Mundo tem 1 milhão de mortos pela Covid-19

Organização Mundial da Saúde alerta que o número pode dobrar no mundo para 2 milhões antes de uma vacina contra a Covid ser distribuída

O mundo chegou a um milhão de mortos por Covid-19 nesta segunda-feira, 28.

No Brasil, são quase 150 mil mortos.

Os Estados Unidos ultrapassaram a marca de 200 mil mortos por coronavírus.

pandemia que vitimou milhares de pessoas não permite prognósticos.

Após o número de casos disparar no começo, com aumento de casos em muitos países, houve, assim, uma diminuição provocada pelos bloqueios e pelo aumento das temperaturas no Hemisfério Norte, mas os casos voltaram a aumentar na maioria dos países.

Uma nova onda a caminho?

Ficam as dúvidas: O número de casos nos Estados Unidos e na Europa vai continuar desacelerando nos próximos meses?

“O que vai acontecer, ninguém sabe”, disse a epidemiologista de doenças infecciosas do Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Texas em Houston, Catherine Troisi. “Este vírus nos surpreendeu em muitas frentes e podemos ser surpreendidos novamente.”

Nos Estados Unidos, por exemplo, menos casos novos de coronavírus foram detectados semana a semana desde o final de julho.

Mas, todavia, nos últimos dias, a contagem diária de novos casos no país está subindo, à medida que universidades e escolas reabrem e o clima mais frio empurra as pessoas para dentro de casa antes do que alguns epidemiologistas temem ser um inverno devastador.

O número de mortos por coronavírus nos Estados Unidos é agora quase igual à população de Akron, Ohio, ou quase duas vezes e meia o número de militares dos EUA que morreram, assim, em batalha nas guerras do Vietnã e da Coreia juntas, e cerca de 800 pessoas morrem diariamente.

Números da Covid-19 no mundo

Em todo o mundo, pelo menos 73 países estão observando surtos de casos recém-detectados.

Na Índia, por exemplo, mais de 90 mil novos casos estão sendo detectados diariamente, adicionando um milhão de casos desde o início deste mês e enviando o total de casos do país para mais de cinco milhões.

Na Europa, porém, o vírus mais uma vez está em seu caminho por todo o continente enquanto as pessoas continuam com suas vidas.

Israel, com quase 1.200 mortes atribuídas ao vírus, impôs, no entanto, um segundo bloqueio na semana passada, uma das poucas nações que ainda o fez.

Quando a primeira onda de infecções se espalhou pelo mundo, os governos impuseram, no entanto, restrições radicais ao movimento:

Mais de quatro bilhões de pessoas estavam sob algum tipo de ordem para ficar em casa.

Mas a maioria das nações agora está tentando desesperadamente evitar o recurso novamente a medidas tão intensas.

“Temos uma situação muito séria diante de nós”, disse o diretor regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a Europa, Hans Kluge. na semana passada. “Os casos semanais já ultrapassaram os relatados quando a pandemia atingiu seu primeiro pico na Europa em março”.

Em toda a América Latina, o número de mortos é de quase 350 mil.

Dois terços do total vêm de apenas duas nações: o Brasil com quase 150 mil mortes relatadas e o México com 72 mil. A diretora da Organização Pan-Americana da Saúde, Carissa F. Etienne, advertiu que a ameaça persiste.

“A América Latina começou a retomar a vida social e pública quase normal em um momento em que a Covid-19 ainda requer grandes intervenções de controle”, disse ela na semana passada.

A triste situação da pandemia nos Estados Unidos

“Devemos deixar claro que a abertura muito cedo dá a este vírus mais espaço para se espalhar e coloca nossas populações em maior risco. Basta olhar para a Europa.”

As mortes por coronavírus nos Estados Unidos passaram de 200 mil, assim, deixando famílias em todo o país de luto.

Faz apenas quatro meses, no final de maio, que a lista de mortes do país chegou a 100 mil.

O número de casos pode ser maior, por causa da subnotificação, que não inclui algumas pessoas que morreram de Covid-19 sem sintomas.

Bem como aqueles que morreram de causas secundárias que também estão ligadas à pandemia.

Quando o vírus alcançou os Estados Unidos nesta primavera, no entanto, as mortes aumentaram.

Em meados de abril, mais de 2 mil pessoas morriam a cada dia, em média.

As mortes aumentaram novamente neste verão, à medida que os casos aumentaram no sul e no oeste.

O ritmo diminuiu consideravelmente desde então.

Embora a capacidade dos sistemas de saúde varie amplamente em todo o mundo, a detecção precoce de infecções, os esforços para manter o vírus fora de lares de idosos e longe dos grupos mais vulneráveis e melhores tratamentos levaram a menos mortes.

Menos pessoas precisam ser colocadas em ventiladores e aqueles que ficam gravemente doentes tiveram, assim, mais espaço para receber tratamento.

Sem a cura…

Ainda assim, conforme a corrida por uma vacina continua, não há cura para a covid-19.

Nos Estados Unidos, o número de mortes diárias causadas pelo vírus é menor do que no início de agosto, quando mais de 1.200 mortes ocorriam todos os dias.

No entanto, as mortes continuam a crescer em 12 Estados e dois territórios.

O diretor do Centro de Segurança Sanitária da Escola de Saúde Pública Johns Hopkins, Tom Inglesby, disse que, assim, era possível que o número de mortos nos Estados Unidos pudesse chegar a 300 mil se o público baixasse a guarda.

“Há muitos países que podemos considerar nossos pares econômicos, ou que são muito menos desenvolvidos em termos de economia ou sistemas de saúde, que estão tendo muito menos mortalidade”, disse ele.

Diferenças da atuação do vírus nos países

O contraste com outros países industrializados ricos é gritante, refletindo como o vírus ainda está se espalhando por partes dos Estados Unidos.

Em um dia da semana passada, os Estados Unidos relataram 849 novas mortes.

No mesmo dia, a Itália, que já foi o epicentro da pandemia, teve 13 mortes.

Canadá e Alemanha relataram sete mortes naquele dia.

O vírus, dessa forma, decolou mais tarde nos Estados Unidos do que em alguns outros lugares.

Mas os casos nunca foram totalmente controlados.

Desde o início de abril, o total de casos diários médios do país não caiu abaixo de 20 mil, e uma questão essencial surgiu no final do verão.

A tendência geral de queda nos relatórios diários do país sobre novos casos e mortes desde agosto continuaria – ou o recente aumento nos casos seria um sinal de um novo padrão preocupante?

A especialista em doenças infecciosas pediátricas da Universidade de Stanford, Yvonne Maldonado, comparou dessa forma, a conjuntura atual do país com a da Califórnia semanas atrás, quando surgiu um novo aumento de casos.

“Para nós na Califórnia, passamos por aquele período em que estávamos realmente orgulhosos do bloqueio e de nossa capacidade de realmente achatar a curva”, disse Maldonado. “Acabamos nos tornando muito confiantes.”

E o fim da pandemia?

A pandemia pode ser prolongada, ela alertou, como a pandemia de gripe de um século atrás.

A gripe espanhola, por exemplo, se espalhou pelos Estados Unidos em três ondas:

Uma na primavera de 1918, outra naquele outono e ainda outra no inverno e na primavera de 1919.

Naquela pandemia de gripe, cerca de 675 mil americanos morreram.

Novos fatores aumentam as incertezas do curso do coronavírus.

Espera-se que o tempo frio teste os riscos de ambientes fechados mais do que nunca.

A chegada da temporada de gripe, no entanto, ameaça testar ainda mais o sistema de saúde.

E o sucesso dos esforços para evitar que o vírus se espalhe por escolas e campus universitários permanece, dessa forma, incerto.

O professor associado de epidemiologia da Escola de Saúde Pública de Harvard, Bill Hanage, disse, porém, que devido à grande variação na forma como as escolas estão reabrindo.
Com algumas reforçando estritamente o distanciamento social e requisitos de máscara e outras não.
 “Esperamos que haja uma gama bastante ampla em termos de consequências. ”
Foto: Shutterstock
Fonte: Estadão

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