
Farmacêutico têm papel central no acolhimento de pacientes com sofrimento psíquico. Saiba como oferecer um atendimento seguro e humanizado.
A farmácia costuma ser um dos primeiros pontos de contato entre o paciente e o sistema de saúde. E diante da crescente demanda por cuidados em saúde mental no Brasil, o farmacêutico ocupa uma posição estratégica para identificar sinais de sofrimento psíquico e oferecer um acolhimento qualificado. A orientação de especialistas é clara: técnica e humanização precisam caminhar juntas.
Para a farmacêutica da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP), Maria Aparecida Nicoletti, o ponto de partida é a sensibilidade para decifrar diferentes formas de comunicação. “O farmacêutico precisa ter sensibilidade e conhecer as diferentes linguagens do paciente que podem ser um indicativo de um estado emocional: linguagem verbal, não verbal e a paralinguagem. A junção dessas três formas de expressão é essencial para identificar manifestações que estão relacionadas ao sofrimento psíquico”, explica a especialista.
Na prática, isso significa observar não apenas o que o paciente diz, mas como diz. Tom de voz, hesitações, choro, postura corporal e expressões faciais são sinais clínicos relevantes. “A ausência de julgamento e a atenção plena ao que não é dito evitam a perda de informações clínicas valiosas”, completa Maria Aparecida.
ESCUTA ATIVA C COMO FERRAMENTA CENTRAL
Entre as boas práticas recomendadas pela especialista estão: ouvir sem interromper, manter contato visual, fazer perguntas abertas, respeitar os momentos de silêncio e evitar julgamentos. “O paciente deve se sentir ouvido em suas necessidades”, destaca. No que diz respeito ao acompanhamento farmacoterapêutico, Maria Aparecida orienta que o profissional explique o objetivo do tratamento, informe sobre efeitos adversos, incentive a adesão e esteja atento a sinais de alerta. “O farmacêutico deve identificar sinais para o encaminhamento devido: piora importante dos sintomas, abandono do tratamento, eventos adversos graves, uso inadequado dos medicamentos, sinais de dependência, pensamentos de morte ou suicídio”, alerta.
QUANDO E COMO ENCAMINHAR
O encaminhamento a outros profissionais deve ocorrer sempre que a situação superar a competência clínica do farmacêutico. Para Maria Aparecida, esse momento exige quatro características: ser oportuno, acolhedor, fundamentado e garantir a continuidade do cuidado. “O farmacêutico continuará acompanhando e orientando o paciente em relação ao uso seguro e eficaz dos medicamentos”, reforça.
Para toda a equipe da farmácia, a recomendação é objetiva: atendimento respeitoso, escuta ativa, privacidade, orientação baseada em evidências e ambiente livre de preconceitos. “Muitas vezes, o paciente procura a farmácia não apenas para adquirir um medicamento, mas também para ser ouvido”, conclui a especialista.
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