheres, não estamos falando de um grupo homogêneo. Os dados mostram que raça, idade e deficiência ainda interferem nas oportunidades e nas trajetórias profissionais. A evolução da agenda de equidade passa por entender quem está conseguindo avançar, quem ainda encontra mais barreiras e o que as empresas podem fazer concretamente para mudar esse cenário”, afirma Laurena Magnoni, Co-Chair da LeaderShe.
Desenvolvimento de carreira
Outro destaque da pesquisa é o crescimento das iniciativas de desenvolvimento. Aproximadamente 49% das empresas possuem programas voltados à formação de lideranças femininas, avanço de 13 pontos percentuais em relação a 2025.
Também chegou a 73% a parcela de empresas que oferecem benefícios adicionais dedicados às mulheres, como programas de apoio às gestantes, auxílio-babá e iniciativas para o retorno da maternidade.
Apesar disso, a incorporação da equidade à gestão ainda é limitada: apenas 30% das empresas possuem objetivos ou metas específicos relacionados à presença de mulheres e ao desenvolvimento da liderança feminina, e somente 28% utilizam indicadores para mensurar esses avanços.
Protagonismo feminino
Os resultados da pesquisa foram apresentados no SheTalks 2026, realizado em 21 de agosto, em São Paulo.
Em sua quarta edição, o encontro teve como tema central “Protagonismo feminino em um mundo em transformação” e reuniu cerca de 500 participantes, em sua maioria mulheres que atuam na área da saúde.
A programação abordou a presença da mulher na saúde, representatividade feminina nas políticas públicas, inteligência artificial, cultura digital, carreira e protagonismo.
O papel dos homens como aliados também ganhou espaço no evento, reforçando que o avanço da equidade não é uma responsabilidade apenas das mulheres.
O debate destacou a importância do engajamento das lideranças masculinas na construção de ambientes mais inclusivos e na ampliação das oportunidades para que mais mulheres avancem profissionalmente e ocupem espaços de decisão.
O evento também reforçou a atuação da LeaderShe como espaço de conexão, desenvolvimento e protagonismo coletivo, com foco no fortalecimento da liderança feminina e na ampliação da presença das mulheres nos espaços de influência e decisão.
Metodologia a pesquisa
A Pesquisa Presença e Liderança Feminina 2026 foi realizada pela Central de Pesquisas do Sindusfarma, a pedido da Iniciativa LeaderShe.
O levantamento analisou presença feminina, níveis de liderança, diversidade, contratação e promoção, metas, indicadores, benefícios e programas de desenvolvimento em 95 indústrias farmacêuticas, correspondentes a 137 empresas e a 72% do mercado em faturamento, segundo a Auditoria IQVIA – Mercado Retail.
Fonte: LeaderShe
Foto: Shutterstock
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