
Muitas pesquisas mostram que as crianças são menos suscetíveis à infecção pelo novo coronavírus. Quando são vítimas da doença, a maioria dessa faixa etária tende a ser assintomática ou desenvolver apenas sintomas leves, explica a pediatra membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e especialista em Suporte de Vida em Pediatria pelo Instituto Sírio-Libanês e pelo Hospital do Coração (HCor), Dra. Andressa Tannure.
“Até o momento, não podemos dizer que as crianças são menos infectadas pela Covid-19, porque a infectividade é a mesma para qualquer faixa etária e há muito exame falso-negativo. A diferença dos adultos é que as crianças não se encaixam no grupo de risco para desenvolver formas graves, pertencendo ao grupo dos cerca de 70% de indivíduos assintomáticos ou com sintomas leves”.
Embora ainda não se saiba a razão pela qual o quadro é mais leve em crianças quando comparado aos adultos, a Dra. Andressa comenta que uma das hipóteses é que as infecções virais recorrentes nas crianças contribuem com o sistema imunológico na resposta ao SARS-CoV2.
Covid-19 em crianças
“Acredita-se que o SARS-CoV2 utiliza como receptor para sua entrada nas células do epitélio respiratório a enzima conversora da angiotensina 2 (ACE2) e as crianças apresentam menor expressão dessa enzima, dificultando sua replicação”.
Segundo a médica, outro estudo sugere que com o avanço da idade ocorre um declínio do sistema imunológico, principalmente das células TCD8, que parecem ter um papel fundamental no combate às infecções virais.
“Logo, ter pouco idade seria uma vantagem, já que a idade avançada é um fator de risco para evolução de formas mais graves”.
A pediatra e neonatologista da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Dra. Thais Bustamante, especula que três fatores possam explicar o índice menor de infecção entre crianças. Primeiramente, ela também reforça o fato de que esse público apresenta menos receptores da enzima conversora de angiotensina (ECA) na mucosa respiratória, mecanismo necessário para o Sars-COV19 invadir o organismo e se replicar. A segunda hipótese seria as crianças apresentarem menos doenças crônicas que os adultos e idosos, portanto reagem, de certa forma, melhor contra o Sars-COV19. E, por fim, o sistema imune das crianças já estaria “de prontidão ” para se defender contra o Sars-COV19, uma vez que a situação vacinal de grande parte delas está atualizada e o meio em que vivem (creches e escolas) traz contato com outros vírus que podem desencadear respostas imunes que, de certa forma, a protejam.
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Fonte: Guia da Farmácia
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