Pesquisador da Fiocruz alerta que casos de reinfecção por Covid-19 podem ser mais graves

De acordo com o pesquisador da Fiocruz Amazônia, Felipe Naveca, a reinfecção por Covid-19 ocorre a partir da contaminação com uma linhagem diferente do vírus

A reinfecção da Covid-19 tem sido alvo de estudo. O pesquisador e vice-diretor de Pesquisa e Inovação da Fiocruz Amazônia, Felipe Naveca, alerta que quem já foi contaminado pela Covid-19 pode ser infectado novamente e de uma forma mais grave.

Na semana passada, uma médica do Rio Grande do Norte teve a reinfecção confirmada pelo Ministério da Saúde. O caso é o primeiro do país.

De acordo com Naveca, apesar de ainda ser um evento raro, a reinfecção ocorre a partir da contaminação com uma linhagem diferente do vírus.

Todavia, vale lembrar que no Amazonas, segundo pesquisas da própria Fiocruz em parceria com a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS) e o Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen), existem oito tipos de linhagem diferentes em circulação.

Os problemas da reinfecção pela Covid-19

O pesquisador também alertou que nem todos os casos que parecem ser de reinfecção, são, de fato, um “repeteco” da doença. Para que seja confirmado que a pessoa esteja com a Covid-19 pela segunda vez é necessário seguir protocolos específicos da Organização Mundial de Saúde (OMS). Ele também afirmou que ainda não foi confirmado nenhum caso no Amazonas.

“Não tivemos nenhum caso confirmado no laboratório. São muitos rumores, mas o critério da Organização Mundial de Saúde (OMS) é claro: precisa ter um resultado PCR positivo, depois disso um período de 90 dias de resultado negativo e um novo PCR, depois desse período, que seja positivo e identificando uma linhagem diferente”, explicou.

Linhagens diferentes

Felipe também explicou que os estudos da Fiocruz ainda se baseiam na existência de oito linhagens diferentes de vírus. No entanto, o número pode ser maior.

“Nesse momento continuamos com as oito, até porque o processo para identificar essas linhagens tem várias etapas. Mas estamos finalizando uma nova bateria de amostras que vão entrar no sequenciamento e a gente espera nas próximas semanas já ter um novo resultado. Vamos fazer uma análise para saber o que chamamos de dinâmica de transmissão, ou seja, saber se além das oito linhagens, a gente tem mais, além de saber qual o caminho que essas linhagens fizeram. O resultado que a gente tem hoje é que tivemos ao menos oito eventos de introdução do vírus no estado, mas eu acredito que foram até mais“, afirmou.

Apesar da quantidade de linhagens do vírus em circulação no estado, a vacina deve atender a todos os infectados. No entanto, é preciso dar um voto de confiança no trabalho realizado pelos pesquisadores.

“O que todos os pesquisadores envolvidos no desenvolvimento das vacinas dizem é que as vacinas vão proteger contra todas as linhagens. Temos exemplos recentes do que aconteceu com o sarampo. Era uma doença vencida, não era motivo de preocupação. No entanto, vimos muita gente negando sua existência e pegando formas graves. Se nós tivemos o dom de desenvolver nesse tempo curtíssimo, e que deve ser avaliada por critérios rigorosos da Anvisa e de outros órgãos internacionais, temos que dar um voto de confiança”, finalizou.

Fonte: G1

Foto: Shutterstock

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