
A Nestlé anunciou R$ 2 bilhões em investimentos na divisão de nutrição e saúde no Brasil até 2028. O aporte equivale a 30% do plano de R$ 7 bilhões para o país entre 2025 e 2028. O principal projeto é uma fábrica de fórmulas infantis em Ituiutaba (MG), orçada em R$ 600 milhões.
A unidade terá capacidade de 40 mil toneladas anuais e funcionará junto ao complexo em Ituiutaba, maior operação de lácteos da companhia na América Latina.
Segundo Marcelo Melchior, presidente da Nestlé Brasil, construir a fábrica no mesmo terreno evita gastos pesados em infraestrutura nova, compartilhando energia, vapor e água. O projeto prevê gerar 700 empregos na construção e outros 100 postos diretos na operação.
As obras começam em 2027, com operação em 2028, visando suprir o mercado nacional. “Nós não investimos para exportação. A exportação é um subproduto dos nossos investimentos. Mas o que acontecia é que nós estávamos ‘engargalados’ na produção, então tivemos que trazer uma pequena parte de fora, principalmente do Chile. Agora, nós vamos ao contrário. Poderemos exportar algum excedente”, afirmou Melchior.
O investimento em fórmulas ocorre sob um cenário demográfico de recuo da natalidade. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o Brasil registrou 2,38 milhões de nascimentos em 2024, queda de 5,8% em relação a 2023, na sexta retração anual consecutiva. No Sudeste, a baixa foi de 6,3%.
Questionado sobre os impactos dessa tendência, Melchior ponderou que a transição demográfica é um processo lento, gradual e que tende a se estender por décadas. “Acredito que ainda temos muito a fazer em nutrição infantil, porque é na base que você resolve muitos problemas do futuro”, disse, se referindo aos hábitos alimentares formados na primeira infância.
É nessa fase que ocorre a chamada programação metabólica do corpo humano, associada à janela crítica dos primeiros mil dias de vida. “Qualquer doença, inclusive aquelas que ficam para o resto da vida, como diabetes, tem nesses primeiros mil dias um período fundamental. Está tudo muito interligado”, completou o presidente.
Para Marcelo Citrângulo, vice-presidente de nutrição e saúde da Nestlé Brasil, a queda na natalidade exige justamente foco educativo contra esses desvios alimentares no início da vida. “Hoje, a taxa de natalidade diminuiu, mas tem um dado muito importante que é a penetração de alimentos inadequados até o primeiro ano de vida. Nosso papel é gerar essa consciência”, afirmou.
Essa estratégia apoia-se em pesquisa e desenvolvimento. Globalmente, a multinacional investe cerca de 1,8 bilhão de francos suíços por ano na área e conta com 800 cientistas. A empresa concentra parte dos esforços no desenvolvimento de fórmulas infantis com componentes presentes no leite materno.
Segundo Citrângulo, dos oito tipos de HMOs (oligossacarídeos do leite humano) patenteados no mundo, a Nestlé detém seis. Esses compostos estão associados ao desenvolvimento do sistema imunológico e à saúde intestinal dos bebês. Há três meses, a empresa lançou no Brasil a primeira fórmula nacional com probióticos.
Fonte: Aspid
Foto: Shutterstock
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