Remdesivir: o que é, como funciona, cura o coronavírus?

O antiviral foi o primeiro medicamento aprovado no País para pacientes internados com Covid-19. Não é vendido em farmácias e não substitui a vacina

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou o uso do medicamento antiviral Remdesivir no tratamento de pessoas hospitalizadas com covid-19 no Brasil. O remédio é bastante usado nos Estados Unidos em pacientes graves que não estão entubados.

Em novembro do ano passado, a OMS se posicionou contra o uso do remédio no tratamento da covid-19 por considerar que faltam evidências sobre seus benefícios e que o seu custo é muito alto. A organização ressaltou, no entanto, que isso não significa que ele não possa ter benefício para alguns pacientes.

O que é o remdesivir?

O remdesivir é um antiviral desenvolvido inicialmente para o tratamento do ebola. Embora tenha apresentado bons resultados em estudos pré-clínicos, o medicamento não teve a eficácia esperada em um estudo randomizado conduzido durante um surto da doença.

Posso comprar na farmácia?

Não. O remdesivir deve ser usado exclusivamente em ambiente hospitalar, com monitoramento do estado clínico e da evolução do quadro, explica o químico Adriano Andricopulo, pesquisador da USP. Contudo, o medicamento ainda não está disponível nos hospitais do Brasil e nem para compra em farmácias.

Qual é o preço do remdesivir?

Em junho, a Gilead, fabricante do remdesivir, disse que cobraria aos hospitais dos Estados Unidos US$ 3.120 pelo remédio. A empresa afirmou que ainda não há definição sobre os preços que serão praticados no Brasil.

Existe um genérico do remdesivir?

A Gilead tem a patente do medicamento, ou seja, o direito exclusivo de explorá-lo comercialmente. Para facilitar o acesso ao tratamento, a empresa abriu mão da exclusividade a nove fabricantes de medicamentos genéricos da Índia, do Egito e do Paquistão.

Essas empresas comercializam o remdesivir a preços muito mais baixos que os praticados pela Gilead. A versão mais barata do medicamento é vendida pela Zydus Cadila Healthcare, que cobra US$ 39 por dose (cerca de R$ 217). Contudo, o acordo institui que essas farmacêuticas só podem vender o produto a 127 países — e a lista não inclui o Brasil.

No mercado brasileiro, a Gilead tem a exclusividade da produção e comercialização do remdesivir. Portanto, nos termos atuais, não há possibilidade de venda da versão genérica do remédio no País.

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Como o remdesivir funciona?

O medicamento bloqueia a transcrição do RNA do vírus e, assim, impede a replicação viral. Isso pode ajudar o corpo a superar a infecção pelo vírus e pode ajudar os pacientes a melhorarem mais rapidamente. 

Como é a aplicação do medicamento? 

O químico Adriano Andricopulo, pesquisador da USP que trabalha com química medicinal, planejamento de fármacos e medicamentos para combater a covid-19, explica que o medicamento é intravenoso, preparado a partir de um pó. Ele pode ser armazenado em temperatura ambiente e tem longo prazo de validade, de até três anos.

A OMS aconselha o uso do remdesivir?

Em novembro de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou uma nota se posicionando contra o uso do remédio no tratamento de pacientes hospitalizados com covid-19. Desse modo, para justificar a decisão, a instituição afirma que faltam evidências dos benefícios e que há possíveis riscos associados ao uso do remédio, que tem alto custo.

O remdesivir é eficiente contra a Covid-19?

Em um artigo publicado no periódico científico British Medical Journal, um painel de especialistas da organização afirma que o uso do remédio não é recomendado pois não há evidência de que ele aumente a chance de sobrevivência ou diminua o risco de ventilação mecânica.

Um mês antes, outro estudo já havia concluído que o remdesivir, a hidroxicloroquina e outros dois antivirais tiveram pouco ou quase nenhum efeito sobre os tempos de internação ou chances de sobrevivência de pacientes da covid-19. A OMS ressaltou que isso não significa que o medicamento não possa ter benefício para alguns pacientes.

Entretanto, um estudo feito pelo Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos (NIAID) com cerca de mil pacientes hospitalizados mostrou que o remdesivir reduziu o tempo de internação de pacientes de 15 para 11 dias. Em pacientes com doença grave que usaram oxigênio suplementar, o tempo de recuperação caiu de 18 para 12 dias.

Não foi observada, porém, diferença no tempo de recuperação no grupo de pacientes com doença grave que iniciaram o tratamento com remdesivir quando já estavam em ventilação mecânica ou oxigenação por membrana extracorporal. Além disso, também não houve benefícios em casos leves ou moderados.

“Este não é um grande tratamento”, afirma Andricopulo. “Ele traz uma melhoria bem modesta e custa muito caro. Também é controverso e não é recomendado pela OMS.”

Quais os efeitos colaterais do remdesivir?

De acordo com a Agência Europeia de Medicamentos (EMA), o efeito colateral mais frequente (que pode afetar mais de uma em cada dez pessoas) em voluntários saudáveis é o aumento dos níveis de enzimas hepáticas no sangue (um sinal de problemas no fígado). Já entre os pacientes de covid-19 o efeito mais frequente é náusea, que pode afetar 1 em cada 10 pessoas.

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Quantos países aprovaram o uso do remdesivir para tratamento da Covid?

De acordo com a farmacêutica Gilead, que produz o remédio, o uso temporário do remdesivir já foi aprovado ou autorizado em mais de 50 países, incluindo Estados Unidos, Austrália, Canadá, União Europeia, Hong Kong, Índia, Israel, Japão, Cingapura, Coreia do Sul, Taiwan e Emirados Árabes Unidos.

Qual a indicação do medicamento?

Nos Estados Unidos, a Agência de Alimentos e Medicamentos (FDA) recomenda o uso de remdesivir apenas para pacientes hospitalizados que necessitam de oxigênio suplementar mínimo. Assim, casos mais graves, que precisam de ventilação mecânica, não recebem o tratamento com o remédio.

O remdesivir é indicado para casos leves ou tratamento precoce da Covid? 

Não. De acordo com Andricopulo, o remédio só deve ser usado em pacientes graves, hospitalizados, que necessitam de oxigênio suplementar.

Por que já temos algumas vacinas aprovadas e nenhum tratamento totalmente eficaz para a Covid-19?

falta de avanço em relação aos tratamentos contra a covid-19 até o momento pode estar relacionada ao fato de que a abordagem usada no início da pandemia foi buscar o reposicionamento de fármacos – pegar remédios que já existiam para outras doenças e testá-los, in vitro, contra o coronavírus.

A estratégia fazia sentido porque, sendo promissores nesta primeira etapa, eles poderiam já passar aos testes com humanos, visto que já eram sabidos como substâncias seguras. Isso poderia ganhar tempo, se dessem certo. Mas isso não ocorreu. Cerca de 250 substâncias foram registradas como tentativas para tratamento de covid-19.

Especialistas explicam que, por um lado, a falta de avanço no tratamento não é inesperada. Primeiramente porque os maiores esforços científicos foram para as vacinas – o que faz sentido seguindo o princípio mais básico do “é melhor prevenir do que remediar”. Por outro lado, os vírus, em geral, são mais difíceis de lidar com medicamentos do que bactérias, por exemplo.

Conclusão

O remdesivir é um medicamento antiviral desenvolvido inicialmente para o tratamento do ebola. Embora tenha apresentado bons resultados em estudos pré-clínicos, o medicamento não teve a eficácia esperada em um estudo randomizado conduzido durante um surto da doença.

Ele atua bloqueando a transcrição do RNA do vírus e, assim, impede a replicação viral. Isso pode ajudar o corpo a superar a infecção pelo vírus e pode ajudar os pacientes a melhorarem mais rapidamente. 

Nos Estados Unidos, a Agência de Alimentos e Medicamentos (FDA) recomenda o uso de remdesivir apenas para pacientes hospitalizados que necessitam de oxigênio suplementar mínimo. Casos mais graves, que precisam de ventilação mecânica, não recebem o tratamento com o remédio.

 

Fonte: Guia da Farmácia / Estadão / Organização Pan-Americana da Saúde (Opas)

Foto: Shutterstock

Não se automedique, consulte um profissional de saúde.

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