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Remdesivir, aprovado pela FDA, é testado em humanos no Brasil

O antiviral Remdesivir está na fase de testes no Brasil com importantes centros médicos envolvidos. Os estudos buscam apontar sua eficácia contra a Covid-19

O Remdesivir está na fase de testes no Brasil. O antiviral é aprovado em caráter emergencial pela rigorosa agência de medicamentos americana Food and Drug Administration (FDA) para casos em adultos e crianças internados com a infecção ou quadros suspeitos nos EUA.

O Brasil entrou no cenário com dois estudos importantes de fase III.

Isto é, com a participação de voluntários humanos para testar o medicamento.

Trata-se de um esforço de grande porte, com o envolvimento de diversas instituições brasileiras renomadas.

O primeiro deles faz parte de um esforço internacional da Organização Mundial da Saúde (OMS) no projeto de nome “Solidariedade” em que há também a testagem de outros fármacos.

Os envolvidos

O trabalho é coordenado no País pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e conta com importantes centros médicos a exemplo do Instituto de Infectologia Emilio Ribas e o Hospital Sírio-Libanês, ambos em São Paulo.

São estudos que buscam apontar com assertividade a segurança e eficácia do Remdesivir o que já foi mostrado em estudos  preliminares” diz o diretor-geral do centro de cardiologia do hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, Roberto Kalil.

Participam das análises pacientes positivos para Covid-19 em quadros agravados ou moderados da doença, internados por pelo menos três dias.

Em busca de um tratamento

“Uma vez confirmada a eficácia do medicamento é esperado que a Organização Mundial de Saúde (OMS) o determine como um tipo de tratamento padrão”, diz a infectologista Mirian Dal Ben, também do Sírio-Libanês.

Outro estudo que também leva o Remdesivir em suas análise é coordenado pelo Instituto do Coração, em São Paulo.

Ali, não se busca, no entanto, identificar a eficácia do Remdesivir, mas sim compreender sua reação combinada a um outro fármaco, o Tocilizumabe.

Isso porque em alguns pacientes graves de Covid-19 a resposta imunológica do organismo é exagerada, podendo causar, entre outros efeitos, danos nos pulmões.

A ideia é, então, entender se o uso combinado dos dois medicamentos poderá, de alguma forma, atenuar este efeito.

“Apesar de ser um mecanismo de defesa importante, em alguns pacientes é intensivo demais. Estamos tentando entender se é possível ocorrer o bloqueio da substância que causa a reação exagerada”, diz o diretor de Acesso e Médico da Roche Farma Brasil, responsável pelo medicamento utilizado em combinação, Lenio Alvarenga.

Até agora 85 pacientes já tomaram o Remdesivir combinado com este fármaco — originalmente dedicado ao tratamento de atrite reumatoide — ou o medicamento com placebo.

São sete centros participantes ao todo, entre eles a Faculdade de Medicina do ABC.

Estudos em laboratório

Na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), as análises com o Remdesivir ocorrem em laboratório, sem voluntários, mas sim com células infectadas.

“Estamos estudando sua ação e seu mecanismo de funcionamento, assim podederemos determinar qual a melhor forma de utiliza-lo”, disse a reitora da instituição Soraya Smaili, a VEJA.

A especialista em farmacologia, no entanto, alerta que estudos clínicos (ou seja, com a participação de pessoas) capitaneados pela universidade e também por outras instituições de ensino seriam dificultados por conta do alto preço de importação do fármaco. Na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ainda não há pedido de registro (a liberação comercial) do Remdesivir no Brasil.

Foto: Shutterstock

Fonte: Veja

 

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