E quanto à taxa de letalidade maior entre homens?
Isso provavelmente reflete uma combinação de diversos fatores.
Ganha força, contudo, a ideia de uma suposta fragilidade biológica do sexo masculino. Um dos principais defensores dessa teoria é o geneticista que previu o fenômeno em janeiro, Sharon Maolem.
A afirmação vem na esteira do lançamento de The Better Half: On the Genetic Superiority of Women (A melhor metade: sobre a superioridade genética das mulheres). Em geral, mulheres vão com mais regularidade ao médico, fumam menos e lavam as mãos com mais frequência.
Por que mais homens morrem de Covid-19?
Os homens tratam menos das comorbidades crônicas, têm um comportamento mais arriscado e são menos caprichosos. Observando assim, a conduta, de fato, torna o homem mais propenso a desenvolver uma síndrome respiratória. E a morrer mais cedo.
Em um artigo de opinião no The New York Times, intitulado “Por que tantos homens morrem de coronavírus?”, o geneticista admite que algumas explicações comportamentais “são quase certamente válidas”.
No entanto, também afirma que a maior taxa de mortes entre homens por Covid-19 “pode ser uma demonstração oportuna e de alto perfil” da genética feminina.
O sexo é fator de risco?
Desde que os primeiros casos surgiram, no fim do ano passado, a doença causada pelo novo coronavírus demonstrou ser bem mais do que respiratória.
Descobriu-se que a Covid-19 pode afetar não apenas os pulmões como também o sistema circulatório, o coração, os rins e até mesmo os sentidos, como o olfato e o paladar. A razão para boa parte desses efeitos é um enigma.
Artigos científicos
O que há são correlações e possibilidades.
Para determinar se o sexo é um fator de risco seria necessário um estudo amplo, começando, por exemplo, pelo sequenciamento do genoma de pessoas que desenvolveram quadro leve da doença e de indivíduos que tiveram quadro grave.
Fatores genéticos
Os cientistas, então, tentariam encontrar variantes genéticas que pudessem influenciar a gravidade da doença.
Além disso, seria preciso considerar outros fatores não-genéticos — variáveis como idade, condições de saúde pré-existentes, hábitos de vida, condição socioeconômica.
Os dados precisariam vir de fontes confiáveis e legítimas, como registros hospitalares ou do governo, e englobar um longo período de tempo e países diferentes. É um esforço tão árduo, custoso e demorado.
Mesmo que a hipótese genética fosse confirmada, seria impossível ignorar a teoria clássica — atrelada aos fatores comportamentais.
O demógrafo José Eustáquio Alves ressalta que os homens, em geral, seguem mais expostos aos riscos de contágio e tratam menos das comorbidades crônicas.
O que o leva a crer que as diferenças de reações ao vírus (e a outras mazelas) provavelmente refletem uma combinação de diversos fatores.
Fonte: G1
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