
Com base em encontro estratégico realizado com o CFO da Panvel (PNVL3), Antonio Napp, e o gerente de Relações com Investidores (RI), Ismael Rohrig, a XP Investimentos divulgou ontem (09/07) atualizações importantes sobre as tendências recentes da companhia.
O tom das discussões foi majoritariamente positivo, destacando o sólido desempenho e as estratégias futuras da rede farmacêutica. A análise da XP reforça a recomendação de compra para as ações da Panvel, sustentada por um forte momento de resultados, execução consistente e um valuation atrativo.
Momento positivo no curto prazo
A administração da Panvel expressou confiança em uma aceleração da receita no segundo trimestre, impulsionada principalmente pela categoria de GLP-1, produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos (HPC), e medicamentos genéricos.
Apesar de comparativos mais desafiadores a partir de maio, a expectativa é de que os ganhos de produtividade compensem a pressão na margem bruta, decorrente de uma menor regulação da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). O segmento de medicamentos isentos de prescrição (OTC), por sua vez, mostrou-se mais fraco devido a uma temporada de gripe menos intensa.
GLP-1: demanda impulsionada por cortes de preços
A recente onda de cortes de preços nos medicamentos GLP-1 destravou uma demanda superior às expectativas da administração. Uma parcela significativa desse crescimento provém de novos usuários, indicando uma elasticidade surpreendente do mercado. Marcas recém-lançadas têm ganhado participação sobre os incumbentes de semaglutida, e a nova dinâmica de preços é vista como estrutural, sem expectativa de “ressaca” na demanda nos próximos meses.
Ozivy: início promissor e desafios de margem
A velocidade do ramp-up do Ozivy, um dos produtos em destaque, superou as projeções da Panvel. As negociações de margem, embora apertadas, devem melhorar à medida que o mercado amadurece, novos players entram e as farmácias ganham poder de barganha, fortalecendo sua posição competitiva.
Barreiras competitivas das farmácias
Diante do crescente debate sobre a entrada de marketplaces no setor farmacêutico, como a recente iniciativa da Novo no Mercado Livre (MELI) no México, a administração da Panvel ressalta a importância das barreiras regulatórias, da retenção de receita, da precificação e da capilaridade como moats competitivos. Nesse contexto, a iniciativa Direct-to-Consumer (DTC) da Novo no Brasil foi rapidamente descontinuada, reforçando a complexidade do mercado farmacêutico e a resiliência dos modelos de negócio tradicionais.
Crescimento acima da média e expansão estratégica
A Panvel continua a apresentar um crescimento superior ao de seus pares regionais, beneficiando-se de uma execução robusta, digitalização avançada, automação de processos e forte penetração de marca própria. Este desempenho ocorre em um cenário onde operadores menores enfrentam crescentes restrições. A expansão da rede será disciplinada, com foco na geração de caixa e no Retorno sobre o Capital Investido (ROIC) como prioridades, e as aberturas de novas lojas devem se concentrar no segundo semestre de 2026. A aceleração em 2027 dependerá do cenário macroeconômico.
Ventos regulatórios favoráveis à consolidação
Embora a administração tenha apontado desafios setoriais, como os riscos apresentados por marketplaces e supermercados, o projeto da escala 6×1 e a incerteza em torno da reforma tributária, esses fatores afetam desproporcionalmente os operadores menores. Na avaliação da XP Investimentos, essa dinâmica acelera a consolidação do mercado no longo prazo, beneficiando empresas mais estruturadas como a Panvel.
Fonte: XP Research
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