Obesidade aumenta risco de câncer em até sete vezes

Índice de obesidade no Brasil cresceu 67,8% entre 2006 e 2018 e cânceres estão entre as mais de 195 comorbidades do ganho de peso

Devido às alterações metabólicas e mecânicas causadas no corpo, pessoas com obesidade correm o risco de desenvolver mais de 195 complicações associadas ao ganho de peso. Entre as complicações relacionadas à obesidade estão hipertensão, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, doença pulmonar e acidente vascular cerebral (AVC). Como se não bastasse, o ganho de peso também pode aumentar o risco de câncer em até sete vezes. Além disso, a obesidade pode ser responsável por até 9% de todos os casos de neoplasias em mulheres.

O alerta é da endocrinologista e gerente médica da Novo Nordisk, Rocio Coletta. “O conhecimento da relação entre obesidade e câncer não é novo. Desde 2002, pesquisadores da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, instituição vinculada à Organização Mundial de Saúde (OMS), já concluíram que existem evidências suficientes ligando ganho de peso a uma série de neoplasias. Quando falamos de alguns tipos de neoplasias (proliferação anormal de células), o risco de pacientes com obesidade chega a ser sete vezes maior“, ressalta.

Obesidade e câncer

Embora os mecanismos exatos de como o acúmulo de gordura pode levar ao câncer, os cientistas possuem algumas hipóteses. Uma delas é que a obesidade beneficia a proliferação das células cancerígenas, chamada pelos médicos de carcinogênese. Isso porque o tecido adiposo (gordura) acabaria contribuindo para a criação de um “microambiente” favorável ao crescimento dos tumores e metástases. Ainda assim, a especialista reforça que muitas pesquisas ainda precisam acontecer para elucidar esse processo.

Para os casos de cânceres de cólon, reto, gástrico, fígado, vesícula, pâncreas, rim e esôfago já existem associações significativas entre o Índice de Massa Corporal (IMC) do paciente e o risco de desenvolver esses tumores. Para essas neoplasias, é vista inclusive uma relação dose-resposta entre esses fatores, ou seja, quanto maior o IMC, maior a chance.

“Pesquisadores da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer identificaram, por meio de meta-análises, que esses dados de risco foram consistentes regionalmente. Por isso, servem como um sinal de alerta mundial”, reforça a gerente médica da Novo Nordisk.

Epidemia global

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade atinge 600 milhões de pessoas globalmente e já é reconhecida como uma doença crônica que necessita de tratamento a longo prazo, como diabetes e hipertensão, o que envolve um conjunto de mudanças no estilo de vida, como alimentação saudável e prática de exercícios, além de tratamento farmacológico ou cirúrgico, se o médico especialista julgar necessário.

O crescimento da obesidade no mundo é considerado evidente e alarmante. Atualmente, um em cada oito adultos tem obesidade no mundo. A OMS estima que, em 2025, cerca de 2,3 bilhões de indivíduos estejam com excesso de peso, sendo mais de 700 milhões com obesidade.

No Brasil não é diferente. A taxa de obesidade no País aumentou 67% entre 2006 e 2018 e chegou a 19,8% da população. Isso de acordo com os últimos dados da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel 2018), do Ministério da Saúde. Na população brasileira, essa estatística significa 41,58 milhões de pessoas.

Saúde não se pesa

Diante desse cenário, a campanha Saúde Não Se Pesa atua na conscientização da população sobre a importância da prevenção e do tratamento correto da obesidade. Promovido pela Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO) e pela Novo Nordisk, o movimento procura dar luz à obesidade como doença crônica. Assim, trazendo o assunto para debate, com informações e dados que evidenciem as comorbidades associadas à doença e os benefícios que o seu controle pode oferecer para uma melhor qualidade de vida.

“Seja por conta da associação com o câncer ou mesmo pelas outras 195 comorbidades, alertar para a epidemia de obesidade é de extrema importância. Assim, para que esses pacientes tenham a oportunidade de receber assistência para que o tratamento e transformação seja contínuo e gradual. Mesmo uma pequena perda de peso, entre 5% e 15% do peso corporal total, tende a reduzir o risco de muitas doenças relacionadas à obesidade e levar a uma melhoria da saúde e qualidade de vida”, finaliza Rocio.

Foto: Shutterstock

Fonte: Novo Nordisk

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