
A Eli Lilly recebeu na segunda-feira (10/08) a primeira aprovação internacional para o Foundayo, seu comprimido de perda de peso, ao obter sinal verde da agência reguladora britânica MHRA para comercializar o orforglipron no Reino Unido.
A decisão transforma o país no segundo mercado — depois dos Estados Unidos — a contar com a pílula da farmacêutica americana e inaugura uma nova fase na disputa direta com a Novo Nordisk, que lançou o Wegovy oral na Europa há dois meses.
Com a aprovação, o Reino Unido passa a ser o único país europeu com duas alternativas orais de GLP-1 voltadas ao emagrecimento no mercado.
A autorização da Medicines and Healthcare products Regulatory Agency (MHRA) cobre o uso do Foundayo tanto para controle de peso quanto para diabetes tipo 2, mediante prescrição.
O acesso pelo sistema público de saúde britânico, no entanto, ainda depende de uma análise de custo-efetividade conduzida pelo National Institute for Health and Care Excellence (NICE), o que significa que, em um primeiro momento, o medicamento deve estar disponível por meio de prescrição privada no país.
Estratégia da Lilly: praticidade como diferencial competitivo
A Lilly chega ao mercado britânico apostando em um argumento que considera decisivo para conquistar pacientes: a possibilidade de tomar o Foundayo sem restrições alimentares.
Diferentemente do Wegovy oral, que exige administração em jejum, logo pela manhã, com um gole de água — e sem consumo de alimentos ou bebidas por pelo menos 30 minutos —, o Foundayo é uma molécula pequena que pode ser ingerida com mais flexibilidade no dia a dia.
A Novo Nordisk, por sua vez, utilizou a vantagem de alguns meses no mercado oral para posicionar o Wegovy como a opção mais eficaz entre os comprimidos para perda de peso.
A farmacêutica dinamarquesa aposta no reconhecimento da semaglutida, mesmo princípio ativo de seus injetáveis consagrados, para atrair médicos e pacientes.
Adoção nos EUA e o impacto no segundo trimestre
O Foundayo foi lançado nos Estados Unidos em abril e registrou US$ 98 milhões em vendas no segundo trimestre. Apesar do começo promissor, a adoção tem sido significativamente mais lenta que a do Wegovy oral no mercado americano.
David Ricks, presidente-executivo da Eli Lilly, afirmou em abril que o produto é uma medicina completamente nova, que precisa de tempo para se estabelecer entre médicos e pacientes — diferentemente do Wegovy, que já carrega a familiaridade da semaglutida.
Executivos das duas companhias defendem que as versões orais estão expandindo o mercado de GLP-1, em vez de apenas atrair pacientes que já utilizavam os injetáveis de maior custo.
Mike Doustdar, presidente-executivo da Novo Nordisk, disse que o segmento pode se tornar, em grande medida, um mercado de pílulas no futuro, embora tenha ressaltado que ainda é cedo para avaliar o desempenho do Wegovy oral.
Números do lançamento britânico e perspectivas
Nas primeiras três semanas de disponibilidade do Wegovy oral no Reino Unido, cerca de 300 mil pacientes teriam iniciado o tratamento com o comprimido, segundo estimativas da própria companhia.
O número reforça o potencial do mercado britânico e ajuda a explicar a pressa da Lilly em obter aprovação no país.
Doustdar também rebateu preocupações sobre uma possível desaceleração do momento do Wegovy oral depois que as vendas do comprimido ficaram ligeiramente abaixo de algumas previsões de analistas no segundo trimestre.
A leitura é de que o ciclo de adoção ainda está em estágio inicial e que as pílulas tendem a desempenhar um papel estrutural na indústria de GLP-1.
O novo campo de batalha das pílulas de GLP-1
A aprovação no Reino Unido é o primeiro movimento relevante da Lilly fora dos EUA, mas a guerra global das pílulas de emagrecimento está apenas começando.
Com o Foundayo acessível no mercado britânico por prescrição privada — e com potencial futuro de cobertura pelo NHS após a avaliação do NICE —, a disputa por participação no segmento oral ganha contornos mais definidos na Europa.
Para investidores e analistas, o desenrolar dessa competição será determinante para calibrar expectativas sobre a trajetória de receitas das duas farmacêuticas nos próximos trimestres.
Enquanto a Novo Nordisk se apoia na força da marca semaglutida e na dianteira no mercado oral, a Lilly contra-ataca com a conveniência de uso do Foundayo e com a capacidade de produção de uma molécula sintetizada em escala.
Fonte: Space Money
Foto: Eli Lilly
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