
A Novo planeja lançar mais de cinco medicamentos até 2030 e espera gerar US$ 23 bilhões em vendas ajustadas ao risco com seu portfólio em desenvolvimento até 2035. A farmacêutica quer ampliar a atuação para doenças hematológicas, endócrinas, hepáticas e cardiovasculares, além de obesidade e diabetes. O plano foi apresentado enquanto as ações da Novo acumulam queda e a empresa enfrenta a concorrência da Eli Lilly no mercado de medicamentos para perda de peso.
A Novo pretende ampliar seu portfólio de medicamentos nos próximos anos para recuperar o ritmo de crescimento e reduzir a dependência dos negócios de obesidade e diabetes.
A farmacêutica dinamarquesa anunciou nesta segunda-feira (21) que planeja lançar mais de cinco medicamentos com potencial para se tornarem grandes sucessos comerciais até 2030.
A estratégia foi apresentada pelo CEO Mike Doustdar durante o Capital Markets Day da companhia, em Londres, em meio à pressão crescente sobre a Novo no mercado de medicamentos para perda de peso.
A empresa estima que seu portfólio de produtos em desenvolvimento poderá gerar mais de 150 bilhões de coroas dinamarquesas, ou cerca de US$ 23 bilhões (R$ 117,8 bilhões), em vendas ajustadas ao risco até 2035.
A companhia também projeta que sua receita cresça entre 2026 e 2030 em ritmo semelhante ao de seus pares do setor. O anúncio, porém, não conseguiu afastar as preocupações dos investidores.
Novo amplia atuação para outras áreas
A diversificação anunciada representa uma mudança na estratégia da farmacêutica. Depois de assumir o comando da empresa no ano passado, Doustdar havia reforçado a concentração nos principais negócios de obesidade e diabetes.
Agora, esses segmentos continuam sendo tratados como a base da companhia, mas a Novo pretende ampliar o portfólio para outras áreas terapêuticas. Entre os focos mencionados estão doenças hematológicas e endócrinas, doenças hepáticas e doenças cardiovasculares.
A empresa também pretende intensificar sua atuação em desenvolvimento de negócios. Essa frente, no entanto, não está incluída na meta de vendas estabelecida para 2030.
O plano ocorre em um momento em que a Novo precisa encontrar novas fontes de crescimento. A companhia enfrenta a expansão da Eli Lilly, que ganhou participação no mercado de medicamentos injetáveis da classe GLP-1 com Mounjaro e Zepbound, mesmo tendo lançado os produtos depois dos medicamentos da concorrente dinamarquesa.
A Novo tenta responder também com novas versões de seus próprios produtos. O comprimido do Wegovy começou a ser comercializado nos Estados Unidos no início deste ano e posteriormente chegou a outros mercados. Apesar do desempenho inicial considerado forte, a apresentação oral ainda representa uma parcela pequena das vendas totais da companhia.
Patente da semaglutida aumenta pressão
A necessidade de diversificar também está relacionada ao futuro da semaglutida, princípio ativo utilizado em medicamentos como Wegovy e Ozempic. Durante o evento em Londres, Doustdar apontou a perda de exclusividade de algumas das principais patentes da substância como uma das questões centrais para a companhia.
Nos Estados Unidos, a patente da semaglutida expira em 2032. O país respondeu por mais da metade das vendas totais da Novo no ano passado, o que torna a entrada de concorrentes genéricos ou de outras versões do medicamento uma preocupação relevante para o negócio.
Segundo Doustdar, a Novo pretende atravessar esse período como uma empresa maior e mais diversificada, sem subestimar a pressão que a perda de exclusividade poderá provocar sobre os preços.
A concorrência já afeta a percepção do mercado. No mesmo período em que as ações da Novo recuaram 27%, os papéis da Eli Lilly subiram 52%.
Além disso, uma sequência de resultados negativos em testes clínicos e mudanças na liderança ao longo do último ano aumentou a cautela dos investidores. Em agosto, a Novo informou que espera uma variação de zero a uma queda de 6% nas vendas e no lucro operacional ajustados de 2026, considerando taxas de câmbio constantes.
A própria mudança de estratégia também representa uma ruptura recente. Recenetemente, a companhia anunciou a troca do nome Novo Nordisk para Novo e uma reformulação de sua cultura corporativa.
Fonte: Times Brasil
Foto: Novo
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