
Por Edison Tamascia
Nos últimos meses, vivi dois momentos que me fizeram refletir profundamente sobre o papel da inovação no nosso setor. Participei de uma capacitação com um grupo especialista em inovação, focado em tendências emergentes, especialmente no uso da Inteligência Artificial (IA).
A experiência foi provocadora – às vezes até assustadora. Os cenários que nos foram apresentados pareciam radicais, mas tinham um objetivo claro: sacudir nossa zona de conforto e nos obrigar a pensar no futuro com responsabilidade. E se o concorrente do amanhã não for uma farmácia, mas um aplicativo? E se o consumidor mudar de hábitos completamente da noite para o dia? E se a automação e a IA redefinirem a forma como atendemos, entregamos e nos relacionamos com os clientes?
Essas perguntas foram colocadas de forma direta. Mas mais importante do que o susto inicial, foi perceber que nós já temos muitas das respostas. Não completas, claro – ninguém tem. Mas começamos a construir nossos caminhos, e isso é sinal de maturidade. Outro ponto marcante foi a viagem à China, uma imersão num mundo que parece – e de fato é – muito à frente do que estamos acostumados. Lá, tudo gira em torno da inovação: desde a compra de alimentos até o atendimento médico, passando por logística, farmácias automatizadas, lives de vendas em tempo real e robótica no dia a dia.
Mais do que a tecnologia em si, o que mais me chamou atenção foi o modelo mental da população. A inovação é vista como um componente natural do cotidiano. E é aqui que quero destacar o que venho acompanhando dentro da Febrafar. Estamos desenvolvendo soluções, criando estruturas e investindo em ferramentas que colocam nossas redes associadas em posição de vantagem para lidar com os desafios do futuro. Isso mostra que, no contexto atual, faz toda a diferença se antecipar. Durante o treinamento, um dos professores nos desafiou com a seguinte provocação: “E se… acontecer tal cenário? Estamos preparados para agir?”.
A verdade é que só conseguimos nos posicionar bem nessa corrida se já estivermos pensando nos diversos “e se?” que o futuro pode trazer. Estamos vivendo uma transformação de época. Uma era em que homem e máquina passam a interagir de forma mais profunda, em que os dados se tornam ativos valiosos e em que a capacidade de adaptação será um dos maiores diferenciais competitivos.
A corrida começou. E como presidente da Febrafar, eu tenho convicção de que estamos nela – e bem posicionados. Mas é preciso ir além. Não existe zona de conforto segura. As transformações são ondas: começam em lugares específicos e se espalham. E quando chegam, não pedem licença. O que parece distante hoje, amanhã pode ser o novo padrão. Já para a farmácia independente, é preciso decidir: vai apenas reagir, ou vai se preparar para agir? Como sempre digo: “O importante não é saber exatamente o que vai acontecer. É estar preparado para qualquer coisa que possa acontecer”.
Edison Tamascia é presidente da da Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias (Febrafar)
Foto: Febrafar
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