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Sarampo voltou? Veja tudo o que a equipe da farmácia precisa saber

Guia da Farmácia Por Guia da Farmácia 17 de agosto de 2026 Atualizado em: 14 de agosto de 2026 Nenhum comentário 7 Minutos de leitura
sarampo

O sarampo voltou a circular com força no Brasil. Em alerta epidemiológico divulgado em 7 de agosto, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) aponta que a Região das Américas registra, em 2026, o maior número de casos confirmados de sarampo dos últimos 22 anos e mantém risco muito alto para a saúde pública devido à ocorrência de surtos ativos. Diante desse cenário, a organização recomenda o fortalecimento da vacinação, da vigilância epidemiológica e da resposta rápida aos casos.¹

No Brasil, em 2026, até o momento, há registro de 24 casos de sarampo, relacionados à importação do vírus. Três foram encerrados sem risco de disseminação e 21 permanecem em acompanhamento em São Paulo: um em Guarulhos, dois em São Bernardo do Campo e 18 na capital.¹

O cenário preocupa autoridades sanitárias, profissionais de saúde e o varejo farmacêutico, que ocupa posição estratégica na orientação ao público e no acesso à vacinação.

O que o sarampo é e como se transmite

O sarampo é uma doença infecciosa viral causada pelo vírus do gênero Morbillivirus, com transmissão exclusivamente humana e um dos maiores índices de contágio conhecidos na medicina: uma pessoa infectada pode transmitir o vírus a cerca de 12 a 18 pessoas suscetíveis em seu entorno, o que classifica a doença como altamente contagiosa.²

A contaminação ocorre por via aérea, por meio de gotículas ou aerossóis eliminados por pacientes ao tossir, espirrar ou simplesmente respirar. O vírus pode permanecer no ar por até duas horas após a saída do infectado de um ambiente fechado.³

Sintomas e evolução clínica

O período de incubação do sarampo varia de 10 a 14 dias. Os primeiros sintomas se assemelham a uma gripe comum, com febre elevada (acima de 38,5°C), tosse seca persistente, coriza intensa, conjuntivite e mal-estar geral. Entre o segundo e o terceiro dia, surgem as chamadas manchas de Koplik, pequenos pontos brancos na mucosa oral considerados sinal patognomônico da doença, isto é, exclusivos do sarampo.⁴

Em seguida, entre o quarto e o quinto dia, aparece o exantema maculopapular (manchas avermelhadas na pele), que se inicia no rosto e progride em direção ao tronco e às extremidades do corpo. Esse quadro costuma durar de cinco a seis dias.⁴

Embora muitos casos evoluam sem complicações em adultos saudáveis e crianças bem nutridas, o sarampo pode ser grave. As complicações mais frequentes incluem pneumonia, otite média, encefalite e diarreia severa. Em crianças menores de cinco anos, gestantes e pessoas imunossuprimidas, o risco de desfechos fatais é significativamente maior.⁵

Cenário epidemiológico recente no Brasil

O Brasil havia recebido o certificado de eliminação do sarampo pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) em 2016, após interromper a circulação endêmica do vírus. O certificado foi suspenso em 2019, após grandes surtos nos estados do Amazonas e de Roraima, com mais de 18 mil casos confirmados naquele ano.⁶

Desde então, o país convive com surtos esporádicos, em grande parte associados à queda na cobertura vacinal. Em 2023 e 2024, a cobertura da primeira dose da vacina tríplice viral (SCR) permaneceu abaixo da meta de 95% preconizada pelo Ministério da Saúde em todos os estados brasileiros, com algumas unidades federativas registrando índices inferiores a 70%.⁷

Segundo o Ministério da Saúde, o perfil dos casos notificados em 2025 aponta para maior concentração em crianças menores de 1 ano, que ainda não completaram o esquema vacinal, e em adultos jovens nascidos entre 1980 e 1990, geração que recebeu apenas uma dose da vacina ou que não foi adequadamente imunizada durante a infância.8

Vacinação: única forma de prevenção eficaz

A vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, é disponibilizada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e integra o Calendário Nacional de Vacinação. O esquema recomendado pelo Ministério da Saúde prevê duas doses: a primeira aos 12 meses e a segunda entre 15 e 18 meses de vida.9 Crianças que não receberam as doses no prazo ou adultos sem comprovante de vacinação devem buscar atualização do esquema nas unidades de saúde.

A vacina é segura e altamente eficaz: duas doses conferem proteção de 97% contra a doença.9 Eventos adversos graves são raros. Os efeitos mais comuns são dor e vermelhidão no local da aplicação, além de febre leve nos dias seguintes à imunização.

Papel das farmácias e profissionais da saúde

O apelo é para que as instituições de saúde mantenham os registros atualizados, promovam ações de vacinação in loco, campanhas de conscientização e capacitações sobre prevenção do sarampo10.

A ausência de proteção pode comprometer a segurança dos serviços e de pacientes vulneráveis. Reforçamos também a importância da adoção de medidas não farmacológicas, como o isolamento oportuno de casos, uso de EPIs (máscaras), triagem adequada, ventilação dos ambientes e higiene das mãos10.

Também é fundamental que os profissionais de saúde notifiquem imediatamente todo indivíduo que atender a definição de caso suspeito de sarampo (febre alta e mal-estar e pelo menos mais um dos seguintes sinais e sintomas: tosse e/ou conjuntivite e/ou coriza), para que possam ser investigados, ter suas amostras de material biológico coletadas oportunamente e que as ações de bloqueio vacinal possam ser implementadas em até 72 horas. Além disso, os contatos dos casos suspeitos devem ser monitorados por 30 dias e orientados para receber a vacina10.

A medida mais eficaz para prevenir a doença e controlar surtos e epidemias é a vacinação. No Brasil, a vacina tríplice viral está disponível para pessoas de 6 meses a 59 anos em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS). Além de evitar a contaminação com o vírus do sarampo, ela também evita caxumba e rubéola10.

Referências

  1. Ministério da Saúde. Disponível em: www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias-ms/2026/agosto/alerta-sobre-sarampo-nas-americas-reforca-importancia-de-intensificar-vacinacao-no-brasil. Acesso em: 14/08/2026.
  2. Measles. World Health Organization (WHO). Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/measles. Acesso em: 14/08/2026.
  3. Sarampo: transmissão e controle. Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Disponível em: https://www.cdc.gov/measles/transmission.html. Acesso em: 14/08/2026.
  4. Guia de Vigilância em Saúde — Sarampo. Ministério da Saúde. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/vigilancia/guia-de-vigilancia-em-saude. Acesso em: 14/08/2026.
  5. Sarampo: complicações. Biblioteca Virtual em Saúde — Ministério da Saúde. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/sarampo/. Acesso em: 14/08/2026.
  6. Sarampo no Brasil: histórico de casos e eliminação. Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Disponível em: https://www.paho.org/pt/brasil. Acesso em: 14/08/2026.
  7. Cobertura vacinal no Brasil — relatório 2023-2024. Ministério da Saúde — Departamento de Imunização e Doenças Imunopreveníveis (DPNI). Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/svsa/imunizacoes. Acesso em: 14/08/2026.
  8. Casos de sarampo no Brasil em 2025. Ministério da Saúde — Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/sarampo. Acesso em: 14/08/2026.
  9. Calendário Nacional de Vacinação 2026. Ministério da Saúde. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/vacinacao/calendario. Acesso em: 14/08/2026.
  10. Sarampo: Ministério da Saúde reforça a importância da vacinação dos profissionais de saúde. Disponível em: https://site.cff.org.br/noticia/Noticias-gerais/23/09/2025/sarampo-ministerio-da-saude-reforca-a-importancia-da-vacinacao-dos-profissionais-de-saude. Acesso em: 14/08/2026.

Foto: Shutterstock

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