
Um levantamento da Ipsos, realizado em fevereiro deste ano, mostra que a saúde (38%) ocupa posição de destaque entre as maiores inquietações da população, atrás somente de crime e violência (49%) e corrupção (40%).
Para entender com mais profundidade o tema, a empresa analisou o comportamento dos brasileiros no estudo “Ipsos Global Trends – 9ª onda”, identificando mudanças relevantes na forma como a população se relaciona com a saúde.
Segundo o CEO da Ipsos no Brasil, Diego Pagura, o País se destaca no cenário internacional. “O Reino Unido e o Brasil são os dois dos países onde mais se mencionam a saúde como uma principal preocupação, acima da média global e de forma constante, pelo menos anos nos últimos seis anos. No Brasil, esse movimento é ainda mais antigo, vem desde 2015”, afirmou o executivo em evento promovido pela Ipsos e pelo Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma), em março, em São Paulo (SP).
Nesse contexto, uma das principais tendências identificadas é a chamada saúde consciente, caracterizada por maior atenção à saúde física e mental, busca por autocuidado e adoção de hábitos saudáveis, impulsionada pelo acesso amplo à informação sobre prevenção e tratamentos.
Entre os fatores que sustentam essa tendência está o envelhecimento da população, uma macroforça global que vai transformar a demografia nas próximas décadas, segundo Pagura. “A longevidade é uma pauta brasileira”, disse.
Os avanços tecnológicos e a maior disponibilidade de informações também contribuem para esse movimento. Por outro lado, há alguns desafios. A concentração da população em grandes cidades, por exemplo, cria barreiras e tensões para conseguir manter hábitos saudáveis.
Consumidor engajado com a saúde
A pesquisa da Ipsos traz dados que refletem esse cenário:
- 59% dos brasileiros esperam viver até os 100 anos, acima da média global de 38%;
- 90% dizem que precisam cuidar melhor do seu bem-estar mental (78% no mundo);
- 52% apontam a saúde mental como o maior problema de saúde do país, índice que chega a 60% entre mulheres da geração Z;
- 76% buscam informações de saúde por conta própria, ao invés de só seguir as orientações médicas; o índice global é de 68%;
- 73% afirmam que frequentemente tomam decisões de saúde sem consultar o médico (59% no mundo).
De olho na obesidade
A preocupação em relação ao peso também é um ponto relevante no comportamento do brasileiro: 65% gostariam de perder peso, em linha com a média global.
Outro dado que chama atenção é o alto nível de conhecimento sobre as chamadas “canetas emagrecedoras”, os medicamentos análogos ao GLP-1. Segundo o estudo, 58% dos brasileiros já ouviram falar desses produtos, enquanto a média global é de 36%.
Segundo Pagura, esses comportamentos revelam que o brasileiro é mais engajado para buscar informações, aberto à inovação e disposto a experimentar novas soluções. “Vemos os impactos disso na indústria farmacêutica e de alimentos, com a ampliação da oferta de suplementos e proteínas, por exemplo, para atender esses novos hábitos do público”.
Nesse cenário, a saúde preventiva ganha protagonismo. “O paciente está cada vez mais orientado pela lógica da prevenção, especialmente sob a ótica da longevidade”, analisou o executivo.
Segundo ele, empresas que investirem em soluções voltadas à prevenção tendem a sair na frente. “Há uma oportunidade clara para quem conseguir ocupar esse espaço de forma consistente”, concluiu.
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