
A Panvel vive um momento de forte aceleração operacional. Um relatório do BTG Pactual, divulgado em 21 de setembro de 2026, revisou para cima as estimativas de resultado da rede farmacêutica gaúcha em cerca de 11% em relação às projeções anteriores, após o desempenho acima do esperado no segundo trimestre do ano.
O banco manteve a recomendação de compra para as ações da companhia (PNVL3), com preço-alvo de R$ 19 por papel, o que representa potencial de valorização de 45% em relação à cotação de R$ 13,07 registrada na data do documento.
GLP-1 como motor de receita
Os medicamentos agonistas de GLP-1, conhecidos como canetas emagrecedoras, estão no centro do crescimento recente da Panvel. Segundo o relatório, as receitas provenientes dessa categoria avançaram aproximadamente 91% no primeiro semestre de 2026 e devem crescer mais de 60% ao longo do ano, chegando a representar cerca de 12% da receita total da rede nos próximos trimestres.
O documento do BTG Pactual estima que o mercado brasileiro de GLP-1, somando as indicações para obesidade e diabetes, pode superar R$ 16 bilhões em 2026. Parte expressiva desse crescimento é atribuída à expiração da patente da semaglutida, que ocorreu em março de 2026 no Brasil, e ao lançamento de versões genéricas com preços mais acessíveis, como o Ozivy, da EMS.
De acordo com o relatório, a margem bruta da Panvel sofreu uma pressão de aproximadamente 30 pontos-base como proporção da receita no primeiro semestre de 2026, reflexo do peso crescente dos GLP-1 no mix de vendas, uma categoria com margens brutas inferiores às tradicionais. Ainda assim, a companhia mais do que compensou essa pressão com a diluição de despesas operacionais, entregando expansão de 40 pontos-base na margem de Ebitda pré-IFRS 16. O banco projeta que a margem bruta dos GLP-1 deve convergir para aproximadamente 25% até o final de 2026 e superar 30% no médio prazo.
Expansão de lojas e posicionamento regional
Com 666 lojas em operação em setembro de 2026, sendo 649 concentradas na região Sul, a Panvel apresenta densidade de presença desigual entre os estados. São 421 unidades no Rio Grande do Sul, 123 no Paraná e 105 em Santa Catarina. O relatório identifica espaço relevante para expansão, especialmente em Paraná e Santa Catarina.
A rede já está presente em 12 das 13 cidades da região Sul com mais de 300 mil habitantes e em 86,4% dos municípios com população entre 100 mil e 300 mil habitantes. A cobertura cai para 67,7% nas cidades entre 50 mil e 100 mil moradores e para apenas 5% naquelas com menos de 50 mil habitantes.
No primeiro semestre de 2026, a Panvel abriu 12 novas lojas, ritmo considerado aquém da meta de longo prazo. O banco projeta uma aceleração a partir de 2027, com abertura de cerca de 45 unidades por ano. O plano estratégico da companhia prevê atingir entre 950 e mil lojas até 2030.
Ganho de participação de mercado
A Panvel avançou sua participação no mercado do Sul do Brasil, chegando a 13,5% no segundo trimestre de 2026, alta de 1 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2025. O desempenho por estado foi de 22,4% no Rio Grande do Sul, 7,9% em Santa Catarina e 7,5% no Paraná.
O relatório identificou quatro competidores regionais relevantes: São João, com 1.351 lojas e receita de R$ 9,3 bilhões em 2025; Clamed, com 639 unidades; Nissei, com 473 lojas concentradas no Paraná; e Raia Drogasil (RD), que opera 467 lojas na região. Entre esses, o documento aponta que 94% das lojas do São João estão a menos de 5 quilômetros de uma unidade da Panvel, seguido por RD (87%), Clamed (74%) e Nissei (23%).
Tecnologia e eficiência operacional
O relatório destaca iniciativas de tecnologia como fator de suporte à melhora de margem. Entre elas, um piloto de precificação com inteligência artificial que indicou aumento de 27% nas vendas dos produtos-alvo. A estratégia inclui ainda maior localização de sortimento por loja, melhora no planejamento de estoques e iniciativas para reduzir rupturas de gôndola.
O comércio eletrônico também avança. A penetração do canal digital atingiu cerca de 34% das vendas no segundo trimestre de 2026, com expectativa de continuidade do crescimento. O banco reconhece que o canal digital opera com margens brutas inferiores, mas avalia que os ganhos de escala devem continuar superando essa pressão.
Projeções financeiras da Panvel
Para o exercício de 2026, o BTG Pactual projeta receita de R$ 6,33 bilhões, Ebitda de R$ 400 milhões com margem de 6%, e lucro líquido ajustado de R$ 185 milhões. Para 2027, as estimativas apontam receita de R$ 7,15 bilhões, Ebitda de R$ 472 milhões e lucro líquido ajustado de R$ 238 milhões. A alavancagem financeira, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda, deve recuar de 1x ao final de 2025 para 0,8x em 2026 e 0,4x em 2027.
Foto: divulgação
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