
A Reforma Tributária já não é mais um assunto distante. Ela começa a sair do papel a partir de 2026 e vai mexer diretamente com a rotina, os custos e o caixa das farmácias. E vamos ser sinceros: quem já vive o dia a dia do balcão sabe que margem é apertada, concorrência é grande e qualquer erro no imposto pesa, e muito.
A CEO da Contabiliza Pharma, Isabella Luna, afirma com exclusividade para o Guia da Farmácia, que entender o que vem pela frente não é questão de curiosidade. É questão de planejamento e sobrevivência.
O cenário atual
Hoje, a farmácia convive com vários impostos ao mesmo tempo, cada um com uma regra diferente. A promessa da Reforma é simplificar isso, substituindo tudo basicamente por dois tributos: Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).

Isabella Luna, CEO da Contabiliza Pharma
Mas isso não quer dizer que será necessariamente mais barato.
Na prática, o nome muda, o sistema muda…E a responsabilidade do empresário aumenta.
O novo modelo exige organização. Quem errar cadastro, nota ou processo pode perder crédito e pagar imposto a mais.
O que muda para as farmácias?
O principal impacto para o varejo farmacêutico está na forma como o imposto será calculado. O novo sistema funciona no modelo de Imposto sobre Valor Agregado (IVA), onde:
- O imposto será não cumulativo, ou seja, teremos um conta corrente onde a empresa precisa avaliar sua compra para ter direito aos seus créditos.
- Os créditos serão financeiros, ou seja, deixa de ser escriturais (o modelo atual a empresa dependendo do seu regime tributário tem direito ao crédito da nota fiscal). Com o novo modelo, o imposto precisa estar pago para dar direito ao crédito.
- Erros operacionais passam a gerar impacto direto no caixa.
Ou seja, a farmácia que não tiver controle, processos e dados organizados pode acabar pagando mais imposto do que deveria.
O grande desafio: margens apertadas
O setor farmacêutico já opera com margens reduzidas, preços regulados e forte concorrência. Com a nova tributação:
- Medicamentos podem ter carga tributária diferente dos atuais incentivos.
- Benefícios fiscais irão desaparecer ao longo da transição.
- O custo tributário pode aumentar se não houver planejamento.
Ou seja, não dá mais para “ir levando” sem olhar números, sem ter gestão.
Como será a transição
Entre 2026 e 2032, a farmácia vai conviver com o sistema antigo e o novo ao mesmo tempo.
É o período mais perigoso para quem não se organiza, porque:
- A complexidade aumenta;
- O risco de erro dobra;
- O impacto financeiro aparece rápido;
Quem se prepara antes atravessa essa fase com mais tranquilidade.
Qual é o calendário de mudanças?
2026: mudança de layout de notas fiscais + cobrança de alíquota teste de CBS/IBS para que não cumprir as obrigações acessórias (em tese ano para organização e planejamento);
2027: fim do PIS/COFINS com isso não teremos mais produtos monofásicos, com isso as empresas precisam analisar e estudar os cenários tributários, visto que hoje todos os medicamentos por exemplo são monofásicos (o imposto é cobrando na indústria demais fases não tributam). Início da CBS, apenas um rol de produtos tem isenção de 100% e outros 60%, com isso existe um temor de aumento de impostos.
2029 e 2032: início da transição do ICMS para IBS, culminando em 2033 com a implantação completa dos novos impostos.
O que a farmácia pode fazer agora, sem complicação
1)Olhar para os impostos que são pagos hoje
2) Organizar cadastros e documentos
3) Entender onde está sua margem de verdade
4) Simular cenários antes que a regra mude
5)Reavaliar o regime tributário da sua farmácia
6)Envolver quem cuida da rotina da farmácia
7) Contar com quem entende do setor farmacêutico
Conclusão
A Reforma Tributária não precisa ser vista como uma ameaça, mas como um divisor de águas. Ela exige mudança de postura, mais gestão e mais planejamento
Para o empresário farmacêutico, a mensagem é simples: quem se antecipa, sofre menos e protege o caixa.
Buscar orientação especializada pois a reforma não é genérica. Farmácia tem particularidades que fazem toda a diferença no resultado final. Revisar processos e entender os impactos no seu negócio será decisivo para atravessar esse novo cenário com segurança.
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