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A Quetiapina interfere no uso do anticoncepcional?

O conceito de interação medicamentosa está fundamentado ao acontecimento clínico em que os efeitos de um fármaco são alterados quando associado a outro fármaco, alimento, bebida ou algum agente químico ambiental, sendo que essas interações podem ser físico-químicas, interações farmacocinéticas ou interações farmacodinâmicas, indução enzimática e inibição enzimática.

O hemifumarato de quetiapina pertence a um grupo de medicamentos denominado de antipsicóticos, os quais melhoram os sintomas de alguns tipos de transtornos mentais como esquizofrenia e episódios de mania e de depressão associados ao transtorno afetivo bipolar. Em relação às interações com o fármaco quetiapina, segundo a base científica de dados consultada (Truven Health Analytics. MICROMEDEX® Solutions, Greenwood Village, Colorado, USA) não há interações entre os medicamentos mencionados na pergunta.

Entretanto, é importante salientar que tanto o anticoncepcional como o hemifumarato de quetiapina podem interagir com outros medicamentos, o que poderá resultar em diminuição ou aumento de suas concentrações séricas.

Em relação ao medicamento hemifumarato de quetiapina, as interações observadas são as seguintes:

a) Hemifumarato de quetiapina e alimento:

– O uso concomitante com toranja (grapefruit) poderá resultar em aumento da exposição à quetiapina (interação de gravidade maior);

– O uso concomitante com etanol pode resultar na potencialização dos efeitos cognitivos e motores do álcool (Interação de gravidade moderada).

b) Hemifumarato de quetiapina e exames: poderá ocorrer resultado do falso-positivo de antidepressivos tricíclicos na urina e resultado em urina falso-positivo para metadona.

c) Hemifumarato de quetiapina e medicamentos (segundo bula do medicamento): O uso concomitante com indutores de enzimas hepáticas, como carbamazepina, pode diminuir substancialmente a exposição sistêmica à quetiapina. Dependendo da resposta clínica, altas doses de hemifumarato de quetiapina podem ser consideradas, se usado concomitantemente com indutores de enzimas hepáticas. Durante a administração concomitante de fármacos inibidores potentes da CYP3A4 (como antifúngicos azóis, antibióticos macrolídeos e inibidores da protease), as concentrações plasmáticas desses podem estar significativamente aumentadas, conforme observado em pacientes nos estudos clínicos.

Em relação ao anticoncepcional, não há menção na questão sobre qual é o anticoncepcional utilizado. É necessária uma rigorosa avaliação da paciente pelo médico para considerar as condições de saúde e, então, poder avaliar os riscos e benefícios quanto ao uso dos anticoncepcionais hormonais orais.

Salienta-se, entretanto, que a pílula anticoncepcional pode ser combinada ou isolada e apresentar diferentes doses de hormônio. A disponibilização de anticoncepcionais orais nas farmácias é ampla, o que requer avaliação cuidadosa da paciente para a seleção do anticoncepcional mais indicado para suas características e a fase de vida. É extensa a gama de pílulas contraceptivas disponíveis hoje no mercado, portanto, conhecer suas variações e as diferenças entre cada um de seus princípios ativos é importante para quem quer evitar a gravidez de forma segura.

Os contraceptivos orais combinados, que possuem dois hormônios em sua composição (geralmente estrogênio e progestagênio – esse último derivado da progesterona) agem por supressão das gonadotrofinas, ou seja, pela inibição dos estímulos hormonais que levam à ovulação. Caso a mulher seja usuária de contraceptivo oral combinado é aconselhável que tome a pílula combinada somente até os 35 anos de idade e, se tiver que usar esse tipo de anticoncepcional após essa idade, deve optar por uma pílula que só contenha progestagênio. A minipílula não possui o hormônio estrogênio, somente o progestagênio porque é indicada para mulheres que estão amamentando, em razão de que a pílula combinada altera a qualidade e a quantidade do leite materno. Há também as pílulas que contém somente o progestagênio, sem serem as minipílulas, porque apresentam quantidade maior de hormônio do que as minipílulas.

Os anticoncepcionais de uso oral poderão desencadear inúmeras reações adversas razão pela qual o prescritor deve fazer o acompanhamento na utilização para que seu uso seja racional, com segurança e efetividade. Além disso, os anticoncepcionais orais apresentam, também, inúmeras possibilidades de interações medicamentosas e, para tanto, todos os medicamentos que a mulher toma deverão ser considerados para análise de interação, além do hemifumarato de quetiapina.

Portanto, as interações entre os anticoncepcionais orais com outros fármacos, aumentam o índice de falha, colocando em risco a possibilidade de natalidade e a escolha da mulher em decidir o momento mais indicado que ela quer engravidar.

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Sobre o colunista

Maria Aparecida Nicoletti

Farmacêutica responsável pela Farmácia Universitária da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP).

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