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Mercado

Redes da Abrafarma fecham 2025 com expansão; genéricos são destaque

Por Denise Turco 3 de dezembro de 2025 Atualizado em: 28 de novembro de 2025 Nenhum comentário 8 Minutos de leitura
sergio-mena-barreto-presidente-da-abrafarma

O varejo farmacêutico encerra 2025 com avanços impulsionados por investimentos em digitalização, Inteligência Artificial (IA) e expansão das lojas. Em um ambiente de forte competição, as grandes redes representadas pela Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) apresentam resultados positivos e seguem puxando o crescimento do setor. Ao mesmo tempo, enfrentam desafios regulatórios e até questões de segurança, como o aumento dos roubos e furtos de canetas emagrecedoras.

Em entrevista ao Guia da Farmácia, o CEO da Abrafarma, Sergio Mena Barreto, faz um balanço do desempenho das grandes redes neste ano, destacando investimentos, desafios e algumas lições para o próximo ciclo. Confira, a seguir, os principais trechos da conversa.

Que indicadores ou resultados refletem o desempenho da Abrafarma esse ano?

Eu diria que o grande resultado tem vindo do digital. Então, o digital foi motivo das missões internacionais da Abrafarma nos últimos 10 anos ou mais. A Abrafarma fez realmente a transformação digital, foco em omnicanalidade, desenvolveu o clique-retire – pessoalmente, não acreditava que um projeto como esse do clique-retire iria decolar no Brasil. Mas isso mostra a força do consumidor. E a Abrafarma está surfando nessa onda.

Nos últimos 12 meses, até outubro, o faturamento do que chamamos “extra loja”, ou seja, o eletrônico, foi de R$ 20,451 bilhões. Isso representa um crescimento de 50,67% em relação ao período anterior.

Além disso, o crescimento da Abrafarma está em torno de 13,80% até outubro, com cerca de R$ 115 bilhões no momento em que gravo essa entrevista. E o crescimento mais forte vem dos medicamentos genéricos, 16,75%. O não-medicamento, que sempre puxou o crescimento, está mais tímido nesse período, crescendo 10%, ou seja, um total de R$ 36 bilhões. A força está mesmo vindo do medicamento, que está crescendo 15,5%, ou seja, R$ 78 bilhões contra R$ 68 bilhões nos últimos dois meses.

A Farmácia Popular também teve um grande crescimento, de 61% – é um indicador forte. Isso aponta principalmente para a política do governo que dá mais força para esse programa, mas também o fato de que as grandes redes têm conquistado uma fatia maior de participação em razão da baixa competitividade das farmácias independentes. Então esses são os indicadores, principalmente as vendas no digital, que reforçam os resultados da Abrafarma em 2025.

Quais foram os principais investimentos realizados pelo setor em 2025?

Os principais investimentos foram em digitalização, em melhorar a performance da última milha. Então é muito interessante ver hoje redes que fazem entrega em domicílio em até 20 minutos, se for num raio próximo da loja.

Praticamente transformamos cada uma das nossas lojas em hubs de entrega em domicílio. A Abrafarma está com 11.532 lojas, então é como se tivéssemos mais de 11 mil minicentros de distribuição no País. E essa estrutura é principalmente para que a entrega aconteça muito próxima do cliente. Afinal, o cliente sempre quer uma entrega muito rápida.

Também investimos muito em Inteligência Artificial (IA), que por si só traz inovação. Acho que existe uma corrida pela IA, principalmente pelo potencial que ela oferece em várias áreas, para melhorar compras, sortimento, abastecimento de loja, planejamento estratégico e promoções.

O próprio Retail Media hoje está surfando nessa onda da Inteligência Artificial. E quando você trabalha melhor com dados e consegue utilizá-los para automatizar, aquilo que é muito penoso – como análise de base de dados e cruzamento de informações –, a IA faz isso muito rápido.

Então, os maiores investimentos foram nisso, inovação que vem da IA, digitalização e expansão de lojas. A gente saiu de 10.840 lojas para 11.530, uma expansão de 6,3%. E 15% dessas lojas são 24 horas, ou seja, 1.716 lojas.

Quais foram as conquistas mais importantes que a Abrafarma alcançou ao longo do ano?

Diria que 2025 é um ano de consolidação. Não foi um ano de tanta movimentação, de novidade, mas um ano de consolidação e de fazer melhor aquilo que vinha se fazendo, como os exemplos de digitalização e expansão que citei anteriormente.

Mas tivemos alguns pontos de inflexão, como a discussão dos Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPS) em supermercados, que tomou uma boa parte do ano. E, no final, chegamos a um texto de consenso no Senado, que está prestes a ser votado na Câmara, e que respeita a estrutura de saúde do País, determinando que o supermercado que quiser vender medicamentos, terá de colocar uma farmácia no interior do estabelecimento, com todas as licenças, com o profissional farmacêutico, com todas as regras e a segurança necessária. Esse foi um ponto forte desse ano.

Um outro ponto forte foi a própria realização do Abrafarma Future Trends, que alcançou recordes em todos os sentidos.

Acredito que estamos num grau de amadurecimento enorme das redes, com lojas muito bem montadas, um rigor muito grande, com qualidade do serviço, usando dados de forma muito segura e fazendo o dever de casa para evitar vazamentos.

Em termos de regulação, tivemos essa dos MIPs, que foi um avanço no Congresso Nacional, e também a própria consolidação da reforma tributária, que considerou o medicamento como um bem essencial.

Pela primeira vez, teremos uma alíquota das menores para todas as categorias e algumas categorias isentas. Isso tudo também teve um trabalho infralegal de consolidação, porque ainda estão em votação as leis complementares da reforma tributária aprovada. A Abrafarma esteve no centro desse movimento, participando ativamente de forma relevante.

E quais foram os principais desafios enfrentados em 2025?

O principal desafio de 2025 continua sendo prestar o melhor serviço. Precisamos revisar a RDC Nº 44, da Anvisa, porque em algumas cidades as farmácias continuam com mais dificuldade. O estado de São Paulo, por exemplo, está exigindo uma sala exclusiva para vacina. Uma regra muito antiga da Anvisa exigia uma sala exclusiva no serviço público e não temos outra regra além dessa. A farmácia voltou para esse mercado tardiamente em 2017 e a RDC 44 não foi revisada ainda, então isso continua sendo um desafio em muitos lugares.

sergio-mena-barreto-presidente-da-abrafarma-1Em São Paulo, com essa exigência da Secretaria de Saúde de ter uma sala exclusiva de vacinas, e em muitos locais onde se tem essa exigência, o serviço tem sido descontinuado, porque não é possível ter espaço na loja para atender essa regulação que precisa avançar.

É muito sintomático que no Brasil se tenha tanta exigência para aplicar uma vacina; e você chega nos Estados Unidos, num supermercado, numa farmácia, e tem simplesmente um biombo, duas cadeiras e uma mesa de apoio.

Infelizmente, às vezes, perdemos a guerra contra a desinformação, falta de tempo e a má vontade do usuário em se vacinar, porque as barreiras são muitas. Essa é uma típica barreira brasileira, como essa do Estado de São Paulo que foi colocada agora. Temos, obviamente, trabalhado nisso com esmero e as redes têm se desdobrado, mas acredito que a revisão da RDC 44 é muito importante. Temos que fazê-la em 2026.

O outro desafio enfrentado em 2025 é o crescimento exponencial de assaltos, inclusive com violência–, principalmente em função das canetas emagrecedoras. Temos visto um aumento expressivo de venda de produtos falsificados, de venda de produto impróprio para o consumo, produtos não registrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e venda nesses marketplaces.

É um verdadeiro caso de polícia que está acontecendo nesses marketplaces.  Pessoas que foram internadas pelo uso de produtos que foram inventados ‘no fundo de quintal’ e são vendidos no marketplace e absolutamente não se faz nada a respeito.

Na verdade, temos de subir a régua, subir o nível. Enquanto um marketplace compra uma farmácia e diz que quer ir na Anvisa para ter regras mais fluidas, o que o Brasil está precisando do contrário.

Esse ano de 2025 mostrou a fragilidade do consumidor perante um sistema que está mal organizado. Vender medicamentos, suplementos e até bebida alcoólica falsificada em marketplace é um desastre.

Essa é uma lição que fica para o próximo ciclo: como que o Brasil vai lidar com essa informalidade dos marketplaces. Temos batido nisso fortemente e a vamos continuar vigilantes para que o Brasil aumente o seu nível, o seu cuidado, e não reduza do jeito que tem se pregado por aí por uma parcela desses representantes desses marketplaces.

Fotos: Divulgação

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Denise Turco

Com formação em Jornalismo e Letras, atua como jornalista há 20 anos, com experiência nas áreas de varejo, negócios, consumo e tecnologia.

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