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Minha mãe, com 85 anos de idade, tem mal de Alzheimer e toma medicamentos contínuos como: Alois, vazogard, trayenta, brasart, atenolol. Gostaria de saber se ela pode tomar Lacto purga, pois tem vezes que ela fica até 45 dias sem evacuar.

Um idoso sadio que apresente, por exemplo, duas evacuações ao dia e passa a ter três ou quarta na semana não deve ser considerada uma situação normal para a “idade”. Apesar de que essa diminuição da frequência de evacuação não ser normal ao idoso, as múltiplas doenças que são prevalentes nessa população e muitos dos medicamentos frequentemente usados por esses indivíduos têm como característica lentificar (deixar lento) o funcionamento do intestino.

Considera-se um quadro típico de obstipação intestinal, quando ocorrem duas ou menos evacuações por semana e/ou o esforço para evacuar é grande demais e pouco produtivo.

Os restos da digestão podem se acumular no reto e no sigmoide e, em presença de certo volume, estimulam o reflexo que gera o desejo da defecação. O mecanismo da eliminação do bolo fecal envolve o peristalmismo intestinal (sistema nervoso autônomo) e o relaxamento do esfíncter anal. Se esse mecanismo não está funcionando as fezes não serão eliminadas, vão endurecer e impedir a evacuação, gerando o fecaloma, que pode ser desencadeado por inúmeros fatores.

A diminuição crônica de evacuações que prejudica o funcionamento do intestino, se não tratada, pode acarretar perda substancial de qualidade de vida, ou seja, aumentar significativamente o sofrimento de um idoso acamado por levar a distensão gasosa das alças intestinais e formação de fezes endurecidas, de difícil expulsão. É importante salientar que essa manifestação poderá ser, inclusive, em decorrência de uma obstrução intestinal (física ou funcional) que poderá trazer consequências seríssimas ao idoso. Saliente-se, que são imperativos a investigação e o conhecimento das razões da redução da defecação para que sejam estabelecidas as estratégias para a regularização da defecação, considerando que inúmeros fatores poderão estar presentes para o desencadeamento desse problema, e que poderão ser extremamente graves. O diagnóstico da lentificação do funcionamento do intestino do idoso deve ser estabelecido para que as causas sejam controladas e, portanto, a sua avaliação clínicas e faz necessária. Nesse contexto, são avaliados alguns fatores que poderão contribuir como: deambulação (imobilidade ou mobilidade reduzida, falta de atividade física), dieta (baixo consumo de fibras e ingestão insuficiente de líquidos), enfermidades (diabetes, hipotireoidismo, entre outras) e inúmeros medicamentos.

Como a falta de defecação pode ser originada por obstrução intestinal total ou parcial, o quadro poderá variar de acordo com a localização e a gravidade dos sintomas e deve ser sempre feito no hospital, para evitar o surgimento de complicações, que podem ser agravados com as medidas domésticas. Esse período de 45 dias que a (o) leitor (a) menciona poderá causar problemas seríssimos como desidratação; perfuração intestinal, infecção generalizada, morte de parte do intestino, entre outras consequências e não poderá ocorrer novamente. A utilização de laxantes (se for indicado), conforme mencionado na pergunta, deve ser por prescrição do médico que trata da paciente, considerando que os laxantes poderão desencadear efeitos drásticos no idoso. Portanto, a paciente, com a situação do período mencionado deveria ser encaminhada a uma unidade médica com urgência para que seu estado fosse avaliado quanto aos procedimentos necessários que poderão ser utilizados.

Os medicamentos mencionados na pergunta estão são citados a seguir com a indicação de uso: Alois® (Cloridrato de Memantina: tratamento da doença de Alzheimer), Vazogard® (Cilostazol: tratamento de doença vascular periférica), Trayenta® (Linagliptina: tratamento de Diabetes Mellitus tipo 2), Brasart® (Valsartana: tratamento de Hipertensão Arterial Sistêmica) e Atenolol (tratamento de Hipertensão Arterial Sistêmica, angina, arritmias cardíacas). Segundo consulta em base de dados (Truven Health Analytics. MICROMEDEX®Solutions, Greenwood Village, Colorado, USA) a utilização do atenolol e linagliptina apresenta interação medicamentosa de gravidade moderada considerando que o uso concomitante de agentes antidiabéticos e betabloqueadores pode resultar em hipoglicemia ou hiperglicemia. O betabloqueador pode mascarar os sintomas de hipoglicemia.

Portanto, a condição apresentada da paciente exige cuidados contínuos que, além de acompanhamento médico, deverá ser assistida por nutricionista para a adequação de sua dieta, com a necessidade de ingestão de nutrientes próprios para a condição de saúde apresentada, bem como, a ingestão satisfatória da quantidade de líquidos e a regularização da defecação. Outro profissional que seria necessário é o fisioterapêutica que considerando o estado de mobilidade parcial ou imobilidade poderá contribuir com a melhoria da qualidade de vida da paciente.

Certas ações relacionadas à educação em saúde deverão ser praticadas por todas as pessoas que, certamente, impactarão na melhoria da qualidade de vida da população. A adequação da dieta rotineira com a ingestão de fibras e de líquidos, o consumo não excessivo de proteína animal e alimentos industrializados são medidas que podem facilmente se tornarem hábitos individuais e familiares e, aliada a essas ações, a não menos importante incorporação da prática de atividade física deverá fazer parte da vida das pessoas.

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Sobre o colunista

Maria Aparecida Nicoletti

Farmacêutica responsável pela Farmácia Universitária da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP).

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