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Por que os anti-inflamatórios podem cortar efeito do medicamento para pressão?

Os anti-inflamatórios podem cortar efeito do medicamento para pressão. Sabe-se que a hipertensão arterial é uma doença crônica degenerativa, não transmissível presente em cerca de 50% dos indivíduos acima de 65 anos. Assim, nessa faixa etária, com o envelhecimento, é de se esperar que outras enfermidades estejam presentes. Por exemplo, as doenças reumáticas, particularmente, a osteoartrite e a artrite reumatoide. Nessa situação, a prescrição de medicamentos com ação não só analgésica, como também anti-inflamatória é realizada com frequência e, desse modo, os anti-inflamatórios não esteroides (Aine) são os mais utilizados.

Considerando, então, que as duas situações em relação à condição da saúde do indivíduo sejam encontradas muito frequentemente na população, cuidados devem ser tomados para que se evitem as possíveis interações medicamentosas clinicamente significativas entre os medicamentos utilizados para hipertensão arterial e anti-inflamatórios para doenças crônicas, que estão presentes na vida da população idosa.

Para o tratamento da hipertensão arterial, vários fármacos podem ser prescritos. Por exemplo, os diuréticos (furosemida, espironolactona, hidroclorotiazida, entre outros), inibidores da enzima conversora de angiotensina-IECA (captopril, enalapril, lisinopril, entre outros), betabloqueadores (propranolol, atenolol, entre outros), inibidores adrenérgicos (metildopa, clonidina, entre outros), vasodilatadores (hidralazina, minoxidil) e bloqueadores de canais de cálcio (diltiazem, anlodipina, verapamil, entre outros).

Anti-inflamatórios podem cortar efeito de anti-hipertensivos

Os fármacos anti-inflamatórios podem cortar o efeito a produção de prostaglandinas (PG). Isso se dá por meio de competição com o sítio ativo da enzima cicloxigenase (COX). A COX é constituída por duas isoformas principais: a COX-1 e a COX-2. Atualmente, os anti-inflamatórios podem ser classificados como inibidores seletivos da COX-1 (exemplo: aspirina). Igualmente, podem ser classificados como inibidores não seletivos da COX (exemplos: piroxicam, indometacina, diclofenaco e ibuprofeno), inibidores da COX-2 (exemplos: meloxicam e nimesulida), inibidores altamente seletivos da COX-2 (exemplos: celecoxib, etoricoxibe, lumiracoxibe).

O problema em relação à elevação da hipertensão arterial está relacionado à interação de anti-hipertensivos e anti-inflamatórios. O que ocorre é a inibição da enzima COX que gera a redução sistêmica e renal da síntese de prostaglandinas. Portanto, os anti-inflamatórios não esteroides podem antagonizar a terapia anti-hipertensiva de maneira parcial ou total. Assim, pode não ter efeito algum sobre a pressão arterial ou até gerar crises hipertensivas. Outros fármacos com ação analgésica, como a dipirona e o paracetamol, também podem interferir na ação dos medicamentos anti-hipertensivos.

Os anti-inflamatórios podem inibir não só o efeito anti-hipertensivos dos diuréticos tiazídicos e de alça, como também dos antagonistas de receptores alfa. Analogamente, também podem inibir o efeito dos receptores beta-adrenérgicos. Similarmente, os anti-inflamatórios também podem cortar efeito dos agentes que inibem o sistema renina-angiotensina-aldosterona.

A utilização desses fármacos requer acompanhamento de seus usuários por profissionais da saúde considerando as possíveis interações que poderão ocorrer. Desse modo, pode ser assegurado ao paciente o uso racional de medicamentos, sua eficácia e segurança.

Os diferentes tipos de anti-inflamatórios

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Sobre o colunista

Maria Aparecida Nicoletti

Farmacêutica responsável pela Farmácia Universitária da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP).

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