Pandemia evidencia dependência do Brasil de matéria-prima farmacêutica importada

O Brasil já teve mais autonomia na produção de matéria-prima e dos insumos, sem depender, por exemplo, da China

A pandemia tem mostrado como é arriscado o Brasil ser dependente de importação de matéria-prima farmacêutica.

No combate à pandemia, vivemos na dependência. Dependemos de vacina para sair da crise; dos insumos para fazer vacina; e da China para vender o IFA, o principal ingrediente dos imunizantes.

Mas o Brasil já teve mais autonomia, como explica o ex-diretor do complexo industrial do Ministério da Saúde (MS) e professor da Universidade Estadual da Paraíba, Eduardo Valadares.

“Até o final dos anos 80 o Brasil era um dos cinco maiores produtores de princípio ativo farmacêutico no mundo. Quando a gente teve a abrupta abertura de mercado, era necessário abrir o mercado, mas, da forma que foi feita, sem um planejamento estratégico em relação a isso, o que aconteceu, no entanto, foi um grande desmonte dessa indústria ao longo dos anos 90”.

Dessa maneira, eram pelo menos cinco institutos capazes de produzir vacinas.

Dois sobreviveram: Butantan e Bio-Manguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Juntos, produzem 17 vacinas. Mas só quatro são 100% feitas no Brasil. As outras 13 também dependem da importação do IFA.

Butantan e Fiocruz planejam fabricar o insumo para as vacinas contra a Covid no Brasil, a partir da tecnologia desenvolvida pelos laboratórios internacionais parceiros.

Dependência

“A gente não pode ficar todo, por exemplo, ano dependendo da chegada ou não chegada de bateladas de IFA para a gente produzir localmente as nossas vacinas. A gente tem que dominar completamente o ciclo tecnológico da vacina e, eventualmente, se modificar o vírus e se isso requerer a modificação da vacina, a gente ter o conhecimento aqui, a estrutura aqui para a gente poder resolver o nosso problema”, explicou Valadares.

A pandemia escancarou os riscos de depender tanto da importação.

Hoje, precisamos do IFA para as vacinas, mas, um ano atrás, a dificuldade era encontrar máscaras e equipamentos de proteção individual, inclusive para as equipes médicas, um sinal do enfraquecimento da indústria nacional, que, mesmo com procura alta, produziu menos porque não consegue competir com os produtos importados.

Produtos médicos

A produção industrial de itens médicos recuou 4,5% em 2020 em relação a 2019 porque é mais barato comprar de fora.

O presidente da associação que representa os fabricantes, Franco Pallamolla, diz, no entanto, que o número é sintoma de um problema maior.

“Os investimentos são de longo prazo e como nós não temos hoje uma política industrial específica para o nosso setor, nós continuamos numa dependência e numa vulnerabilidade tecnológica no setor de dispositivos médicos. Vulnerabilidade e dependência desnecessárias. A pandemia jogou luz sobre isso”, afirmou.

Todavia, uma empresa que produz equipamentos médicos mostrou que dá para transformar dependência em independência.

ECMO

Em março, começou a fabricar o ECMO – a membrana de oxigenação extracorpórea usada no tratamento de casos graves de Covid-19. É um equipamento que só tinha no mercado internacional e está em falta.

Mas, em seis meses, o ECMO saiu do projeto e ficou pronto, graças à união de indústria, ciência e agência de fomento do Ministério da Ciência e Tecnologia.

“Quando se desenvolve uma tecnologia no país, vai ser muito mais fácil a população ter acesso a um produto de altíssima tecnologia e se desenvolve a tecnologia, forma pessoas, cresce em conhecimento, em capacitação, em mercado de trabalho, em tudo. Isso é estratégico”, disse Patrícia Braile, presidente da empresa.

Brasil produz apenas 5% dos insumos necessários para a fabricação de seus medicamentos

Fonte: G1

Foto: Shutterstock

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