
Entenda por que o frio, o ressecamento do ar e os hábitos do dia a dia podem desencadear inflamação, coceira intensa, pele ressecada e quadros de dermatite atópica em pessoas com tendências hereditária.
Doença genética, crônica e onde a coceira e a pele seca são as principais características, a dermatite atópica acomete, principalmente, as grandes dobras do corpo, como porção anterior dos cotovelos, região atrás dos joelhos e pescoço. Em crianças, a face é uma região frequentemente acometida¹. E com a chegada das temperaturas mais baixas, é comum observar um aumento das queixas relacionadas ao ressecamento da pele e piora de doenças inflamatórias típicas do outono e inverno.
A combinação entre baixa umidade do ar, banhos quentes e redução da hidratação natural da pele favorece crises de dermatite, psoríase e outras condições dermatológicas que tendem a se intensificar nesta época do ano. Segundo a dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Dra. Maria Paula Del Nero, o frio altera diretamente a barreira de proteção da pele, deixando o organismo mais vulnerável. “A pele perde água com mais facilidade durante o outono e inverno. Quando essa barreira protetora fica fragilizada, aumentam os quadros de inflamação, coceira, descamação e até infecções”, explica.
A médica adverte que a dermatite atópica piora muito com o banho quente e prolongado. “O calor excessivo remove a camada de proteção natural da pele e facilita a entrada de agentes irritantes”, alerta a Dra. Maria Paula. Crianças com rinite, bronquite ou outras alergias respiratórias costumam ter risco ainda maior de desenvolver crises.
FATORES DE RISCO
Além do banho quente e do inverno, outros fatores podem ser considerados de risco para a dermatite atópica e incluem¹:
1. Sudorese excessiva (ambiente quente, variações repentinas de temperatura e roupas quentes);
2. Baixa umidade no ambiente (aumenta o ressecamento da pele);
3. Roupas de lã, tecidos sintéticos e ásperos em contato direto com a pele (aumentam a coceira);
4. Uso de sabonetes em excesso associado ou não ao uso de buchas;
5. Situações de estresse (aumentam a coceira).
A relação da dermatite atópica com alimentos não está bem estabelecida. Pode estar associada a alimentos, principalmente leite, nos casos graves e de início em recém-nascidos. Vale lembrar que não se trata de uma doença contagiosa.
PODER DA HIDRATAÇÃO
O objetivo do tratamento da dermatite atópica é o controle da coceira, a redução da inflamação da pele e a prevenção das recorrências. Devido à pele ressecada, a base do tratamento é o uso de emolientes ou hidratantes. Isso porque a hidratação é necessária para melhorar a barreira natural da pele. Pacientes devem ser orientados a aplicar esses produtos várias vezes ao dia¹.
Entre as principais orientações para evitar o agravamento das doenças de pele no outono estão reduzir o tempo de banho, evitar água muito quente, usar hidratantes logo após o banho e evitar buchas e esfoliantes agressivos. “O hidratante deve ser aplicado imediatamente após o banho, quando a pele ainda está úmida. Esse hábito faz muita diferença na proteção da barreira cutânea”, finaliza a dermatologista.
DERMATITE ATÓPICA OU PELE SECA? ENTENDA AS DIFERENÇAS
Embora apresentem sintomas semelhantes, como ressecamento, descamação e desconforto, pele seca e dermatite atópica são condições diferentes¹,². A pele seca, também chamada de xerose cutânea, ocorre quando a pele perde umidade e parte dos óleos naturais responsáveis por sua proteção. Fatores como envelhecimento, clima frio, baixa umidade do ar, banhos quentes frequentes e uso de produtos agressivos podem contribuir para o ressecamento da pele². Os sintomas mais comuns incluem aspereza, descamação, sensação de repuxamento e coceira.
Já a dermatite atópica é uma doença inflamatória crônica da pele associada a alterações da barreira cutânea e da resposta imunológica¹. De acordo com a SBD, a condição é caracterizada por pele ressecada, coceira intensa e lesões inflamatórias recorrentes, que podem surgir em diferentes regiões do corpo e variar em intensidade ao longo da vida¹. Embora ambas as condições possam causar desconforto, uma diferença importante é que a pele seca geralmente melhora com hidratação adequada e cuidados diários para restaurar a barreira cutânea². Na dermatite atópica, por outro lado, o controle dos sintomas costuma exigir acompanhamento médico e tratamento específico para reduzir a inflamação e prevenir novas crises¹,³.
A coceira persistente é considerada um dos principais sinais da dermatite atópica e pode impactar significativamente a qualidade de vida dos pacientes¹. Por isso, quando o ressecamento da pele é intenso, recorrente ou acompanhado de vermelhidão, lesões e prurido frequente, é importante procurar avaliação dermatológica para obter o diagnóstico
correto e definir a melhor estratégia terapêutica¹,³.
REFERÊNCIAS
1. Dermatite Atópica – Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Disponível em: www.sbd.org.br/doencas/dermatite-atopica. Acesso em: 08/06/2026.
2. Mayo Clinic. Dry skin (xerosis). Disponível em: www.mayoclinic.org/diseases-conditions/dry-skin/symptoms-causes/syc-20353885. Acesso em: 08/06/2026.
3. National Eczema Association. Atopic Dermatitis Overview. Disponível em: nationaleczema.org/types-of-eczema/atopic-dermatitis/. Acesso em: 08/06/2026.
Imagem: Shutterstock
Fonte: Guia da Farmácia