
A Raia Drogasil registra avanço consistente em suas principais frentes de negócio, com o canal digital em aceleração, a categoria de medicamentos GLP-1 em expansão e um plano robusto de abertura de lojas para 2026. É o que aponta relatório de análise de empresas publicado em 20 de setembro de 2026 pelo banco BTG Pactual.
GLP-1 como alavanca de volume
Os medicamentos agonistas do receptor de GLP-1, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras, seguem como um dos principais motores de crescimento da rede.
Segundo o relatório, a Raia Drogasil atende aproximadamente 1 milhão de clientes por mês nessa categoria, em um mercado brasileiro com potencial ainda muito maior: o Brasil consome cerca de 1 milhão de unidades de GLP-1 por mês, em um universo de 95,9 milhões de adultos classificados com sobrepeso ou obesidade.
O BTG Pactual destaca que a queda de preços decorrente da expiração da patente da semaglutida, ocorrida em março de 2026 no Brasil, não representa uma ameaça à categoria, mas uma oportunidade de ampliação de mercado.
Os dados internos da própria Raia Drogasil, citados no documento do BTG Pactual, ilustram essa dinâmica: entre o primeiro e o segundo trimestre de 2026, o índice de preço médio da semaglutida caiu de 100 para 78, enquanto a receita bruta da categoria subiu de 100 para 108, evidenciando elasticidade de volume favorável.
Digital já representa 31% das vendas da Raia Drogasil
O canal digital da Raia Drogasil atingiu participação de 31% sobre as vendas no varejo e registrou crescimento de 52% na comparação anual no segundo trimestre de 2026. Do total de receita digital, 94% dela é gerada por canais próprios da companhia, e 83%, especificamente pelo aplicativo. O relatório aponta que 96% dos pedidos digitais são entregues em até 60 minutos.
Um dos pontos centrais da análise do BTG Pactual é a complementaridade entre os canais físico e digital. Segundo o documento, clientes que utilizam ambos os canais (omnicanal) realizam, em média, 13 compras por ano, contra 7,3 compras anuais de clientes exclusivamente físicos. Além disso, a participação de clientes omnicanal na receita total saltou de 27%, no segundo trimestre de 2024, para 41%, no segundo trimestre de 2026.
A estratégia da loja conceito
O relatório descreve uma iniciativa recente da rede que sinaliza a evolução do formato físico: a abertura de uma unidade Raia Conceito em São Paulo. A loja tem 364 metros quadrados, mais que o dobro do tamanho de uma unidade convencional, e destina mais de 65% do espaço à categoria de beleza, com aproximadamente 2.500 produtos e cerca de 50 novas marcas. A expectativa da companhia é que o ticket médio da unidade seja de duas a três vezes superior ao de uma farmácia tradicional.
Expansão de lojas e participação de mercado
A Raia Drogasil encerrou o período com cerca de 3.700 lojas e tem como meta abrir entre 330 e 350 novas unidades em 2026. Segundo o BTG Pactual, a companhia detém aproximadamente 20% de participação nacional no setor farmacêutico.
O relatório aponta ainda que a produtividade média das farmácias Raia Drogasil é indexada em 100, enquanto as quatro maiores redes concorrentes registram índice de 70, e outras redes, 56. Farmácias independentes ainda representam cerca de 16% do mercado, e farmácias associativistas ou franqueadas, outros 25%.
Projeções financeiras
O BTG Pactual projeta receita líquida de R$ 45,5 bilhões para a Raia Drogasil em 2026, com avanço para R$ 52,3 bilhões em 2027 e R$ 58,7 bilhões em 2028.
A margem de Ebitda estimada para 2026 é de 8,2%, com trajetória de expansão para 8,7% em 2027 e 8,9% em 2028. O lucro líquido ajustado projetado é de R$ 1,59 bilhão em 2026, R$ 1,94 bilhão em 2027 e R$ 2,4 bilhões em 2028.
O retorno sobre capital investido (Roic) estimado para 2026 é de 20,8%, com projeção de atingir 27,5% em 2028. A alavancagem líquida da companhia está em 0,8 vez o Ebitda, nível considerado baixo pelo banco.
Riscos apontados pelo relatório
O documento elenca os principais riscos para o desempenho da companhia: tetos regulatórios para reajuste de preços no setor farmacêutico, condições macroeconômicas adversas, riscos de execução na expansão e conversão de lojas, o debate recorrente sobre a liberação da venda de medicamentos isentos de prescrição em supermercados e a concorrência crescente, especialmente na categoria de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos.
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