
Assaduras em bebês são frequentes, mas não devem ser banalizadas. Calor, umidade, fezes, urina e fricção formam um ambiente favorável à irritação da pele.
A região coberta pela fralda funciona como uma pequena estufa: quente, úmida, abafada e sujeita ao contato repetido com substâncias irritantes. Quando esse microambiente se prolonga, a pele do bebê, ainda fina e em desenvolvimento, pode perder parte de sua proteção natural. O resultado aparece em forma de vermelhidão, ardor e desconforto: sinais
conhecidos popularmente como assadura e definidos clinicamente como dermatite de fraldas.
“A dermatite de fraldas é uma reação inflamatória da pele que está em contato com a fralda. Resulta da associação entre local de atrito, umidade, aumento de temperatura e contato prolongado com a urina e fezes”, explica a pediatra do Fleury, Dra. Patricia Kurita. Segundo ela, o quadro pode variar de leve a intenso, com eritema, ou seja, vermelhidão, e comprometimento da barreira cutânea.
A condição é comum na primeira infância. “A dermatite de fraldas caracteriza-se por um processo de contato inflamatório cutâneo localizado na região perianal, glútea, genital e inguinal”, afirma a pediatra do Hospital e Maternidade Santa Joana, Dra. Clery Gallacci. Estima-se que cerca de 50% dos lactentes apresentem algum episódio, especialmente entre nove e 12 meses de idade.
CAUSAS DA IRRITAÇÃO DA PELE
Entre as principais causas da dermatite estão atrito, contato com urina e fezes, trocas pouco frequentes, umidade excessiva, produtos irritantes, pele sensível, introdução alimentar e
episódios de diarreia. “O pico ocorre entre os seis e 12 meses de idade, pois são períodos em que, além dos fatores citados, ocorrem a introdução alimentar, maior movimentação motora e ocorrência de quadros diarreicos”, observa a pediatra do Fleury. Nessa fase, mudanças na alimentação podem alterar o pH das fezes e o ritmo intestinal, aumentando a agressão à pele. O calor e a umidade também favorecem o problema. “O calor local e a umidade provocam uma alteração do pH da pele para uma situação alcalina, facilitando a penetração de fungos e bactérias”, ressalta a Dra. Clery.
QUANDO D DESCONFIAR DE INFECÇÃO
A assadura simples costuma ser mais uniforme e aparecer nas áreas de maior contato com a fralda, como nádegas, genitais e parte interna das coxas. Em geral, melhora em poucos dias com trocas frequentes, higiene adequada e pomada de barreira. “Ela caracteriza-se como uma área hiperemiada mais uniforme em áreas de maior contato com a fralda e, em geral, melhora em poucos dias com trocas frequentes de fralda, higiene adequada e pomadas de barreira”, reforça a especialista do Fleury.
Já a candidíase pode causar vermelhidão mais intensa, atingir dobras e apresentar pequenas lesões avermelhadas ao redor da área principal, as chamadas lesões satélites. “Ela pode acometer as dobras da pele e observa-se presença de pequenas lesões avermelhadas ao redor da área principal, com ou sem descamação”, esclarece a pediatra do Fleury.
ORIENTAÇÃO NO BALCÃO
Nos quadros leves, o cuidado começa por reduzir umidade, atrito e contato com irritantes. A recomendação inclui troca frequente, limpeza suave, exposição da pele ao ar e aplicação de creme de barreira. Os cremes com óxido de zinco, petrolato, dimeticona, dexpantenol ou óleo de fígado de bacalhau ajudam na prevenção e no tratamento inicial, pois formam uma camada protetora sobre a pele.
“Os cremes de barreira criam um filme lipídico que protege contra a umidade e contato com irritantes. Não é necessário remoção total dos cremes nas trocas desde que não tenham resíduo de fezes”, orienta a Dra. Clery. Antifúngicos tópicos, como nistatina ou miconazol, podem ser usados quando houver diagnóstico de infecção fúngica. “Desde que diagnosticada infecção fúngica, o tratamento com cremes antifúngicos à base de nistatina ou miconazol deve ser iniciado”, confirma a pediatra do Hospital e Maternidade Santa Joana.
Corticoides tópicos, por sua vez, não devem ser indicados de forma indiscriminada. “O uso de corticoides tópicos deve ser indicado e acompanhado pelo pediatra para evitar absorção excessiva”, acrescenta. A prevenção depende de rotina simples. Em recém-nascidos, as trocas podem ocorrer a cada uma ou duas horas durante o dia e ao menos uma vez à noite. A limpeza deve ser feita sem esfregar, preferencialmente com água morna e algodão, sempre de frente para trás. Lenços sem álcool podem ser usados eventualmente, mas não devem substituir a higiene suave quando a pele está irritada. Deixar o bebê alguns minutos sem fralda também favorece a recuperação, ao reduzir a umidade e a oclusão. Na farmácia, vale reforçar que talcos, produtos perfumados, receitas caseiras e misturas de pomadas sem orientação profissional podem piorar o quadro.
SINAIS DE ALERTA
Febre; secreção purulenta; dor intensa; bolhas; feridas; sangramento; lesões que se espalham; ou ausência de melhora após poucos dias de cuidado adequado indicam necessidade de avaliação pediátrica. “Toda lesão de pele deve ser avaliada e acompanhada pelo pediatra. O agravamento de lesões purulentas e erupções deve ser tratado imediatamente para evitar a disseminação da infecção”, conclui a pediatra do Hospital e Maternidade Santa Joana, Dra. Clery Gallacci.
Reportagem escrita por Fábio Oliveira
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