Polimedicação segura: confira os caminhos

Muitos pacientes, especialmente portadores de doenças crônicas, são polimedicados e a classe dos analgésicos entra na lista dos fármacos usados. Portanto, a orientação do farmacêutico é fundamental

Não existe um consenso sobre a definição de polimedicação. Porém, o uso concomitante de cinco ou mais fármacos representa a designação encontrada com maior frequência na literatura¹. De acordo com a farmacêutica responsável pela Farmácia Universitária da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP), Maria Aparecida Nicoletti (CRF-SP: 1-008457-3), o uso de múltiplos medicamentos, ou polifarmácia, é comum e crescente na prática clínica, principalmente em pessoas acima de 65 anos.

Este crescimento relaciona-se a vários fatores, como o aumento da expectativa de vida e o consequente aumento da multimorbidade, à maior disponibilidade de fármacos no mercado e de linhas-guia que recomendam o uso de associações medicamentosas para o manejo de várias condições de saúde”, explica.

O maior risco da polimedicação está nas interações medicamentosas que podem trazer ainda mais reações adversas devido ao alto número de fármacos utilizados.

O uso de diversos medicamentos pode até mesmo trazer confusões diversas, fazendo com que o médico prescreva mais medicamentos, levando a um efeito cascata que, muitas vezes, prejudica o efeito desejado do tratamento”, comenta a farmacêutica da Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias (Febrafar), Nathalie Freitas.

E na lista dos pacientes que usam múltiplos fármacos concomitantemente, os analgésicos, tais como dipirona,
ibuprofeno e paracetamol, ganham destaque no uso.

“Essas substâncias estão entre os 20 princípios ativos mais utilizados entre os pacientes que se encontram em polimedicação”, comenta o farmacêutico e responsável técnico do laboratório da Clinicarx, Herón Emmanuel Passos Petris (CRF/PR: 18206), acrescentando que como a maioria dos medicamentos analgésicos possui uma
margem terapêutica grande, seu uso é seguro, porém, a especificidade de cada doença deve ser levada em consideração na hora de escolher o melhor ativo para cada caso.

Assim, o farmacêutico exerce um importante papel. “O farmacêutico deve orientar o usuário sobre a melhor maneira de usar determinado medicamento, rastrear a possível interação medicamentosa, estipular a melhor maneira e horários para uso e acompanhar os resultados obtidos pelo tratamento preconizado pelo médico”, comenta Petris.

Um paciente polimedicado pode tomar Tylenol®?1,2

Comumente polimedicado, o portador de doenças crônicas precisa passar por avaliação do médico e do farmacêutico antes de iniciar o uso de outros medicamentos, como analgésicos, por exemplo.

Mas de uma forma geral, o TYLENOL® (paracetamol) é seguro para ser utilizando por pacientes com diabetes, hipertensão, pacientes com histórico de problemas gastrointestinais e por cardíacos em uso de ácido acetilsalicílico, uma vez que TYLENOL® apresenta baixa incidência de reações adversas e interações medicamentosas.

Além disso, respeitando as informações da bula e a dosagem terapêutica adequada, TYLENOL® também não aparenta causar sangramentos gastrointestinais, úlceras, irritação ou erosão gástrica, sendo considerado um medicamento suave no estômago, além de ser seguro para o fígado.

A segurança hepática de TYLENOL® foi demonstrada a partir de estudos clínicos. Lesões hepáticas causadas por medicamentos ocorrem quase que exclusivamente quando se utilizam doses acima das recomendadas. Por isso, é importante orientar o uso correto, respeitando a dose máxima de 4g/dia.

Referências

1. Bula do do TYLENOL®. Disponível em: https://www.tylenol.com.br/sobre-tylenol. Acesso em: 2 de junho de 2021.
2. Zhang, W; Jones, A; Doherty, M. Does paracetamol (acetaminophen) reduce the pain of orteoarthritis?: a metaanalysis of randomized controlled trials. Ann Rheum Dis 2004;63:901-907.

Uso de analgésicos por pacientes crônicos

O paciente portador de doenças crônicas é, em sua grande maioria, polimedicado, o que torna imprescindível analisar que doenças o acometem e quais são os medicamentos de que faz uso.

“Os anti-inflamatórios têm ação analgésica também, mas precisam ser utilizados com cautela. Diversos medicamentos são vendidos como analgésicos e possuem mais de um princípio ativo na composição. Portanto, o ideal é prescrever apenas um analgésico isolado, como dipirona ou paracetamol”, comenta a farmacêutica e analista de Conteúdo Pleno da Clinicarx, Isabela Pina Meza (CRF/PR: 33513).

Petris cita outro exemplo. “O ibuprofeno pertence à relação de itens potencialmente inapropriados para uso em idosos, conforme o Critério de Beers*. Este é um dado preocupante porque a faixa etária predominante de pacientes que são classificados como estando em polimedicação é a de pessoas acima de 65 anos”, alerta.

Segundo ele, os principais efeitos adversos causados no sistema cardiovascular, induzidos pelo ibuprofeno, podem envolver Infarto Agudo do Miocárdio (IAM), arritmia cardíaca, taquicardia, palpitações, insuficiência cardíaca congestiva e Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Maria Aparecida destaca que como os analgésicos mais utilizados são também Anti-Inflamatórios Não Esteroides (AINEs) (exceto o paracetamol que é somente analgésico), é necessária muita cautela na prescrição para diabéticos pelo problema e possível comprometimento renal.

A avaliação clínica da condição do paciente é fundamental para a seleção do analgésico que melhor possa beneficiar o paciente quanto à segurança em seu uso”, diz.

De uma forma geral, é preciso sempre conhecer a patologia para ter segurança na administração de analgésico e outros medicamentos. A farmacêutica Isabela conta que o paracetamol, por exemplo, é considerado seguro quando a dose diária recomendada é respeitada, ou seja, não ultrapassar quatro gramas/24 horas.

“No entanto, é preciso considerar o quadro clínico do paciente porque o uso de paracetamol deve ser evitado por pessoas que têm insuficiência hepática e por etilistas crônicos (pessoas que ingerem grandes quantidades de álcool)”, esclarece.

*O Critério de Beers possibilita a identificação dos medicamentos que devem ser evitados em idosos.

Referências

1. Da Costa JPV. Consequências da polimedicação em doentes idosos de ambulatório. Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. 2014. Disponível em: https://core.ac.uk/download/pdf/43590237.pdf. Acesso em: 25 de maio de 2021.
TYLENOL® (PARACETAMOL). INDICADO PARA O TRATAMENTO DE DOR E FEBRE. ADVERTÊNCIAS: NÃO USE TYLENOL® JUNTO COM OUTROS MEDICAMENTOS QUE CONTENHAM PARACETAMOL, COM ÁLCOOL OU EM CASO DE DOENÇAS GRAVE DO FÍGADO. MS – 1.1236.3326. SAC 0800 701 1851 OU SERVIÇO AO PROFISSIONAL 0800 702 3522. DATA DE IMPRESSÃO: JUN/21. ©J&J Brasil, 2021. “SE PERSISTIREM OS SINTOMAS, O MÉDICO DEVERÁ SER CONSULTADO”

Fonte: Guia da Farmácia

Foto: Shutterstock

Não se automedique, consulte um profissional de saúde.

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