
Coceira intensa, ardor e corrimento branco podem causar bastante desconforto, mas nem sempre indicam a mesma condição. O tratamento da candidíase vaginal deve ser orientado pela avaliação dos sintomas e, quando necessário, por exame ginecológico, porque outras infecções podem provocar sinais parecidos e exigem cuidados diferentes.
A candidíase vaginal é uma infecção causada pela proliferação excessiva de fungos do gênero Candida, principalmente a Candida albicans. Esses fungos podem existir naturalmente na região íntima sem causar problemas. A infecção acontece quando há um desequilíbrio no ambiente vaginal, favorecendo a sua multiplicação.
Como é o tratamento da candidíase vaginal
Em geral, o tratamento é feito com medicamentos antifúngicos, que eliminam ou reduzem o crescimento do fungo. A escolha entre creme vaginal, óvulo, comprimido ou pomada para a região externa depende dos sintomas, da frequência das crises, da gravidez, de outras doenças e do medicamento que a pessoa já utilizou.
Nos casos leves e ocasionais, o ginecologista pode indicar antifúngicos de uso local por um, três, sete ou mais dias. Entre as substâncias que podem ser usadas estão miconazol, clotrimazol, nistatina, tioconazol e terconazol. A duração varia conforme o produto e a orientação profissional, por isso não é recomendado interromper o uso assim que os sintomas melhoram.
Em algumas situações, pode ser prescrito um antifúngico por via oral, como o fluconazol. Esse medicamento pode ser conveniente para algumas pessoas, mas não deve ser usado por conta própria. Ele pode interagir com outros remédios e não é a opção mais adequada em todas as situações.
A coceira ou a ardência na parte externa da vulva também podem melhorar com uma pomada antifúngica indicada pelo médico. Porém, passar pomada apenas na parte externa não costuma tratar adequadamente uma infecção que está dentro da vagina.
Tratamento durante a gravidez
Na gravidez, qualquer coceira, corrimento ou ardor deve ser avaliado pelo obstetra. Quando a candidíase é confirmada, costuma-se dar preferência aos antifúngicos de uso vaginal, geralmente por períodos mais longos. Medicamentos orais, especialmente o fluconazol, não devem ser utilizados sem indicação médica durante a gestação.
O acompanhamento é importante porque o corrimento na gravidez também pode estar relacionado a vaginose bacteriana, infecções sexualmente transmissíveis ou outras alterações que precisam de tratamento específico.
O que fazer para aliviar o desconforto
Enquanto o medicamento faz efeito, alguns cuidados simples podem reduzir a irritação. O ideal é lavar apenas a parte externa da região íntima com água e, se necessário, sabonete suave e sem perfume. Duchas vaginais não são recomendadas, pois podem alterar a flora vaginal e piorar o desequilíbrio.
Também pode ajudar usar calcinha de algodão, evitar roupas muito apertadas e trocar roupas molhadas, como biquíni ou roupa de academia, assim que possível. Absorventes diários perfumados, desodorantes íntimos, lenços com fragrância e produtos de banho perfumados podem irritar a vulva e devem ser evitados durante os sintomas.
Relações sexuais podem causar mais dor, ardor e atrito enquanto há inflamação. Por isso, pode ser mais confortável esperar a melhora. Alguns cremes vaginais podem ainda alterar a resistência de preservativos de látex, dependendo da composição. Ler a bula e tirar essa dúvida com o profissional que prescreveu o tratamento ajuda a prevenir falhas na proteção.
Não há evidência de que receitas caseiras, como colocar alho, vinagre, bicarbonato, iogurte ou óleos dentro da vagina, tratem a candidíase. Essas práticas podem causar queimadura, irritação e atrasar o diagnóstico correto.
O parceiro precisa de tratamento?
Na maioria dos casos, a candidíase vaginal não é classificada como uma infecção sexualmente transmissível e o parceiro sem sintomas não precisa de tratamento. Ainda assim, o fungo pode causar vermelhidão, coceira ou pequenas lesões no pênis em alguns homens. Quando isso acontece, ele deve procurar avaliação médica para receber a orientação adequada.
Se os sintomas surgem frequentemente após relações sexuais, vale conversar com o ginecologista. Nem toda irritação depois do contato íntimo é candidíase: alergia ao preservativo, lubrificante, espermicida ou produtos de higiene também pode estar envolvida.
Quando a candidíase é recorrente
Ter um episódio isolado é comum. Já a candidíase recorrente é considerada quando há três ou mais episódios sintomáticos em um ano. Nessa situação, repetir o mesmo remédio sem avaliação pode não resolver o problema.
O médico pode solicitar exame do corrimento vaginal para confirmar o tipo de fungo e descartar outras causas. Algumas espécies de Candida respondem menos aos tratamentos usuais e podem exigir esquemas mais longos ou medicamentos diferentes.
Também é importante investigar fatores que favorecem a repetição, como diabetes mal controlado, uso recente ou frequente de antibióticos, alterações da imunidade e uso de corticoides. Em algumas pessoas, não se identifica um fator específico. Isso não significa falta de higiene e não deve causar culpa.
A relação entre alimentação e candidíase costuma gerar dúvidas. Reduzir açúcar por conta própria não substitui o tratamento e não há uma dieta comprovada que elimine a infecção vaginal. Manter uma alimentação equilibrada e controlar condições como o diabetes pode contribuir para a saúde geral, mas o foco deve ser tratar a causa confirmada.
Quando procurar atendimento médico
É indicado procurar um ginecologista ou atendimento de saúde se for a primeira vez que os sintomas aparecem, se houver dúvida sobre o diagnóstico ou se não houver melhora após o tratamento indicado. A avaliação também é necessária quando os sintomas retornam em pouco tempo ou acontecem várias vezes ao ano.
Procure atendimento mais rapidamente se houver febre, dor no baixo-ventre, feridas ou bolhas na região íntima, sangramento fora da menstruação, corrimento amarelo, verde, cinza ou com cheiro forte. Esses sinais não são típicos da candidíase simples e podem indicar outra condição.
Pessoas grávidas, com diabetes, imunidade baixa, HIV, câncer em tratamento ou que usam medicamentos imunossupressores devem evitar a automedicação. Crianças e adolescentes com sintomas genitais também precisam de avaliação individualizada.
Como confirmar se é candidíase
Os sintomas mais comuns incluem coceira vulvar intensa, vermelhidão, inchaço, ardor ao urinar quando a urina encosta na pele irritada, dor nas relações e corrimento branco espesso, muitas vezes descrito como semelhante a leite coalhado. O corrimento geralmente não tem odor forte.
Mesmo assim, os sintomas isolados não confirmam o diagnóstico. Vaginose bacteriana, tricomoníase, dermatites, infecções urinárias e algumas infecções sexualmente transmissíveis podem provocar ardor, corrimento ou coceira. Durante a consulta, o profissional avalia a história de saúde, examina a região e pode coletar uma amostra da secreção vaginal para análise.
Seguir o tratamento pelo tempo indicado e evitar soluções irritantes costuma trazer alívio em poucos dias. Se os sintomas não melhorarem, não tente apenas trocar o medicamento: uma nova avaliação é a forma mais segura de encontrar a causa e recuperar o conforto íntimo.