
O Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma) acredita que o reajuste do preço dos medicamentos deve prevalecer conforme determinação da Câmara de Regulação do Mercado (CMED).
“Estamos preocupados com a saúde financeira da indústria farmacêutica diante do recente e expressivo aumento de custos. Para as empresas mais pressionadas por essa circunstância, o reajuste, ainda que baixo, vai ajudar a equilibrar as contas e viabilizar a produção”, pontuou o presidente executivo da entidade, Nelson Mussolini.
Segundo ele, o reajuste anual de preço dos medicamentos é absolutamente necessário para viabilizar a operação da indústria farmacêutica no País, assim, garantindo o fornecimento normal de medicamentos para a população.
“Após 14 meses de preços inalterados, a indústria farmacêutica precisa desse reajuste anual – de apenas 4,08%, na média – para repor parte do aumento de custos acumulados no ano passado e, mais recentemente, em razão da pandemia de coronavírus, com as expressivas altas do dólar e dos custos de logística, matérias-primas e insumos. Ressalte-se, ainda, que os valores sobre os quais o reajuste incide são relativamente baixos. Por exemplo, no Brasil, uma caixa de medicamento genérico custa pouco mais de R$ 6,00, em média, e um medicamento similar ou novo, menos de R$ 20,00, segundo levantamento CMED, de 2018”, destacou a entidade.
Ascoferj explica a importância do reajuste
A Associação do Comércio Farmacêutico do Estado do Rio de Janeiro (Ascoferj) também defende a visão do Sindusfarma
“Acredito que [o reajuste] deva prosseguir, até porque a Resolução da CMED já está vigorando. Existe um conjunto de fatores que preveem esse reajuste. O primeiro deles é o mais tradicional, que é a reposição da inflação. Todos os anos, nossos custos fixos aumentam, e não seria diferente com os medicamentos. O segundo fator é a questão da importação. O Brasil não produz insumos farmacêuticos e, por isso, importa aproximadamente 90% deles de países como China e Índia. Essa operação é em dólar, que tem atingido valores cada vez maiores nesta pandemia”, diz o presidente da Ascoferj, Luis Carlos Marins.
Logística de transporte
O terceiro fator – a logística de transporte – está diretamente ligado ao segundo. “Normalmente, os insumos chegam ao Brasil por navio. Hoje, durante a pandemia, está chegando de forma aérea. Com isso, o valor do frete, também pago em dólar, aumentou muito. São muitos custos envolvidos nessa operação, o que torna o reajuste uma ação necessária”, destacou.
De acordo com ele, uma nova suspensão traria prejuízos para as farmácias e para a indústria. “Temo que, se o aumento do valor do medicamento for novamente suspenso, isso pode vir a gerar falta de moléculas na indústria brasileira e, consequentemente, falta de produtos no mercado. Como comprar um produto e vendê-lo abaixo do custo tido para produzi-lo? O custo da compra da matéria-prima, importação e industrialização é alto e; caso o reajuste seja novamente suspenso, o fabricante ficaria no negativo, o que seria muito pior”; avalia o executivo acrescentando que, no momento atual, em meio a uma pandemia, não seria prudente realizar essa suspensão. “Muitas pessoas tomam medicamentos de uso contínuo que não podem ser interrompidos. É melhor pagar um pouco a mais do que parar os tratamentos”, argumentou Marins.
Proposta de adiamento do reajuste segue na Câmara
O Senado aprovou no início do mês, com 71 votos a favor e 2 contrários, o PL 1.542/2020, do senador Eduardo Braga (MDB-AM), pede novo adiamento doo reajuste anual no preço dos medicamentos por mais 60 dias. A proposta está na Câmara dos Deputados.
Segundo o senador, é imprescindível aumentar o período da suspensão dos reajustes e estendê-la aos planos e seguros privados de assistência à saúde.
Eduardo Braga afirmou na justificativa que a medida é importante evitar aumento de preços em um momento que os efeitos econômicos causados pela crise da Covid-19 têm provocado uma perda significativa da renda das famílias pela necessidade de isolamento social, que faz com que os cidadãos percam seus empregos ou tenham seus salários reduzidos.
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Fonte: Guia da Farmácia / Agência Senado
Foto: Shutterstock