Pesquisa: paulistas não controlam colesterol, hipertensão e diabetes

Colesterol, hipertensão e diabetes são fatores de risco para o coração e não são controlados em uma pesquisa com 9 mil pacientes

O Estudo Epidemiológico de Informações da Comunidade (Epico) revelou que o colesterol, a hipertensão e o diabetes têm índices de controle zero entre os paulistanos.
O estudo feito com mais de 9 mil pacientes, homens e mulheres, em unidades básicas de saúde de 32 cidades paulistas, mostrou que as pessoas não controlam os principais fatores de risco para o coração.

No caso do colesterol, analisado isoladamente, o controle foi de apenas 16%.

Somente 25% apresentavam valores de glicemia dentro das metas preconizadas.

E a pressão arterial estava sem controle por 48% dos participantes.

O estudo foi conduzido pela Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp).

Dados curiosos da pesquisa envolvendo colesterol, a hipertensão e o diabetes 

“O resultado da pesquisa causou surpresa, pois apenas 16% dos pacientes com colesterol elevado apresentaram valores dentro das metas, 52% dos hipertensos tiveram controle da pressão arterial e somente 25% tinham a glicemia dentro das metas”,  comentou a diretora de Promoção e Pesquisa da Socesp, Maria Cristina de Oliveira Izar.

Ainda segundo a diretora, quando se avaliou o controle de todos os fatores, nenhum dos 9 mil pesquisados apresentou controle.

Esses resultados mostram, por exemplo, que há necessidade de educação de pacientes e o uso contínuo das medicações.

Além de implementação de medidas voltadas ao estilo de vida saudável para aumentar as taxas de controle.

Para ela, a falta de controle global dos fatores de risco foi o que mais surpreendeu.

Os cuidados o colesterol, hipertensão e o diabetes 

“É muito importante o controle de todos os fatores de risco para valores dentro das metas recomendadas. Além disso, é preciso procurar manter o peso ideal, eliminar o tabagismo e praticar exercícios físicos de forma rotineira, mantendo um estilo de vida saudável”.

O Epico comprovou, também, que as taxas de mortalidade cardiovascular no estado de São Paulo não caíram na última década, diferentemente do que ocorreu na maioria dos países comparados.

Então, após o levantamento, a próxima etapa do estudo será elaborar uma estratégia para maior atenção aos fatores de risco cardiovascular e seu impacto nos índices de mortalidade, a fim de reduzi-los.

Dia Mundial do Coração

Dessa forma, para alertar sobre as complicações das doenças cardiovasculares, a Socesp promove ações de conscientização em seu site e nas mídias sociais.

Com isso, o objetivo é o de promover mais qualidade de vida no mês do Dia Mundial do Coração, comemorado no último dia 29. 

Interatividade

slogan da campanha é “Nós cuidamos do seu coração” e traz dicas de alimentação saudável, prática de atividade física, combate ao estresse e informações para os fumantes deixarem o cigarro com segurança.

Há também vídeos gravados por integrantes dos oito departamentos multiprofissionais da entidade, com especialistas em educação física, enfermagem, farmacologia, fisioterapia, nutrição, odontologia, psicologia e serviço social.

Além de também, um grupo de estudos sobre cuidados paliativos.

“Focar na prevenção é fundamental, especialmente durante a pandemia, a diminuição da procura por serviços de saúde e de emergência tem causado maiores taxas de mortes não assistidas, falta de controle dos fatores de risco e piora clínica dos pacientes”, alertou Maria Cristina.

Segundo a entidade, mudanças de hábito podem, contudo, causar impacto de até 80% nas chances de uma pessoa sofrer um infarto ou acidente vascular cerebral (AVC) nos próximos dez anos.

De acordo com a Maria Cristina, as mudanças podem ser feitas simultaneamente, sempre que possível.

“Devemos atentar que para aqueles que já têm o hábito de se exercitar, existem aplicativos e vídeos que podem auxiliar na promoção da saúde. No entanto, para aqueles que não praticam exercícios, a supervisão de profissional de educação física é recomendada, assim como a orientação de um nutricionista”

A modalidade de exercício escolhida,  por exemplo, ainda segundo a médica, deve ser aquela que o indivíduo goste de praticar.

Além de ser compatível com sua condição e possa ser feita pelo menos por 30 minutos em cinco dias da semana.

Covid-19 e o coração

A pandemia de covid-19 trouxe maior preocupação com as doenças cardiovasculares, já que o vírus causa maior impacto nos cardiopatas.

“Não temos a completa dimensão do impacto que o coronavírus terá no futuro, mas sabemos que é essencial cuidar de nossos corações agora, já que os cardiopatas têm maiores complicações ao serem contaminados”, disse o presidente da Socesp, João Fernando Monteiro Ferreira.

As doenças cardiovasculares matam, em todo o mundo, mais do que por qualquer outra causa.

Cerca de 17,9 milhões a cada ano, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A saber, no Brasil, são 400 mil óbitos anuais.

Boa parte dos fatores de risco para o coração é modificável.

Como por exemplo a inatividade física, a dieta não saudável, a pressão arterial elevada, o uso do tabaco, o colesterol sem controle, a obesidade e o excesso de peso.

Os fatores não modificáveis são o histórico familiar e o diabetes, mas que podem ser atenuados.

Foto: Shutterstock

Fonte: Agência Brasil

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