
Rodrigo Rojas, executivo de Recursos Humanos. Crédito: divulgação
Toda estratégia tem um gargalo que raramente aparece no plano financeiro: a qualidade das decisões sobre pessoas. Quem lidera a abertura do próximo canal de vendas? Quem garante a expansão sem perder o time que faz a operação funcionar? Quem sustenta a cultura quando a organização dobra de tamanho?
Essas perguntas têm preço, e a empresa paga caro quando chegam tarde demais. O varejo farmacêutico opera sob pressão crescente. Marketplaces e varejo alimentar ampliaram a competição. A indústria cobra retorno sobre o investimento (ROI) com mais rigor.
As vendas se diluem entre loja física, digital e delivery. A sofisticação das operações, incluindo precificação, trade marketing e Gerenciamento por Categorias (GC), exige escolhas melhores em cada nível. Nesse cenário, Recursos Humanos que só reage tem utilidade limitada.
O que cria valor é Recursos Humanos que antecipa, que chega antes do problema, não depois do estrago. O que une estratégia e execução não é tecnologia, não é capital: são pessoas e a qualidade das escolhas que fazem. No varejo farmacêutico, isso é literal: a rede que coloca a pessoa certa no lugar certo, mais rápido que a concorrência, ganha margem e mercado.
Cultura é o que acontece quando o gerente precisa decidir sozinho no balcão. É a consistência com que dezenas de lojas executam a mesma direção sem aprovação em três níveis. Quando esse ativo está construído, a organização acelera. Quando não está, cada nova abertura vira risco e cada novo canal, uma guerra interna. Construir isso é trabalho de negócio, e é aí que o RH cria valor de verdade.
Resultado não é coincidência. É consequência de quem está em cada posição crítica e de quanto tempo a rede leva para colocar a pessoa certa lá. Quem domina essa equação não precisa justificar presença na mesa, porque o negócio não funciona sem ele.
Papel estratégico da área de Recursos Humanos: o que fazer na prática?
- Traduza cada prioridade da empresa em decisão concreta sobre pessoas, e apresente a agenda de RH conectada à estratégia da organização, com indicadores relevantes para resultado.
- Entre nos processos de expansão de lojas e canais de venda no início, não no momento do incêndio.
- Garanta que as lideranças estejam prontas para o que o setor exige: precificação, trade marketing, GC.
- Faça da sucessão uma agenda permanente, e não um exercício anual desconectado do ritmo da operação.
- Identifique quem você não pode perder, e aja antes de precisar. Engajamento é mais barato que reposição.
* Artigo escrito por Rodrigo Rojas, executivo de Recursos Humanos com mais de 25 anos de experiência no varejo e bens de consumo, com passagens por empresas como Carrefour, Grupo BIG/Walmart, Supermercados Mundial e Souza Cruz
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