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O que torna a variante brasileira do coronavírus tão perigosa?

Por Guia da Farmácia 13 de abril de 2021 Atualizado em: 09 de abril de 2021 Nenhum comentário 5 Minutos de leitura
variante-brasileira-perigosa

 Nos últimos dias se confirmou o que os virologistas vinham alertando desde janeiro: a variante brasileira e perigosa, P.1 do coronavírus, identificada pela primeira vez em Manaus, se impôs e agora se espalha numa velocidade assombrosa.

Se no início do ano havia menos de mil mortes por dia no Brasil, desde o fim de março os números aumentam de forma dramática. Atualmente, são mais de 3 mil mortes todos os dias.

Cerca de 90% das novas infecções são atribuídas à P.1.

Em meio à falta de testagem em larga escala e a subnotificação, o número real de novos casos não pode ser determinado com segurança. Mas uma coisa é certa: a disseminação do vírus ficou completamente fora de controle. De acordo com números oficiais, mais de 13 milhões de pessoas já contraíram o coronavírus no país até agora.

Os médicos também partem do pressuposto de que há um grande número de casos não notificados, já que provavelmente muitos doentes e pacientes recuperados nunca entraram para as estatísticas. Outros países onde a variante se espalha são México, Suécia, Bélgica e Colômbia.

O que se sabe sobre a variante P.1?

Os médicos detectaram a variante pela primeira vez em 10 de janeiro em Manaus. Ela possui 17 mutações, três das quais estão na proteína spike.

São provavelmente estas últimas que fazem com que o vírus possa penetrar mais facilmente nas células para então se multiplicar.

Particularmente problemática é a mutação E484K: acredita-se que ela seja responsável por permitir que pessoas que se recuperaram de uma infecção contraiam o vírus novamente.

Inicialmente, a P.1 se espalhou sobretudo no Amazonas. Então, isso chamou atenção, pois grande parte da população já tinha tido Covid-19, e os médicos acreditavam numa possível imunidade natural de rebanho.

Tal esperança foi destruída pela P.1. As mutações da variante brasileira são semelhantes às da variante sul-africana (B.1.351), mas se desenvolveram de forma independente.

A infecção com P.1 é mais grave que com outras variantes?

Pelo observado em outros países onde a P.1 foi detectada, o quadro da doença não é mais severo do que nas infeções com a cepa original.

Embora ainda faltem dados conclusivos sobre o assunto, uma coisa é certa: a variante P.1 é muito mais contagiosa.

No Brasil, isso resultou na sobrecarga do sistema de saúde e, consequentemente, no alto número de mortos.

A maioria dos pacientes não consegue chegar às unidades de terapia intensiva, e os suprimentos de oxigênio são escassos.

O fato de que quase não existem números confiáveis ​​sobre novas infecções em tais circunstâncias torna atualmente quase impossível fazer uma declaração estatisticamente confiável sobre o perigo da variante P.1.

Quão eficazes são as vacinas disponíveis?

Um estudo feito com mais de 67 mil profissionais de saúde de Manaus concluiu que a CoronaVac é 50% efetiva na prevenção de infecções sintomáticas causadas pela variante P.1 do coronavírus, duas semanas após a aplicação da primeira dose.

Ainda não se sabe se e quão bem funcionam as outras vacinas atualmente disponíveis contra a variante P.1.

Sabe-se, contudo, que  apenas que os princípios ativos das vacinas da AstraZeneca-Oxford e da Pfizer-Biontech, por exemplo, formam anticorpos neutralizantes contra a variante em laboratório. Mas um estudo preliminar mostra que eles não são tão eficazes quanto contra o tipo selvagem.

Sabe-se também que a vacina da AstraZeneca não é tão eficaz contra a variante sul-africana, que apresenta mutações semelhantes na proteína spike.

Variante brasileira do coronavírus é a 2ª mais detectada nos EUA

É o que apontam dados do Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), órgão de saúde do país.

Os EUA passam por uma nova escalada no número de casos confirmados, com quase 80 mil infectados na quinta-feira (8), e voltou a passar o Brasil na média de novos infectados na segunda-feira (5).

Autoridades de saúde americanas alertam sobre a disseminação de várias variantes mais transmissíveis, algumas das são responsáveis por surtos em estados como Michigan e Califórnia, de acordo com o jornal “The Washington Post”.

De acordo com os dados dos CDCs, a variante britânica (B.1.1.7) é responsável por quase 20 mil casos em todos os 50 estados dos EUA e se tornou a cepa dominante.

Mas, pela primeira vez, a variante brasileira (P.1) apareceu em segundo lugar. Foram detectadas 434 pessoas infectadas com a cepa brasileira, contra 424 casos da variante sul-africana (B.1.351).

O maior número de casos confirmados de Covid-19 com a perigosa variante brasileira foram encontrados nos estados de Massachusetts, Illinois e Flórida.

Países mais afetados

Os EUA estão vendo o número de casos voltarem a subir. Foram registrados uma média de 66 mil casos por dia na última semana, contra 53,6 mil em 23 de março, segundo o “Our World in Data”.

No entanto, o país voltou a passar na segunda o Brasil (62,8 mil) na média de casos.

Mas o número de novos infectados nos EUA ainda é muito menor do que o pico de 250 mil registrado, então, em 8 de janeiro.

A Índia também registrou um recorde de novos infectados pela quarta vez em cinco dias e tem, assim, a maior média de novos casos por dia do mundo: 108 mil.

Em número de mortes, o Brasil segue disparado em primeiro lugar, com uma média de 2.820 óbitos por dia na última semana. Em seguida vêm os EUA (978) e Índia (606).

Nove perguntas e respostas sobre as variantes do novo coronavírus

Fonte: G1

Foto: Sutterstock

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